mardi 17 avril 2012

Corrupção: crime contra a sociedade

                                                      Leonardo Boff*

Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69% lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, vale dizer, considerada com um dado natural, é atacada só posteriormente quando já ocorreu e tiver atingido  muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade. Os dados são estarrecedores: segundo a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Se esse montante fosse aplicado na saúde subiriam em 89% o número de leitos nos hospitais; se na educação, poder-se-iam abrir 16 milhões de novas vagas nas escolas; se na construção civil,  poder-se-iam construir 1,5 milhões de casas.
         Só estes dados denunciam a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Se vivessem na China muitos corruptos acabariam na forca por crime contra a economia popular. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com o contraventor Carlinhos Cachoeira que para garantir seus negócios infiltrou-se corrompendo gente do mundo político, policial e até governamental. Mas não adianta rir nem chorar. Importa compreender este perverso processo criminoso.
         Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original,  expressão que não consta na Bíblia mas foi criada por Santo Agostinho no ano 416 numa troca de cartas com São Jerônimo, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor)  rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra  idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer:“somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Ela não é fatal. Pode ser controlada e superada, senão segue sua tendência.
         Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.
         A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimento ilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu  origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.
         A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse  sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus  interesses sem pensar no bem comum. Há um neopatrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguados políticos.
         Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos  de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois  a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista. Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção  já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.
         A cultural: A cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer:  quanto mais desigual e injusto é um Estado e ainda por cima centralizado e burocratizado como o nosso, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.
         Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico  Lord Acton (1843-1902): ”o poder  tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava:”meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.
         Por que isso? Hobbes  no seu Leviatã (1651)  nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”. Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade  a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá  possa ainda ser resgatado.
         Como combater a corrupção? Pela transparência total, por uma democracia ativa que controla a aplicação dos dinheiros públicos, por uma justiça isenta e incorruptível, pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. Mais que tudo, lutar por um outro tipo de democracia menos desigual e injusta que a persistir como está, será sempre corrupta, corruptível  e corruptora.

*teólogo, filósofo e escritor

A saga de uma mulher em busca da liberdade

Cláudia Carvalho lança na Livraria Cultura, em São Paulo, no dia 26 de abril, o livro “Mulher Brasileira Procura”



A escritora Cláudia Carvalho lança, no dia 26 de abril, em São Paulo, o livro Mulher Brasileira Procura, um relato autobiográfico em que a autora narra seu processo de transformação, iniciado a partir do momento em que o marido a troca pela amante. A obra trata com leveza e bom humor a viagem de autodescoberta da autora, permeando aspectos existenciais como morte, vida, sexualidade e espiritualidade. Casada, mãe de três filhos e estabilizada financeiramente, Cláudia conta como a traição a pegou desprevinida e como, de uma hora para outra, seu mundo se desmoronou. Aos poucos, consegue reunir forças para juntar os cacos, redefinir seus valores e dar a volta por cima.

O livro retrata uma mulher corajosa, incapaz de ceder mesmo quando as circunstâncias se mostram adversas. Cláudia está determinada a reconstruir sua vida, encontrar um novo amor e, para isso, mergulha fundo na busca pela renovação. O primeiro passo é participar dos sites de relacionamentos na Internet, quando parte em aventuras pelo mundo, enfrentando perigos e surpresas. Empresária, fluente em quatro idiomas e dona de grande erudição, ela prefere manter contatos com homens europeus, na esperança de encontrar um parceiro sem o ranço machista que identifica nos latino-americanos.

É a partir daí que Mulher Brasileira Procura revela uma escritora versátil, com uma incrível capacidade para contar histórias e descrever as pessoas que entram em sua vida. Com vivacidade e fluidez, Cláudia relembra as peripécias que viveu na Suécia, Finlândia, França, Alemanha, Inglaterra e Itália com homens de personalidades e tipos físicos totalmente diferentes. A única coisa que seus namorados parecem ter em comum é a solidão. Para conquistá-la, eles se esforçam em provar que são mais do que aparentam ser. Curiosamente, é em Jericoacoara, praia no interior do Ceará – longe dos caros e sofisticados hotéis e restaurantes europeus – que ela encontra seu par.

