samedi 14 avril 2012

Renda-se a “O Artista” (The Artist) - O filme mudo que me deixou sem palavras (pelo menos até agora...)

Por Vanessa Clasen, jornalista e escritora

Li numa critica que esse filme é uma declaração de amor ao cinema, eu concordo e assino embaixo e pessoalmente acredito que ele seja ainda mais, ele é uma declaração de amor àqueles que amam a arte, um tributo ao amor e um alívio incomensurável a quem está cansado de assistir Blockbusters... Está certo, tem horas que os filmes hollywoodianos arrasa-quarteirão são necessários, mas quantas vezes já desejamos, talvez secretamente, com medo que de alguém nos censurasse pela audácia de somente sugerir um filme antigo para assistir com os amigos e com a família, desses em preto e branco, gastos e lindos? Mas como concorrer com os filmes de ultima geração em Blu-Ray e 3D? Seria um massacre, pensamos, mas então eis que surge uma luz, direto do coração da máquina francesa fazedora de filmes Cult, e ela não vem acompanhada de uma brisa suave e refrescante, e sim, de um tornado extraordinário de sensações incríveis e apaixonantes, a leveza e comicidade inocentes do cinema antigo com a força do enredo rápido e arrebatador do cinema moderno... sim, “The Artist” é tudo isso e mais um pouco! Confesso que fui assistir a esse filme por indicação de um amigo que apaixonado incondicionalmente pela película muda o viu três vezes. Meu amigo supracitado estava curioso acerca da minha reação ao filme e quando ele me questionou o que eu estava sentindo após assistir a película respondi com a única palavra que veio na mente naquele instante: “apaixonada”! E foi exatamente isso que o filme fez comigo. É como um novo romance, você tem algumas expectativas, porém, por conta de erros passados você não se entrega totalmente, você resiste, luta para provar para você mesmo que você é forte, e que não vai cometer o mesmo erro de novo e o tempo vai passando, coincidências adoráveis vão acontecendo, conversas ao pé do ouvido, músicas cheias de significado e você sem sentir já está completa e totalmente arrebatado até vir o tiro de misericórdia e você decide sem sombra de dúvida se render, sem medo e sem culpa, a esse amor... E, para mim esse tiro de misericórdia veio quando a palavra “BANG” apareceu na tela e meus olhos outrora embargados renderam-se finalmente e eu chorei sem vergonha nem culpa completamente aberta a essa nova experiência sensorial cinematográfica em plenos anos 2012! Meu amigo disse que para ele a cena mais tocante aconteceu antes disso, quando George Valentin, magistralmente interpretado por Jean Dujardin, agarrou-se firmemente a película de filme que havia feito com Peppy Miller, vivida pela não menos talentosa Bérénice Bejo! E eu confesso que meus olhos se embargaram a partir daí, mas que a principio me veio à mente que ele não sabia que esta película poupada era o filme que ele tinha feito com ela, que ele tão somente salvara o único filme que havia sobrado em sua casa... Mas meu amigo me convenceu que o mocinho sabia que era o filme que fez com a mocinha e pelo bem da nossa amizade e pelo bem do meu amor ao cinema eu me deixei convencer, e este fato acabou por perder a importância, em vista dos subseqüentes dramáticos acontecimentos do filme. Amei a forma como o filme mostrou a decadência dele em cenas como a que o mocinho está conversando com a mocinha na escada do estúdio e ela esta orgulhosa a lhe contar seus feitos e ele desolado porque acabara de saber que os filmes mudos tinham acabado, mas orgulhoso queria manter as aparências, e ela está acima da tela e ele abaixo! Magnífico como um filme mudo conseguiu penetrar com tanto realismo na alma dos personagens e mostrar esse enorme abismo de emoções em que havia entre os protagonistas... Outra grande sacada foi mostrar um close nas pessoas pisando no cartaz do filme do mocinho na rua após o flagrante fracasso do mesmo numa tentativa do protagonista de reerguer o cinema mudo. Toda essa sensibilidade atrelada ao desempenho maravilhoso dos atores Jean Dujardin e Bérénice Bejo tornou essa experiência de assistir ao filme uma delicia de sensações. É um filme Cult sim, intelectual, no entanto, é também ingênuo e despretensioso o que o torna um must watch do cinema moderno! Com o filme vieram a minha mente desejos passados colocados temporariamente naquela velha e escondida caixa que todos temos na mente chamada “recordações”, e esse filme abriu a minha Caixa de Pandora, todavia ao contrário da lenda só saíram coisas boas, amáveis lembranças de filmes que me fizeram rir e chorar como o italiano “A vida é bela”, quando o personagem de Roberto Benigni dizia todas as manhãs para a esposa “Buon giorno principessa” e de que como era reanimador ouvir aquilo em meio ao horror da guerra; dos filmes do Chaplin, porque é impossível assistir a “The Artist” sem relembrar o grande mestre do cinema mudo; do filme “E o Vento Levou...” e de Rhett Butler (Clark Gable) dizendo para a Scarlett O'Hara (Vivian Leigh), a frase mais famosa do cinema de todos os tempos segundo lista do American Film Institute (AFI): "Frankly, my dear, I don't give a damn" ("Francamente, minha querida, não estou nem aí"); das belas canções de amor como Bella Notte, do inesquecível desenho Disney, A Dama e o Vagabundo  (Lady and the Tramp): 


