jeudi 18 octobre 2012

Crônica da Urda


OS  HOMENS VELHOS

                            (Para Terezinha Anastácio e Rodolfo Leite, meus amigos.)
                                               Moro num bairro bastante complexo, que reúne desde uma ocupação urbana até um bocado de burgueses que se comportam bem como são os burgueses, passando por uma população de classe média baixa que anda com o nariz para cima como se burguesa também fosse e um numeroso resquícios de colonos que se crê a nata do planeta, e por aí vai. Como veem, é bastante complexo mesmo e não vou me aprofundar, aqui, neste tema destes tantos feudos deste lugar aonde vivo. Há que aclarar, no entanto, que dentre muita gente complicada que aqui existe também há um bocado de gente simpática e de bom coração e que até alguns amigos consegui granjear desde que aqui estou, gente da melhor qualidade.    
                                               Num bairro assim cheio de diferenças, é bem grande a quantidade de pessoas que se não são, pelo menos tem a cara azeda, e quando saio com o meu cachorro para um dos nossos passeios diários, fico impressionada com aquele azedume de tantas caras que se negam ao cumprimento ou à amizade, e minha preocupação maior é não acabar assim também, com aquela cara de quem acaba de chupar um limão. Impressionante!
                                               Há um pessoal, no entanto, que tem sido muito simpático comigo.  Não falei acima, mas a maior parte das nossas diversas classes sociais é, na verdade, formada pela classe trabalhadora – e naqueles mais batalhadores, que pegam no pesado no tear das fábricas ou na costura das facções, trabalhando sob pressão até a aposentadoria, há toda uma gama de gente que não se queimou na fogueira das vaidades e que não chupa limão e amarra o nariz para cima antes de sair de casa, e encanta-me, sobretudo, uma mulher com quem encontro quase todos os dias lá na rua principal, provavelmente fiandeira ou tecelã aposentada, que anda pela calçada  distribuindo sorrisos e cumprimentos a todos, gentes e animais, e que nunca deixa de me dizer:
                                               -  Como vai, amiga? Tudo bem com o cachorrinho? – embora eu sequer saiba o nome dela e ela também não saiba o meu. Nem tudo é imperfeito, claro.
                                               E há uns homens que eu amaria conhecer mais, escrever suas histórias, ser amiga deles: os homens velhos. Não falo de velhinhos já caquéticos, mas de homens da minha idade que nasceram, cresceram, foram para a fábrica e por 35 anos foram usados e abusados pela fábrica, e que, quando, enfim, saíram para a sonhada aposentadoria, como que esqueceram de que um dia foram moços vaidosos e namoradores, e andam muito mal vestidos, com pulovers do passado, chinelo de dedo e calças desbotadas, e que quando me veem com meu cachorro sorriem e são cordiais, e como que se encolhem um pouco, assim como se lembrassem que num momento perdido no túnel do tempo um dia já foram namoradores, e olham para mim assim como quem imagina que um dia eu também fui uma moça que talvez eles tivessem querido namorar naquela época.
                                               Tenho 60 anos e gosto de andar de vestido cor de rosa, de brinco combinando, e penso que é por isto que eles se encolhem um pouco: nas suas casas, as mulheres deles andam vestidas com a mesma humildade que eles, pois também foram mastigadas pelas fábricas a maior parte de suas vidas e sonharam muito com a aposentadoria para poderem usar seus vestidos velhos e seus chinelos de dedo, sem mais compromisso com nenhum cartão ponto nem nenhuma encarregada – ficaria feio para eles saírem para a rua mais bem arrumados, diferentes delas. Assim, quando encontram uma mulher velha de vestido cor de rosa, com brinco combinando, acho que o túnel do tempo lhes traz um outro tempo em que fomos jovens e talvez eles se lembrem de antigas domingueiras e coisas assim, e pensem em como a vida voou. Então são muito simpáticos comigo, e me sorriem quando me cumprimentam, e eu fico toda feliz porque no meu bairro há uma porção de gente que não toma vinagre ao café da manhã, e recordo como a simpatia e outros sentimentos bons continuam existindo, apesar das tantas caras azedas!

Blumenau, 12 de outubro de 2012.

Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR

Convite para lançamento


Convidamo-lo para o lançamento da Segunda Antologia da ALIFLOR na próxima sexta –feira, dia 19/10,  às 18 horas no Espaço Cultural Rita Maria (2º piso da Rodoviária).
Teremos uma programação com declamações de poemas, canto coral  e música ao vivo.
Os convidados serão brindados com um exemplar da Antologia e um delicioso coquetel.
Sua presença muito nos honrará.

Elena Lamego (poeta , membro da Diretoria da ALIFLOR)

Convite-Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí


Poemoda Dia Mundial de Combate à Pobreza + Dia do Professor


Alexandre Lemos + Grupo Nymphas + Reinaldo Godinho + Paulo Vítola + Ceguinhas de Campina Grande + Pedro Luís + Rodrigo Maranhão + João Ricardo + Solano Trindade + Ney Matogrosso + Paulo Padilha + Sandra Peres + Paulo Tatit + Palavra Cantada + João e Francisco Bosco + Fausto Fawcett + Laufer
falam da doença
Irina Bokova_UNESCO + Ban Ki-moon_ONU + Dudu Trentin + Orquestra Sinfônica de Heliópolis + Zubiin Mehta + Luiz Melodia + Coro da Escola de Música da Rocinha + Sérgio Sampaio + Sergio Valente + PC Bernardes + “Todos pela Educação” + Celso Viáfora + Amilson Godoy + Tania Maya + Vicente Barreto + Heitor Villa-Lobos + Stelinha Egg + Virgínia Amorim
falam da cura

Dia Mundial de Combate à Pobreza                              Dia do Professor

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Grande abraço,

 Alan Romero & Etel Frota


"Poemoda, a canção em verso e prosa"
           todas as quartas feiras, às 11 da noite
(com reprise aos sábados, 6 da tarde)

no rádio, em Curitiba: FM 97.1
na internet: www.rtve.pr.gov.br

Lançamento de livro


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