Mulher Brasileira Procura é uma narrativa em que a autora não economiza nenhum fato e nenhuma emoção ao relatar suas aventuras amorosas. Num plano paralelo, Cláudia enfrenta um drama com a qual convivia há 35 anos: a morte da irmã num acidente de automóvel e sua possível culpa. Com sensibilidade e delicadeza, ela põe o dedo na ferida e relembra o acontecimento, transformando o leitor numa testemunha da tragédia e da sua superação. São momentos de intensa emoção, em que a dor da perda, gigantesca e imensurável, marcam profundamente a autora. É impossível ficar indiferente.

Lançado em outubro em Fortaleza e em março, no Rio de Janeiro, onde já está à venda em algumas livrarias, Mulher Brasileira Procura é sucesso de crítica e de público. Para ler a opinião dos leitores e saber mais sobre o livro, integre-se ao grupo do Facebook, “Mulher brasileira procura”, no link http://www.facebook.com/groups/207347032664991/.


Sobre a autora
Empresária cearense na área de Saúde Corporativa, Cláudia Carvalho divide seu tempo entre os negócios e a arte. Bailarina por vocação, dançou por muitos anos balé contemporâneo nos palcos do Rio de Janeiro, cidade em que morou na década de 80. Seu primeiro livro, Alma Dançarina, lançado em 1990, é uma prova de sua paixão pela dança. Em Fortaleza, onde reside atualmente, Cláudia costuma dar palestras sobre temas relacionados à saúde, estresse, obesidade e sexualidade feminina. Integrante da Rede de Escritoras Brasileiras (Rebra), sediada em São Paulo, e do Grupo de Escritores Varal do Brasil, sediado na Suíça, ela dedica-se atualmente à tradução para o francês de Mulher Brasileira Procura. Cláudia é graduada em Educação Física.


Para a sua agenda
Data: 26 de abril de 2012
Horário: 18h30 às 21h30
Local: Livraria Cultura - Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073 – São Paulo - SP
Tel.:  (11) 3170-4033     

Em Genebra (Suíça) o livro estará no Salão Internacional do Livro de 25 a 29 de abril no stand da Livraria Varal do Brail (K1324)  



INFORMAÇÃO CEBRAC DE ZURIQUE: Palestra Ação - Quinta-feira, 19 de Abril, 19 horas

Dia do Índio de batalhas

Hoje em dia no Brasil é muito difícil dizer quem realmente é índio, aquela idéia do indo ser sossegado, largado na rede, aceitando os desígnios divinos já terminou.
Por muito tempo os indígenas de todos os continentes foram explorados, usurpados e até escravizados, na invasão do Brasil pelos portugueses eles tomaram a causa do desenvolvimento e da religiosidade para poder dominar, mesmo método que todos os outros colonizadores fazem há séculos.
Justamente quando se comemora o dia do índio, estoura uma revolta no sul do Estado da Bahia, onde os verdadeiros nativos reclamam a posse de inúmeras fazendas, têm algumas delas com mais de oitenta anos na posse da mesma família por gerações, que estão sendo retomadas pelos silvícolas.
O Ministro do Supremo ficou de decidir como fica a questão, contudo ninguém nunca vai sair satisfeito, os índios que antes eram a maioria no nosso país querem recuperar o que foi tomado, contudo grandes latifúndios  certamente não poderão ficar em poder de tão poucos nativos, pois não iria demorar esse domínio, de alguma forma retornaria ao poder de outros “brancos” ou seria explorada irregularmente, como é o caso de várias terras indígenas nesse nosso imenso país, onde no papel os indígenas dominam, contudo na verdade o precioso solo virou caminho de pedágio, pontos de explorações minerais, vegetais ou até “campo de estudo” da nossa fauna, onde nossos espécimes são de fato levados para serem estudados, plantados e  utilizados no exterior .


Marcelo de Oliveira Souza


Marcelo de Oliveira Souza
Escritor Filiado À Ube – Cappaz - ACLAC - Poetas del Mundo
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