mercredi 20 juin 2012

Uma Árvore Chamada Terezinha-Centro Cultural Lagoa do Nado -Jardim dos Poetas -Belo Horizonte-MG


Clevane Pessoa 

Jacqueline Aisenman de azul, e sua árvore, Terezinha, observada por Rogério Salgado e por mim,  (Clevane Pessoa), no Jardim dos Poetas-Lagoa do nado, em 31 de maio de 2012.Salgado e eu .
Crédito da foto: Lecy de Souza


Marco Llobus  marcara para 31 de maio, a segunda edição do Jardim dos Poetas(**):poetas que passaram pela Lagoa do Nado (*)em Saraus de Poesia , os que fizeram parte do histórico processo ...
A premiada prosadora e poeta Norália de Castro Mello estava nos primórdios da organização, em Brumadinho, de um  lançamento- do Varal do Brasil-2, onde estamos na qualidade de co-autoras e organizada por Jacqueline Aisenman a qual lançaria também seu próprio novo livro, "Briga de Foice", pela
Design Editora  , de Jaguará do Sul/SC, um belo trabalho editorial.jacqueline também é catarinense-e mora há anos, em Genebra.
Norália sonhava em reunir aqui, os co-autores mineiros.
Queria sobretudo, oferecer a Jacqueline a grande oportunidade de conhecer Inhotim (**).Mas as negociações se arrastavam, graças aos valores -e ela então, investiu potencialmente na Prefeitura de Brumadinho, onde hoje reside, que cedeu-lhe a Casa da Cultura-para a recepção de 01 de junho,hospedagem aos poetas e prosadores, várias benesses.A Secretaria de Cultura e Turismo entrou no esquema produtivo-e Norália pode contar com Juliana Brasil, Regina Esméria, Maria Lúcia Guedes, Maria Carmen de Souza, que se empenharam na decoração e na degustação de acepipes tipicamente mineiros juninos.Segundo comentários dos autores e convidados, foi uma grande confraternização-continuada em Inhotim e depois no Restaurante D.Carmita, com os lançamentos das antologias citas e livros dos presentes.
Bem, então, no Dia 31, aqui em Belo Horizonte, começamos a recepção à Jacqueline, que seria homenageada   junto com Diovvani Mendonça (leia-se Paz e Poesia ***) , no Sarau da Lagoa do Nado, no Restaurante D.Preta, reduto de poetas ,artistas e pessoas da Paz,  a convite de Claudio Marcio Barbosa , produtor cultural e poeta, que faz parte da família que administra o D.Preta.preparam um substancial prato mineiríssimo, o Feijão Tropeiro (****).
Foi organizada uma mesa de livros , para a degustação da mente e do espírito, por que não, do coração?Jacqueline recebeu as "Palmas Barrocas" -alusivas à arte sacra mineira, uma criação da artista de Sabará-uma das mais antigas cidades mineiras- Dirléia Neves Peixoto e que são parcimoniosamente distribuídas pelo grupo de Poetas Pela Paz e pela Poesia., grupo que realiza o Paz e Poesia em Belo Horizonte (*****).
No  D.Preta, , esperamos a chegada de Norália, que chegou com sua filha Daniela.Desse momento, participaram os poetas e artistas de Belo Horizonte, Marco Llobus, Neuza ladeira Rodrigo Starling, Iara Abreu, Maria Moreira, Adão Rodrigues, Fátima Sampaio, Rogério Salgado, Claudio Márcio Barbosa , Serginho BH (fundo musical ao violão) e eu. Co-autoras de outros Estados e cidades estiveram no congraçamento:Yara Darin, Maria Clara Machado,e, com Norália e Daniela, também artista, chegou a alegre Madhu Maretiori, que lançou  seu encantador "Em Nome de Gaia"- minilivro de grande conteúdo.
Bem, esse prólogo longo , mas necessário ao registro de nossa história de poetas, nos leva agora, à Lagoa do Nado.
Lá, além do mini tour pelo pulmão verde e suas águas, com passagem pela exposição a céu aberto da obra enraizada de Mestre Thibau., Jacqueline e nós, poetas convidados , fomos levados para plantar nossa árvore no Jardim da Poesia.
Quando saí de casa, sabendo que cada árvore poderia ser madrinha ou afilhada do poeta e o poeta  escolheria o nome de sua árvore, pensei em achegar-me a uma que desse muitas flores , para dar-lhe o nome de minha mãe, que adorava o verde.Eu andava daqui e dali, mas fui atraída por um cedro.Mesmo ele apresentando uma praga branca.Não consegui afastar-me das lindas folhas oblongas e acetinadas.Então, pensei:vou dar-lhe o nome de Máximo, pois meu avô ,paraibano,  trovador, cordelista e jornalista, repentista sonetista, que ensinou-me a metrificar e amar a poesia ainda no seu colo, não obstante árvore do gênero feminino na gramática, mas comum dos dois na espécie,Cedro sempre vai lembrar-me o gênero masculino.
Desejei muita sorte ao meu cedro-que cresça o máximo, seja o máximo-sobrenome de vovô, Luiz Máximo de Araújo  -pensei . 
Depois de curtir a árvore que me escolheu, fui circular e quando Jacqueline Aisenman foi batizar a sua, ela disse-me;-Terezinha, o nome de minha mãe.
Fiquei literalmente arrepiada .Claro que o prenome da santinha de Lisieux é muito comum, mas eu, que vivo na memória e no imaginário, escritora que sou, logo pensei : -Mamãe, que adorava o pai, deu-lhe lugar.
E assim , toda vez que for ao jardim de nós,Poetas, no CC Lagoa do nado, vou acarinhar essas duas árvores:pela amiga distante, em outro país, Jacqueline Aisenmar e cultura o nome materno de ambas, e o d e vovô, meu mago iniciador que revelou-me a POIESIS, como soi ser, com autoria, orgulho e alegria ::Terezinha e Máximo.