Oh this is the night, it's a beautiful night
Oh esta é a noite, é uma bela noite
And we call it bella notte
E nós a chamamos bella notte
Look at the skies, they have stars in their eyes
Olhe para o céu, eles têm estrelas em seus olhos
On this lovely bella notte.
Nesta bela bella notte.
Side by side with your loved one,
Lado a lado com o seu amado,
You'll find enchantment here.
Você vai encontrar aqui encantamento.
The night will weave its magic spell,
A noite vai tecer a sua magia,
When the one you love is near!
Quando a pessoa que você ama está perto!
Oh this is the night, and the heavens are right!
Oh esta é a noite, e os céus estão certos!
On this lovely bella notte!
Nesta bela bella notte!

É, não é toa que “The Artist” ganhou o Óscar de melhor filme este ano e o de melhor guarda-roupa dentre outros... Ele é um oásis no deserto cinematográfico dos filmes de massa e nem que seja para reviver por alguns minutos a glória do cinema mudo; para dar boas risadas com a esperteza do cachorro Uggie responsável pela parte cômica do filme; para apreciar o figurino inspirador dos personagens, e os chapéus de Bérénice Bejo, que diga-se de passagem, são um capítulo a parte, e sentir-se completa e adoravelmente fora de época, vale a pena assistir, no cinema de preferência, para reviver o gostinho da Belle Époque e tudo que ela tinha de melhor,  dentre outras coisas: a inocência do amor...
                
O Artista (The Artist) – ÓSCAR 2012
Lista dos prêmios recebidos pelo filme na 84ª edição dos Óscar, em Los Angeles, Califórnia.
Melhor filme: "The Artist"
Melhor Realização: Michel Hazanavicius ("The Artist")
Melhor ator: Jean Dujardin ("The Artist")
Melhor guarda-roupa: "The Artist" - Mark Bridge
Melhor banda sonora original: "The Artist" - Ludovic Bource
Ficha técnica do filme:
Diretor: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, Malcolm McDowell, John Goodman, Penelope Ann Miller, James Cromwell, Missi Pyle, Joel Murray, Beth Grant, Ed Lauter, Beau Nelson, Ben Kurland e o cachorro Uggie, que roubou a cena noa entrega do globo de ouro ao filme.
Personagens: George Valentin, Peppy Miller
Roteiro: Michel Hazanavicius
Estúdio: La Classe Américaine, uFilm, JD Prod, France 3 Cinéma, La Petite Reine, Studio 37
Produção: Thomas Langmann, Emmanuel Montamat
Fotografia: Guillaume Schiffman
Trilha: Ludovic Bource
Duração: 100 minutos
Ano: 2011
País: França
Gênero: Romance / Comédia / Drama
Cor: preto e branco
Classificação: 12 anos

FRAGMENTOS E FRASES

(NOVAS CARTAS BAIANAS)

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

“QUEM FALA DE MIM NA MINHA AUSÊNCIA É PORQUE RESPEITA A MINHA PRESENÇA”

                                 (Bob Marley)

“A ida de Crivella para o Ministério da Pesca é o milagre da multiplicação, não dos peixes nem do seu pequeno PRB, mas da influência do setor evangélico no governo ‘laico.”

(Chico Alencar )

É muito triste perceber que alguém que se passava como Catão ou arauto da moralidade, usar o instituto do “’habeas corpus”, não para negar seu envolvimento com a corrupção, mas _ utilizando tecnicismos jurídicos –, desejar anulas as provas colhidas pela Polícia Federal.

