samedi 28 juillet 2012

REGULAMENTO VARAL ANTOLÓGICO 3


1)      DA SELEÇÃO E DA PARTICIPAÇÃO

1.1. O Varal Antológico é promovido pelo VARAL DO BRASIL
®, revista literária eletrônica realizada na Suíça (ISSN 1664-5243).

1.2 Serão consideradas abertas as inscrições a partir de 20 de julho até 20 de setembro de 2012. Caso o número de participantes ideal seja atingido, as inscrições poderão ser encerradas mais cedo.  

1.3. Poderão participar da antologia todas as pessoas físicas maiores de 18 anos, ou menores com permissão do responsável, de qualquer nacionalidade ou residentes em qualquer país, desde que escrevam na língua portuguesa.
1.4. A coletânea terá tema livre e será composta por diversos gêneros literários, o escritor podendo enviar contos, poemas, trovas, haicais, sonetos e crônicas ou outros.

2)       DA ACEITAÇÃO DOS TEXTOS
2.1. Serão aceitos textos em língua portuguesa, com tema livre, em formato A4, espaços de 1,5, fonte Times New Roman de tamanho 12 e que não ultrapassem quatro páginas. Os textos deverão vir acompanhados dos dados de inscrição (ver abaixo).

2.2. Não serão aceitos textos que pertençam ao universo de personagens já existentes criados por outro autor. Também não serão aceitos textos politica ou religiosamente tendenciosos, que expressem conteúdo racista, preconceituoso, que façam propaganda política ou contenham intolerância religiosa de culto ou ainda possuam caráter pornográfico. Também não serão aceitos textos que possam causar danos a terceiros ou que divulguem produtos ou serviços alheios.
2.3 Os textos não deverão ter ilustrações ou gráficos.

2.4 Serão recusados os textos que não vierem na formatação requisitada, assim como os textos que chegarem colados no corpo do e-mail.
2.5. Os textos recebidos serão examinados por uma banca formada pela equipe do VARAL DO BRASIL ® e alguns escritores e/ou críticos convidados. A avaliação se dará com base nos seguintes critérios: criatividade e originalidade do texto, assim como a qualidade do mesmo.    

2.6 Os textos deverão vir acompanhados de uma pequena biografia. A biografia, escrita na terceira pessoa, deverá conter no máximo cinco linhas (A5, letra Times New Roman 12, espaço 1.5). Lembre-se sempre que numa biografia, como em muito na vida, menos é mais.

2.7. Os textos devidamente formatados deverão ser enviados para o e-mail: varaldobrasil@gmail.com, juntamente com os dados de inscrição e demais documentos de autorização.
2.8. Ao se inscrever na Antologia o autor autoriza automaticamente a veiculação de seu texto, sem ônus para a revista VARAL DO BRASIL ® nos meios de comunicação existentes ou que possam existir com a intenção de divulgar a antologia.


3)   SOBRE AS INSCRIÇÕES PARA A SELEÇÃO:
3.1. As inscrições para a Antologia serão abertas no dia 20 de julho 2012 e encerradas no dia 20 de setembro de 2012, podendo ser encerradas antes, caso o número de textos recebidos e avaliados sejam aprovados antes da data, no formato e padrão já descritos. O livro será publicado em 2013. As inscrições só poderão ser feitas pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com
OS NOMES DOS SELECIONADOS SERÃO DIVULGADOS NO DIA 30 DE SETEMBRO POR E-MAIL.
3.2. Para participar os candidatos deverão, além de enviar um ou mais textos de acordo com as regras estabelecidas neste regulamento, fornecer o formulário anexo preenchido.
3.3. Só serão aceitas inscrições através dos procedimentos previstos neste regulamento. Os dados fornecidos pelos participantes, no momento das inscrições, deverão estar corretos, claros e precisos. É de total responsabilidade dos participantes a veracidade dos dados fornecidos à organização da Antologia.
3.4. Todo autor é proprietário dos direitos autorais dos textos por ele enviados para publicação no livro e cuja autoria seja comprovada pela declaração enviada;

3.5. Em caso de fraude comprovada, o texto será excluído automaticamente da antologia. Cada autor responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao direito autoral.
3.6 Todo autor é livre para divulgar, preparar lançamentos, noites de autógrafos, individuais ou em conjunto, do livro VARAL ANTOLÓGICO 3, desde que se responsabilize por todas as despesas - preparativos para lançamento, custos administrativos e convites, compra de exemplares a mais do que os recebidos pela participação – pertencendo também ao participante o valor das vendas dos livros em questão. Para tanto, o participante apenas deverá entrar em contato com a revista através do e-mail varaldobrasil@gmail.com para que o número de exemplares lhe seja enviado mediante pagamento (preço da editora / remessa), notando-se aqui a antecedência requerida. O VARAL DO BRASIL®  reserva-se o direito de estar ou não presente nos lançamentos organizados pelo autor.

