jeudi 31 janvier 2013

Livro de Sandra Z. Veroneze

Carísimos,

Meu livro de crônicas ‘Eternidade ou Infinito’ já está disponível para compra...
Ele reúne alguns dos txts que mais gostei de escrever.
Em anexo, um dos txts... Provinha..
Quem quiser receber em casa, é só pedir pra mim.
Pilas: R$ 15 mangos (já incluso serviço de correio)
Abaixo minha conta:


Dados Bancários

Banco do Brasil
agência 2796-0
cc 23.299-8

Titular Sandra Veroneze
CNPJ: 10.217.780/0001-80


Abração!
 Atenciosamente,

Sandra Z. Veroneze
Pragmatha Laboratório de Ideias & Gestão de Projetos
Twitter: @sandrazveroneze

Letrados e instruídos (e sábios?)

Outro dia, como jornalista, fui chamada para escrever sobre o programa de alfabetização de jovens e adultos. Seria uma pauta como qualquer outra, não fosse um pequeno detalhe: reavivou em mim uma das lembranças mais queridas da infância. Foi exatamente quando eu aprendi a ler e escrever. Na época já andava de bicicleta, já sabia a diferença precisa entre gatinhos e gatinhas e, santoanjodosenhor, até desconfiava sobre como eram produzidos os bebês.

Ou seja: já havia provado na prática três das formas de aprendizado: pela experiência, pela observação e pela vivência e comentários alheios.

Mas voltemos à lembrança querida. Acontecia uma vez por mês, pelo menos, quando a nonna, mãe da mãe, aproveitava sua vinda à cidade para receber a aposentadoria e nos visitar. Não sei como meu pai encarava aquela estada prolongada, mas para minha mãe tenho certeza que era um alívio e para mim, obviamente, uma festa... (por que será que só os nonnos nos entendem?)...

O motivo: o tempo que eu não estava na escola passava com ela, tomando mate e fazendo "os tema" (os temas, ela me corrigia... e eu repetia: osss temasss). É verdade que os plurais era ela quem me ensinava, mas a devida aplicação do D e do T, do P e do B, etc, cabia a mim explicar. Em tempo: aos 60 anos de idade, a minha nonna também estava sendo alfabetizada e, como por muitos anos viveu entre alemães e italianos, virou uma poliglota meio atrapalhada, misturando tudo. Boi saía "poi", vaca saía "faca", um horror.... “Ai, nonna, não é assim”...

Terminamos a primeira série juntas, eu com uma vida toda pela frente e ela com seu caminho praticamente trilhado. Da escrita, ferramenta à qual fomos apresentadas na mesma época, com certeza eu tirei e ainda vou tirar muito mais proveito. Tenho o privilégio, a ela negado, de aprender não apenas com observação e experiência, mas também através da leitura. Sem dúvida, uma maneira muito prática e acelerada de acumular conhecimento.

Hoje, quando vejo idosos aprendendo a ler e a escrever, de fato me sensibilizo. Dificilmente lerão algum poema de Shakespeare, raciocinarão sobre os rabiscos de Sartre, ou alimentarão sua fé através da leitura solitária dos escritos sagrados. Mas são pessoas que estão fazendo algo novo já numa etapa derradeira da vida, lutando contra o preconceito e realizando um sonho. Escrever o próprio nome, ou desenhá-lo que seja, é algo que lhes bota lágrimas nos olhos.

E então fico com vontade de sentar do lado deles e permanecer um tempo ouvindo suas histórias dos tempos de juventude. Saudades da nonna? Sim. E também uma certeza: existem coisas que só a vida ensina e talvez aí esteja uma pista para a compreensão da diferença entre conhecimento e sabedoria.

A propósito: quando nós, letrados e instruídos, tivermos 60 anos, o que será capaz de botar lágrimas nos nossos olhos?

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