vendredi 20 juillet 2012

Programa Debates Culturais de sábado, dia 21 de julho de 2012


Aviso aos meus amigos que sábado, dia 21 de julho, o programa Debates Culturais especial de aniversário, pois ainda estaremos comemorando os 13 anos de existência, terá, além de mim, Alessandro Lyra Braga, as presenças do administrador de empresas e presidente do Conselho Regional de Administração - RJWagner Siqueira; do consultor e dirigente do IBGH - Instituto Brasileiro de Gestão da HospitalidadeArmando Lardosa; e, do presidente da Fundação Ulisses Guimarães - RJAmaury Cardoso.

Falaremos sobre a hospitalidade e a qualidade de atendimento dos serviços brasileiros, conforme análises desenvolvidas pelo Instituto Brasileiro de Gestão da Hospitalidade. Conversaremos também sobre a crise econômica mundial e suas consequências imediatas. Também estaremos lançando o livro Os Princípios da Prosperidade de Henry Ford, que está sendo relançado pelo CRA-RJ em parceria com a Freitas Bastos, tendo sido publicado pela primeira vez no Brasil na década de 40, com tradução e prefácio de Monteiro LobatoOs Princípios da Prosperidade reúne de uma só vez três publicações: Minha vida e minha obraHoje e amanhã e Filosofia de indústria.

O programa Debates Culturais é transmitido pela Rádio Boas Novas AM 1320 do Rio de Janeiro, todos os sábados, a partir das 14:00hs. Quem desejar participar por telefone com perguntas e/ou comentários, pode fazê-lo pelo telefone 2576-8484. O programa também poderá ser ouvido ao vivo pela internet, acessando o site da emissora, http://www.radioboasnovas.com.br/. Quem não puder ouvir nosso programa ao vivo, poderá ouvi-lo na íntegra, quando desejar, em nossa revista eletrônica http://www.debatesculturais.com.br, acessando, na barra azul de botões, a seção “Áudio dos Programas”

  
Acompanhem nosso Twitterhttp://twitter.com/debatescult!

A todos os meus amigos, um bom final de semana e espero que gostem do programa e dos artigos da revista!

CONVITE: LANÇAMENTO DE LIVRO


CONVITE


Lançamento do livro:Pastor Johann Leonardt Holllerbach e Theophilo Benedicto Ottoni - Líderes que transformaram o Nordeste de Minas Gerais", de autoria da Professora e Historiadora Dalva Neumann Keim, Presidente da Associação Cultural dos Descendentes Alemães em Teófilo Otoni.

Dia: 20 de julho de 2012.
Horário: 19:30h.
Local: Plenário da Câmara Municipal de T.Otoni.