Mais tarde, já em casa, li um texto maravilhoso, em Varal Antológico  2 de Jaqueline Aisenman ,denominado Pintura Ingênua, onde ela abre ao leitor o grande amor por seu pai  ("Meu pai, sentado na cozinha, palpitava a vida, dava palpites em tudo"), onde a mãe amada entreaparece, figura de fundo e de palco ,indispensável( "Ou ia pelos braços queridos de minha mãe,braços cheios de alma") .

Realmente , esse plantio para mim, transcendeu os objetivos lindos desse jardim de árvores: permitiu-me a sagrada memória familiar vir bailar conosco por entre as mudinhas esperançosas...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
(A Jacqueline Aisenman, agradecendo o convite para ser e estar em Varal Antológico 2:alegria e honra).


Jacqueline, vendo nossos livros.Nas mãos, Sais-de Rogerio Salgado.Na pilha, meu Asas de Água e Nós, de Rodrigo Starling-entre outros.




Exemplaresde Varal Antológico- antologia coordenada por Jacqueline Aisenman





Café com Letras é da ALTO, em teófilo otoni e Lírios sem Delírios, meu livro mais recente (selo aBrace).
Revistas internacionais aBrace



Convite para o evento em Brumadinho 


Crédito das fotos acima :Clevane Pessoa 

SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA DE JUNHO/2012 NO AR



O Grupo Literário A ILHA e as Edições A ILHA acabam de colocar no ar, no seu portal PROSA, POESIA & CIA., em Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br a nova edição da sua revista, o Suplemento Literário A ILHA.
A edição 121, de jUNHO de 2012, traz assuntos como "A Feira do Livro de Florianópolis", "Biblioteca Pública de SC: 158 anos", "LITERANOITE e Noite da Poesia em São José", "Prêmio Literário para Júlio de Queiroz", "Lançada a antologia Varal do Brasil II",  "Grupo A ILHA completa 32 anos de literatura" e muito mais crônicas, contos e poemas e mais informação  literária e cultural. (No portao Prosa, Poesia & Cia., na página da revista, há a versão impressa da mesma, em pdf).
No portal, ainda, a revista eletrônica Literarte, com muito mais prosa e poesia e informação literária e cultural, além de diversas seções, como as antologias "todos os Poetas", "O tema do Poema", "Feira de Contos" e outras.