3.7. Os participantes concordam em autorizar, pelo tempo que durar a antologia com a editora, que a organização faça uso do seu texto, suas imagens, som da voz e nomes em mídias impressas ou eletrônicas para divulgação da Antologia, sem nenhum ônus para os organizadores, e para benefício da maior visibilidade da obra e seu alcance junto ao leitor.

4)  DO PAGAMENTO PELO SISTEMA DE COTAS

4.1. A participação se dará no sistema de cotas, sendo que cada autor deverá proceder ao pagamento da seguinte forma:
(a) Cada autor pagará o valor de R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) que podem ser pagos à vista ou
(b) em duas parcelas de R$ 290,00, sendo o primeiro pagamento até 31 de outubro de 2012 e o segundo e último pagamento até 30 de novembro de 2012.
(c) O pagamento deverá ser feito no caso do autor receber comunicação comprovando a aprovação do (s) seu (s) texto (s)
4.2. A cada depósito o comprovante deve ser enviado para o e-mail varaldobrasil@gmail.com
4.3. O recebimento do pagamento total dá ao autor a garantia de sua participação na coletânea. O não recebimento de nenhuma parcela até o dia 10 de novembro de 2012 anula a participação do autor.

4.4. O pagamento parcial do valor cooperativo não dá direito à participação no livro. Caso o autor não termine o pagamento acordado, será substituído por outro participante e comunicado através de e-mail.

4.5. No dia 20 de dezembro considerar-se-á o livro fechado.

4.6. O (s) depósito (s) deverá (ão) ser feito (s) em nome de:

*Estas coordenadas serão fornecidas por e-mail
*É imperativo que o comprovante de depósito seja enviado para nosso e-mail para confirmação do pagamento.

4.7. Não haverá prorrogação dos prazos de depósito em respeito a todos os participantes selecionados. Pequenos atrasos podem ser considerados desde que avisados através do e-mail varaldobrasil@gmail.com e em acordo com a equipe organizadora.

4.8. Os participantes receberão um total de 10 exemplares da Antologia por participação.
O livro terá aproximadamente 250 páginas no formato padrão (14 x 21 cm)
Capa nas medidas 14 x 21 cm fechado; Laminação BOPP Fosca (Frente);
Capa em Supremo 250g/m² com 4 x 0 cores; Miolo
Fechado em Pólen Soft 80g/m² com 1 x 1 cores
Os serviços prestados serão de editoração completa:
Leitura e seleção
Revisão
Projeto gráfico
criação de capa
ISBN e ficha cartográfica
impressão

4.9. A presente antologia será editada pela Design Editora com o selo editorial Varal do Brasil,  será registrada e receberá ISBN , mas cada autor é responsável por registrar suas obras.
4.10. A remessa dos exemplares para o endereço do autor que não se encontrar presente quando do lançamento do livro será paga pelo mesmo, independente do valor pago pela participação. A remessa acontecerá após o lançamento do livro e o autor deverá solicitar o valor do frete pelo e-mail atendimento@designeditora.com.br


            5)  OUTRAS INFORMAÇÕES

5.1. Dúvidas relacionadas a esta antologia e seu regulamento poderão ser enviados para o e-mail varaldobrasil@gmail.com

5.2. Todas as dúvidas e casos omissos neste regulamento serão analisados por uma comissão composta pela equipe organizadora e sua decisão será irrecorrível.
5.3. Para todos os efeitos legais, o participante da presente Antologia, declara ser o legítimo autor dos textos por ele inscritos, isentando os organizadora  a editora de qualquer reclamação ou demanda que porventura venha a ser apresentada em juízo ou fora dele.
5.4. O VARAL DO BRASIL ® reserva-se o direito de alterar qualquer item desta Antologia, bem como interrompê-la, se necessário for, fazendo a comunicação expressa aos participantes.

5.5. A participação nesta Antologia implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.
5.6.  A data prevista para a entrega dos exemplares do livro VARAL ANTOLÓGICO 3 é durante o lançamento do mesmo em 2013 (data a ser agendada) e pelos correios em média vinte a trinta dias após o lançamento (O autor se responsabilizará por pagar o frete caso deseje receber seus livros pelos correios). Será oportunamente discutida uma noite de autógrafos organizada pela revista VARAL DO BRASIL ®

5.7 Em caso de, por motivos de força maior, não puder ser realizado um lançamento físico do livro VARAL ANTOLÓGICO 3, os livros poderão ser requisitados pelos autores através do e-mail atendimento@designeditora.com.br após aviso por parte do VARAL DO BRASIL ®  e um ou mais lançamentos virtuais poderão ser realizados.

5.8.  Os livros ficarão à disposição na editora para serem solicitados por TRÊS meses após o lançamento e/ou aviso aos autores por parte do VARAL DO BRASIL ®. Após esta data considerar-se-á que o autor não deseja receber os livros e os mesmos poderão ser doados a alguma escola, biblioteca ou outros.

5.9. O fórum para qualquer recurso é situado em Genebra, Suíça.



Genebra, dia 15 de julho de 2012



CHUVA FINA NÃO-BOA


Ai, que triste chuva fina,
sem o vento que a vida, empina,
vem dos frios ares do sul,
ao sudeste de nossa esquina,
cai, em vão, de’um céu não-azul,
em quem se vai,
assim tão menina.

