lundi 17 décembre 2012

RENASCIMENTO


RENASCIMENTO
 (Luiz CArlos Amorim)


Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.
É a vida ressurgindo,
é o Natal do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus!

Natal das vicissitudes

Por Maria de Fátima Barreto Michels




Vi um velho triste, quase chorando
A moça não queria mais dormir ali
Passar a mão em suas pernas
Vi a lojinha cheia de brincos e colares
Nas pálpebras da balconista
As cores todas possíveis
O povo comprava o frango na oferta
A barriga tem necessidades que talvez...
A própria razão desconheça
Os colares precisam combinar com os brincos
A vizinha não usa brincos
Mas usa frangos
Suas pálpebras caem de sono
É preciso ler Drummond
Ele também indaga sobre pernas
Pra que tanto brinco, meus Deus?
Uma bolsa por quatrocentos reais?
Daria para tanta gente comer frango!
Jesus vai nascer dinovo, que bom!
Alguns dias de vicissitudes
Haverá fartura de brincos e bocas
Frangos, cores, pálpebras e pernas!

P.S.: Eu desejo pra você canto de passarinho

Boas Festas, Feliz 2013


Queridos amigos
Com muito carinho, esta é a nossa mensagem de Boas Festas e Feliz 2013! 
Ouçam a música e aprendam a cantar! 
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Dulce Auriemo
dulceauriemo@ig.com.br
 

UMA SURPRESA NO CAMINHO

(Conto de Natal)

Harry Wiese

O sol brilhava forte sobre o Vale do Itajaí. Era dezembro, antevéspera de Natal. O trem vinha engolindo a mata e as plantações beira-rio, beira-estrada, como uma cobra engole sua presa-anfíbia no mais inocente ritual determinista. A “Macuca”, a grande locomotiva, expelia uma fumaça meio preta e nervosa fazendo com que a temperatura aumentasse ainda mais. Às catorze horas partira de Blumenau, no auge do calor. Agora, quase ao cair da tarde, na Estação de Subida, a temperatura elevada ainda persistia, sem brisa e sem vento. Logo chegaria à Estação Hansa, em Hammonia. O apito estridente da locomotiva já anunciava a chegada.

Quando os primeiros colonos se instalaram em Hammonia no início do século XX, só havia uma estreita estrada, um picadão frágil repleto de buracos e valas. Agora, com orgulho, admiram a estrada de ferro, produto do trabalho, persistência e ousadia. Hammonia conseguira conectar-se ao mundo.

Herbert Longen lançou um olhar para as montanhas, para o rio e para a ponte, monumento de arte, toda de ferro, numa terra ainda rústica e quase adormecida. Corria o ano de 1910. Apanhou suas bugigangas entre as quais se encontravam os presentes de Natal comprados em Blumenau para a esposa e os filhos, com as economias feitas durante o ano. Momento depois, calado e sozinho, deu as costas ao trem cujos ruídos ainda teimavam em persistir em seu cérebro. Apanhou seu cavalo que deixara num pasto de manhã e iniciou sua viagem rumo a Nova Breslau, localidade bem distante de Hammonia, onde comprara uma propriedade no meio da mata virgem. A viagem, através de picadões e trilhas no meio da floresta, para cortar caminho, mesmo assim ainda era longa e cansativa.

A noite o surpreendeu em Nova Stettin, núcleo colonial recém-constituído e localizado entre Hammonia e a sua propriedade. A lua cheia já despontou no alto dos morros. O cavalo ainda ia galante passo a passo e Herbert mantinha-se firme na sela e nos pensamentos. Pensava nas maravilhas de Blumenau, no trem, na cerveja na Estação de Aquibaban, no progresso vindo em passos ligeiros à colônia e nos presentes de Natal, que mantiveram sua mente em plena atividade de gozo e regozijo. Ainda havia a mulher e os filhos a quem amava muito e que por eles fora a Blumenau comprar presentes.

Depois de uma hora e meia de montaria, embrenhado no mato, ora mata virgem, ora capeirão, ora um descampado, Herbert já pensava lento como lento caminhava seu cavalo. Pensava quase nada e o cansaço era uma carga quase insuportável.

De repente o cavalo assustou-se. Um pequeno tremor passou-lhe pelo corpo, mas logo voltou à normalidade e novamente, passo a passo seguiu sua procissão solitária. Durante o pequeno incidente o luar tornou-se forte e iluminou intensamente a Serra do Mirador e o vale. A oeste, na linha do horizonte, formaram-se nuvens grossas e escuras.