Visite o Portal PROSA, POESIA & CIA.
do Grupo Literário A ILHA, em
Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br  
Lá está a revista Suplemento Literário A ILHA,
edição 120 de Março/2012, com muita prosa e poesia e muita informação literária e cultural.
E a revista eletrônica Literarte, com mais poemas e crônicas e muito mais informação.
Além de  dezenas de seções como Grandes Mestres da Poesia, Autores de SC, Literatura Infantil, antologias
como Todos os Poetas, O Tema do Poema,
Feira de Contos, Crônica da Semana, etc.
Saiu o número 5 da revista Mirandum, da Confraria de Quintana.


Prêmio Nósside/UNESCO de poesia - Inscricões até 20/06 - Participem! Divulguem!


AS INSCRIÇÕES PARA

O XXVIII PRÊMIO MUNDIAL DE POESIA NÓSSIDE SE ENCERRAM

NO DIA 20 DE JUNHO DE 2012


Pode-se participar enviando por e-mail a


a Ficha de Inscrição preenchida e uma só poesia

- inédita e jamais premiada -

com menos de 50 versos, em uma das línguas oficiais

(italiano, espanhol, inglês, português e francês)

ou em qualquer outra língua do mundo

desde que acompanhada da versão em uma das cinco línguas oficiais -

depois de ter lido e aprovado o Regulamento de 2012.

A Poesia poderá ser escrita, em vídeo ou em música (canção).

O Regulamento e a Ficha de Inscrição encontram-se no site


ou solicitados para a secretaria do Nósside,



PARTICIPE. APOIE.DIVULGUE.
A CULTURA É UM BOM NEGOCIO.

Rosalie Gallo y Sanches
Secretária do Nosside para o Brasil




Crônica da Urda


CONVERSANDO COM MINHA MÃE II
-         ELINORA

(Para Sérgio de Azeredo Coutinho, um primo quase desconhecido)