Ai, chuva fina. É garoa,
que descansa no ar, bem à-toa,
como véu de gotículas, que voa
na manhã que seria verão.
Que chuva fina não-boa,
celebriza o frio a São Paulo,
e tira o sol da Gamboa.


Nota do autor.
“Um dia nos reencontraremos, meu doce Anjo Lilás.”


Por Roberto Armorizzi 
https://www.clubedeautores.com.br/book/120710--Meu_Anjo_Lilas

Crônica da Urda


Histórias da Minha Avó


Minha avó não tinha dentes. Eu passei a conviver diariamente com ela quando ela tinha se tornado irremediavelmente velha, aos sessenta anos, e ela me fascinava por ser um poço sem fundo de histórias para contar, e também pelo fato de não ter dentes.
Minha avó ensinou-me coisas estranhas. Por exemplo, no começo do verão, naquelas maravilhosas tardes de começo de verão em que os pepinos estavam começando a formar os frutos no nosso quintal, minha avó fazia coisa estranhíssima: colhia um pequeno pepino ainda em formação, tenro pepino de casca verde, e sentava-se à sombra, numa grande pedra que havia no nosso jardim. Com uma faca afiada, ela ia cortando o pepino em finas fatias translúcidas, com casta e tudo, e punha-se a mascá-las. É claro que eu não arredava do pé dela, totalmente fascinada por aquela pessoa estranha que comia pepino sem sal e sem vinagre, e COM CASCA!, e podia ficar por horas acocorada perto dela, a espiar como suas gengivas sem dentes mascavam as finas fatias do pepino, que ela saboreava com tanto prazer. É claro, também, que em pouco tempo eu também comia pepino do mesmo jeito que ela, e aquele é um gosto que ainda hoje tenho na boca, de tão bom que era!
Nas amenas tardes do começo do calor, minha avó, além de me dar o espetáculo das suas gengivas desdentadas trabalhando, me deu o incomensurável presente das suas histórias.
Ela chegara ao Brasil prestes a fazer sete anos, oriunda da Lituânia, que a gente não sabia bem onde era e ela dizia que era na Rússia. Hoje sei muito bem que a Lituânia é, de novo, um país soberano, depois da dissolução da União Soviética, mas, naqueles idos de 1960, a Lituânia era apenas um lugar nebuloso na minha Geografia pitoca, que, de certo, só existia nas histórias da minha avó.
Ela se lembrava muito bem de como as coisas eram lá, e aquilo era muito mais empolgante do que qualquer livro com histórias de fadas, ainda mais contado por ela, a comer pepino com casca com as suas gengivas vazias.
Do que ela se lembrava? Do inverno, com certeza a coisa mais marcante que guardara da sua primeira pátria. No inverno, andava-se de trenó por cima de muito gelo e, se se jogasse para cima um punhado de água com a mão, a água caía transformada em pedrinhas de gelo. Eu a ouvia contar totalmente fascinada; daria qualquer coisa para conhecer um lugar assim, onde eu poderia produzir o meu próprio granizo o inverno inteiro, e não ter de esperar pelos raros granizos que já vira na minha terra de Blumenau.
Nem tudo tinha sido fascinação nos invernos de gente pobre da Lituânia no final do século passado, claro que não. A família da minha avó morava em casa exígua, que tinha como peça e/ou objeto principal o que ela chama de forno. Considerando que ela nunca aprendeu corretamente o português, eu creio que com “forno”, ela queria dizer lareira. Era em torno desse “forno” que a vida da família decorria no inverno. Dormia-se em torno dele; degelavam-se diante dele os repolhos e as batatas das parcas refeições, repolhos e batatas contados e recontados, para que durassem até o final do inverno, sempre mais escassos conforme a estação se adiantava.
E no forno, pensam que havia farta lenha para as chamas crepitantes? Nada disso, a lenha era racionada, o governo lituano só permitia que cada família cortasse pequeno trecho da floresta por ano, insuficiente para o calor na época das grandes neves. Era mister secar todo o esterco do gado e armazená-lo, para queimar quando a lenha acabasse.
O mais incrível de tudo o que a minha avó contava, porém, era sobre as visitas. Se se fizesse ou recebesse visita, ficava implícito que os visitantes trariam sua própria comida, já que o anfitrião não tinha o que oferecer à uma boca a mais. Seria isto possível, em algum lugar no mundo? Esse fato ficava além da minha imaginação de menina criada em terra de fartura, e para exorcizá-lo, eu ia correndo buscar grossa fatias de pão de casa com manteiga e mussi de banana, o quitute preferido da minha infância. Enquanto eu mastigava o meu pão com mussi, minha avó, placidamente continuava mascando suas finas fatias de pepino novo, a olhar, lá atrás dos morros, o Sol que se escondia.
Minha avó não tinha dentes. Mas como ela sabia contar histórias!


Blumenau, 08 de Abril de 1996.

Urda Alice Klueger

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