Saudações acadêmicas,

PROF. WILSON COLARES DA COSTA
Secretário Geral

Crônica da Urda


Aimar Kãm-Rem

Hoje conheci o Sr. Aimar Kãm-Rem, e ainda estou emocionada por ter tido a oportunidade. Quem é ele? Um artista do cinema internacional, um famoso cientista estrangeiro? Nada disso, Aimar Kãm-Rem é genuinamente catarinense, mais genuinamente catarinense do que qualquer um de vocês que estão lendo este texto e, apesar de falar corretamente o português, na sua casa ainda se fala a antiga língua que era falada em Santa Catarina antes de Cabral e do Dr. Blumenau, a língua Jê, ou Tapuia, da qual ouvimos breve referência no tempo da escola.
Teria eu ido a um congresso de antropologia, ou a uma palestra sobre a FUNAI? Não, eu estava sentada à minha mesa no banco onde trabalho, e ele apareceu lá. Era um senhor bem vestido, de porte digno, com pouco mais de 60 anos e, à primeira vista, achei que seu rosto asiático se devia a alguma mestiçagem com japonês. Dirigiu-se a mim com a educação de um japonês, e seu português era correto e fluente, e eu nunca pensaria que aquele era um dos legítimos herdeiros do povo Xokleng, descendente direto dos seus caciques. Ele queria saber como se fazia para abrir uma caderneta de poupança. Expliquei-lhe e, ainda achando que estava lidando com um descendente de japoneses, pedi-lhe seus documentos. E quando ele me deu a Carteira de Identidade, eu amoleci por dentro, me arrepiei, fiquei besta: aquele homem era a História e a Imaginação, o Passado e a Tragédia. Tenho certeza de que ele não entenderia se eu lhe dissesse tudo isto, e não lhe disse, mas confirmei:
- O senhor é descendente do cacique Kam-Rem?
Ele era neto.
Deixem-me explicar a minha emoção.
Lá por 1988 eu passei quatro meses estudando tudo o que encontrei sobre o povo Xokleng, os primitivos habitantes da nossa terra de Santa Catarina, povo formado de bravos que se negaram ao extermínio e à amizade corrupta do branco durante quatro séculos. Foi só na segunda década do século XX que Eduardo de Lima e Silva Hoerhan, neto do Duque de Caxias e seguidor da filosofia de Marechal Rondon (“Morrer, se for preciso; matar nunca!”), conseguiu a amizade da tribo arredia, amizade conquistada às custas de muita música de gramofone tocada sob as arcada da floresta de região de Ibirama/SC. A música criou os primeiros laços: Eduardo cuidou do resto, e, aldeando a tribo, impediu o seu extermínio, já que na ocasião, tínhamos um genocídio institucionalizado em toda a região, genocídio que chegou aos tribunais internacionais e foi condenado em todo mundo. Dei apenas linhas gerais do que aprendi sobre os Xoklengs – aprendi muito mais, precisava de dados para escrever o capítulo inicial do meu livro “Cruzeiros do Sul”, romance que conta a formação do povo catarinense. E lembro muito bem de que, na época da pacificação, o cacique dos Xoklengs chamava-se Kam-Rem.
Em cima do verdadeiro cacique Kam-Rem criei o meu personagem Kam-Rem, cacique do povo Xokleng 300 anos antes, um imaginário cacique calcado num cacique real. A grafia dos nomes difere da do homem que conheci hoje, mas o som é o mesmo, e meu coração se acelerou de curiosidade e magia. Ele era nascido em Ibirama, em 1932, e era filho de Kundagn Yupliu e Rosa Káv-Vân Priprá, este último, também velho nome tribal que eu conhecia. Não podia haver dúvidas de que ele era um neto ilustre, que descendia dos antigos príncipes desta nossa terra, e puxei conversa sem complicar demais (acho que ele não iria entender se eu lhe falasse que era romancista e essas coisa assim). Perguntei-lhe se conhecera o polêmico Eduardo, e o que pensava dele. Sim, conhecera e gostara de Eduardo, quis saber se eu o conhecera também. Não, eu não tivera o prazer, apenas lera sobre Eduardo de Lima e Silva Hoerhan em livros, e o olhar inteligente de Aimar Kãm-Rem me confirmou que ele entendia que se pudessem aprender tais coisas em livros. Quis saber se ele chegara a morar no mato, no tempo em que os Xoklengs continuaram seminômades. Não, ele não morara. Nascera quase vinte anos depois que a tribo tinha sido “amansada” (foi ele quem usou a expressão que acho aviltante), e sempre morara no aldeamento ou na cidade. Na verdade, ele demonstrava ter tido uma excelente educação à la européia, inclusive razoável educação escolar, e seu porte era o porte digno de um homem de mais de 60 anos que se sente ajustado à sociedade em que vive.
Eu acabara de abrir a sua caderneta de poupança, e ele tinha que se ir. Pedi-lhe que me procurasse quanto voltasse ao banco. E ele se foi, sem imaginar as emoções que desencadeara em mim. Fiquei observando-o dirigir-se para a rua, com sua camisa xadrez e sua calça jeans – parecia mais com um japonês alto do que com um herdeiro de príncipes ameríndios. Aimar Kãm-Rem era inteligente, mas com certeza, não sabia do seu valor como herdeiro da História.

Blumenau, 01 de Abril de 1996.

Urda Alice Klueger

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