– Se tivermos sorte, chegaremos a nossa casa em duas horas – murmurou para si mesmo e para o cavalo.

E eis que o cavalo deu sinal pela segunda vez. Herbert apanhou a espingarda e ficou atento. A circunstância merecia cuidado. Ele confiava na sensibilidade e inteligência de seu animal. O perigo não estaria distante dali. Ainda havia onças na região, as temidas onças-pintadas. Que mais poderia assustar alguém nesta travessia noturna?

Quando se aproximou de um descampado, um pasto encravado na mata, com numerosos bovinos, percebeu que ali se desenrolava o acontecimento que o cavalo percebera com muita antecedência. Um touro forte e feroz protegia um rebanho de vacas e bezerros de uma onça-pintada que elegantemente rodeava os animais, preparando-se para o bote derradeiro, com vistas a uma farta refeição. Herbert assustou-se, mas permaneceu parado para esperar o desfecho da luta. Não era hora de disparar tiros.

A onça rodeava o touro que espumava e berrava com violência. Os berros pareciam um misto de raiva e desespero. O cavalo que percebera o perigo antes não se mexia. Aliás, nada se mexia. Todos aguardavam o final da luta.

Repentinamente, num vacilo da onça, o touro investiu contra a fera e apertou-a contra um pau que havia sido derrubado há algum tempo pelo colonizador das terras. Voltou a atacar e jogou-a para o alto fazendo-a girar entre os chifres. Um urro agonizante soou pela mata. Vacas e bezerros refugiaram-se ao longe. O touro ainda rodeou sua vilã algumas vezes. Convicto da vitória juntou-se aos seus, aliviado.

Herbert Longen, com o auxílio de um morador solitário, que atraído pelos berros do touro, apareceu preocupado com o destino de seus animais, ergueu a onça com muito sacrifício e deitou-a sobre o lombo do cavalo. A cauda e a cabeça, por pouco não se arrastaram pelo solo. Curtiria o couro e o enviaria, como presente para o seu velho pai na Alemanha, no próximo Natal.

As nuvens pretas e grossas se aproximaram e a chuva não tardou a chegar. Os relâmpagos iluminavam as copas das árvores. Era preciso chegar. A mulher e os filhos estavam esperando e a cada hora que passava o Natal estava mais próximo. E isto era muito bom! Muito bom! Muito bom!

Sob o Céu de Barreiros


Um texto de  Marcos Meira


Véspera de Natal. O menino ansioso. Sonha o presente. Olha pela janela. Céu sem estrela. O calor do verão. O silêncio da noite. Papai Noel voa? Pensa que sim. E vasculha o céu. Procura. De que lado ele vem? Não sabe do Sul. Não sabe do Norte. Sabe esperar. E aguardar cansa. O menino esfrega os olhos com as mãos. Difícil ficar acordado. A cabeça balança. Ele se esforça. Em vão. É vencido pelo sono. E o menino sonha... Segue num trenó vermelho. Grande, muito grande. Seis ou oito renas – não sabe contar. Há também um velhinho. Barbas brancas, muito brancas. Papai Noel! Vontade de gritar. O trenó segue rápido. O saco cheio de presentes. Vai dar tempo de entregar tudo? O menino olha a lista. Letras, muitas letras. Seu nome está ali? Ele não sabe ler. O trenó para. Papai Noel entra numa casa. Não demora a regressar. A viagem prossegue. Vontade de perguntar tanta coisa! Papai Noel responde? O menino fica com medo. Não quer atrapalhar. Outra casa... Mais outra... E o saco vai ficando vazio. Quase fim de noite. Resta apenas um presente. Será o meu? – o menino pergunta. Esperou o ano todo. O velhinho desce do trenó. E demora a voltar. Na verdade, não volta. O menino preocupado. O que aconteceu? As renas se assustam. O desequilíbrio. O menino cai. O vazio... A janela bate com o vento. O menino se acorda. Cadê o presente? Olha em volta. Procura. Casa pobre, muito pobre. Pequena. Quase sem tinta. Uma cama. Cinco pessoas dormem. Papai Noel existe. Não foi assim que ele viu na TV? O coraçãozinho do menino bate forte, muito forte – quase sai do peito. Volta à janela. Uma luz no céu. Então, não é sonho! É o trenó que brilha. O menino sorri. Quer chamar a mãe. Quer chamar os irmãozinhos. Todos dormem. Ele olha de novo. Céu nublado. Escuro. Breu. E o menino fecha a janela. Afasta o bracinho do irmão. Deita-se na cama. Fecha os olhos. 

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