Sabe, mãe? De novo é um assunto com quem não tenho com quem conversar. Foi a Elinora. Ela partiu hoje, e eu estou chorando. Estavam lá os filhos do tio Júlio, mas depois cada um foi para a sua casa e não há mais ninguém que se interessaria em ouvir falar de uma velha prima que esteve sempre por perto na minha vida. Eles também estavam tristes e tinham coisas para contar, como, por exemplo, os Rollmops que a Elinora dava ao Afonso a cada aniversário, ano após ano. O aniversário do Afonso é a 21 de dezembro, eu lembro, mas nunca imaginei que a Elinora fizesse Rollmops para ele. Aquele jeito dela, simples, delicado, elegante e cheio de vida era bem um jeito de quem fazia coisas assim.
A Elinora esteve na minha vida desde muito cedo. Era ainda no tempo da casa da rua Amazonas, perto do Cine Garcia, a casa da tia Paula North, irmã do tio Júlio Klueger. Nem sei que idade eu tinha, mas era muito pequena. A gente ia lá na tia Paula para ganhar carambolas, pois, ao menos na minha lembrança, a casa era rodeada de pés de carambola. A mãe lembra como depois fazia compota com as estrelinhas translúcidas das carambolas, naqueles vidros que fechavam com borrachinhas? Era aquela a sobremesa dos dias em que havia visita! Pois naquele tempo a Eleonora era uma moça um pouco pálida, delgada e bem humorada, que usava elegantes vestidos claros que ela mesma costurava e que sempre era simpática comigo, uma criança que ficava um pouco acanhada diante da tia Paula.
Um dia, penso que na altura em que eu estava para entrar na escola, a Elinora mandou convidar para a inauguração da nova casa dela, no bairro Ponta Aguda, e fomos lá, e tudo era tão bonito e tão chique! Era uma tarde de festa; a casa estava lotada e todos comentavam sobre o grande bom gosto da Elinora ao fazer aquela casa moderna. Era final de tarde quando voltávamos para o centro de Blumenau, e a mãe se lembra como as ruas que hoje chamamos de República Argentina e Avenida Brasil eram dois carreiros de terra cheias de capim, e onde os dois carreiros se cruzavam, um punhado de galinhas ciscava despreocupadamente enquanto o seu galo cantava? Quanto tempo, quanto tempo...
Então, não sei os detalhes, a Elinora se apaixonou pelo João Coutinho e nem tomou conhecimento das críticas étnicas que rolaram aqui e ali – como é que uma North, neta de Klueger, ia casar-se com um “brasileiro”? Eu sabia muito bem na pele como eram essas críticas étnicas, já que meu pai também se casara com uma “brasileira”, né, mãe? Nem vale a pena começar a falar aqui sobre tal assunto, tamanha a ignorância que abrange – sei que a Elinora casou com o João Coutinho e foi feliz, e teve o Sérgio, o único filho, que eu só tinha visto uma vez, quando ele era criança. A mãe chegou a conhecer o Sérgio?
Conforme eu fui conhecendo o João, fui gostando cada vez mais dele, talvez pelo nosso gosto comum pela História.  O João teve o cuidado de pesquisar cuidadosamente quem tinham sido os 32 tataravôs do seu filho Sérgio, para lhe deixar a informação como herança. E eu embarquei na pesquisa dele, e muita coisa que sei hoje sobre minha própria família vem da pesquisa do João. Conforme fui aprendendo História fui entendendo quem era aquele “brasileiro”: João se chamava Azeredo Coutinho, vinha de uma das mais antigas famílias do país – quanto tempo perdido com frissons étnicos, a mãe que o diga!
E sempre estava presente a Elinora, corajosa, doce e meiga, tendo a coragem de viver a vida do jeito que gostava – não consigo imaginá-la pensando essa coisa tão comum de “o que é que os vizinhos vão dizer?”!
Nem sei tudo onde estava a Elinora: havia visitas esporádicas de cá e de lá – foi numa destas que vi o Sérgio menino. Penso que a gente ia na casa dela, também, para ver a tia Paula – e ela e o João apareciam lá na praia, quando nos mudamos para lá.
E a vida passou. Nos últimos anos, estive mais perto da Elinora do que antes. Houve as festas da família Klueger e, provavelmente, o meu próprio amadurecimento. Lembro quando, há seis anos atrás, fui votar e encontrei a Elinora fazendo a mesma coisa. Encontramo-nos na Rua XV, e ela me disse que já estava chegando aos 80 anos, o que me deixou pasma: nunca percebera que ela mudara em alguma coisa, e é claro que não mudara mesmo: piscou um olho para sussurrar-me o nome do candidato em que votara. Linda e maravilhosa Elinora, sempre na vanguarda do seu tempo, talvez a pessoa que eu quisesse ser.
Depois das Águas de 2008, um dia conversei muito com a Elinora na Ponta Aguda. Foi uma conversa comprida, como se tivéssemos a mesma idade, e devia ser isso mesmo, já que ela nunca envelheceu. Uma das coisas que me contou foi que provavelmente uma pequena aranha se escondera dentro da sua luva de jardinagem e a mordeu, causando-lhe cansativos e doloridos dissabores de saúde.
Duas semanas atrás, num sábado de manhã, passei pela casa da Elinora com meu cachorro, e pensei em bater, conversar um pouquinho, mas não o fiz. Fico com muita pena, agora.
Sabe, mãe, hoje, lá no velório, transido de dor, estava o Sérgio, esse primo quase desconhecido. Se o encontrasse na rua, não saberia que era ele. Tinha feito as contas no caminho: o filho da Elinora e do João já deveria ter mais de 40 anos. A vida tinha voado para nós todos. E aquele Sério estava lá, tão cheio de dor que compreendi a grande mãe que a Elinora tinha sido. Fiquei a observá-lo de longe, a ver como ele se parecia com o pai dele, e ao mesmo tempo, como ele se parece com o primo Daltro Klueger, filho do tio Victor.
Despedimo-nos da Elinora debaixo de uma chuva de inverno e meu coração estava partido pela saudade antecipada dela e pela intensidade da dor daquele filho que ela teve com o João e a quem deve ter amado tanto! A dor dele era como que um punhal no meu peito.
Era isto que eu queria contar para a mãe. Quem mais se interessaria em saber de tais coisas, em me ouvir lembrar das carambolas da casa da tia Paula, de como encontrara a Elinora voltando da eleição como uma mocinha, enquanto já beirava os oitenta anos e tudo o mais?
Agora a Elinora partiu, mãe. Outro dia a gente conversa mais.


                            Blumenau, 10 de junho de 2012.

Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR

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