(Deste escriba)

“O lugar da poesia/é onde possa inquietar.”

(Lindolf Bell – poeta catarinense)

“Se não for pela poesia, como crer na eternidade?”

(Alphonsus de Guimaraens Filho – poeta mineiro)



“Realmente, somos livres para assistir ao que queremos, e gosto não se discute. Uns preferem assistiras lutas de MMA, outros gostam de BBB. E ainda os que apreciam os amistosos da seleção brasileira.”

(De um leitor)

“O ministro da Educação (observação: Aloizio Mercadante, um homem de palavra!) tem razão ao dizer que os alunos são do século 21 e os professores do século 20. Acrescendo, ainda, que os salários dos mestres são do século 19 e os políticos da Idade da Pedra.”

(De outro leitor)

“No fim, se você fez algo (interferência estética no rosto), dá para ver. Aquilo não me enche de admiração, me enche de dó.”
Cate Blanchette – atriz)

Em 2012, a previsão de gastos no Brasil com incentivos fiscais é de R$146 bilhões.

Desse valor, aproximadamente 1% será destinado à cultura.

(Deste redator)

O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou relatório nas obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014. O sobrepreço nas contas do Maracanã já chegou a R$163 milhões.

(Idem)

“Nossa Guia (observação: para quem sabe, o nosso Pequeno Napoleão, também conhecido por Lula) telefonou para o empresário Elke Batista, solidarizando-se com o seu filho, aperreado pelo episódio em que atropelou o ciclista Wanderson Pereira dos Santos. Ao tempo em que ele rodava o programa Lula 1.0, teria ligado também para a família de Wainderson, que morreu.”

(Elio Gaspari)

É preciso que toda a chamada sociedade civil se mobilize para não deixar que prescreva o processo do Mensalão – que está no STF.

(Apelo deste escriba)

E dando os trâmites por findos, parodio Antônio Gramsci: É preciso manter o pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade.

(Salvador, abril de2012)

PAI POBRE

Nazaré, Ba 17-07-2011

Pai,
Que sem ter chance
De educar e aculturar seus filhos,
Sai pelas quebradas da vida
Em busca do Estado corrupto
Que lhe nega todas as saídas
E não lhe dá uma guarida.

Pai,
Que por não ser competitivo nem globalizado,
Sai em busca de qualquer coisa
Para matar a fome dos filhos
Que serão a sua cópia, amanhã.

Pai,
Que de volta para o barraco
Vê seus filhos a gritarem de fome.
São as vítimas de um sistema criminoso
Que excluem negros e pobres
Até a extinção.

Pai,
Que só tem uma opção:
Aliar-se ao tráfico de drogas
Que alimenta o capitalismo
E praticado pelos detentores do capital
Sem sujar suas mãos brancas.

Pai,
Que já começou a ganhar dinheiro.
É pouco, mas dá.

Pai,                                                                                                          
Que vai ser encontrado morto heroicamente,
Numa periferia qualquer,
Desse país que nunca foi seu,
Depois de ser perseguido
Por polícia e bandido,
Ambos agindo em conjunto
Para não quebrar o sistema.

Pai,
Negro, foragido e criminoso.
Filhos pobres, novamente
Por causa da droga de comer,
Por causa da droga de beber,
Por causa da droga de aspirar,
Por causa da droga de atirar,
Por causa da droga de democracia.

Louvemos o socialismo.




POESIA DE GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA

Sábado, 14 de Abril de 2012 - Oficina de Percussão

Crônica da Urda - Flanando por Cusco com o Lobo Solitário



(Excertos do Livro "Viagem ao Umbigo do Mundo", publicado em 2006) 


Na tarde do outro dia é que senti, afinal, o peso da altitude naquela cidade fascinante. Aquele fora declarado um dia livre: estavam a chegar ao hotel harleyros de todos os lados da América – afinal, tínhamos ido até lá para o Segundo Encontro Intercontinental de Motociclismo! Aos poucos, cada vez mais se viam botas negras e camisetas e jaquetas das Harley-Davidson pelos corredores e salões do hotel, e as delegações que chegavam eram recebidas com grandes efusões de amizade pelos meus amigos, pois se tratavam de pessoas que eles conheciam de outras viagens, de outras aventuras – e estava chegando gente da Argentina, do Chile, do Equador, de Lima – até um rapaz todo vermelhão apareceu vindo desde os Estados Unidos! Ninguém fizera viagem curta, nem mesmo os limeños, mas o estadunidense é quem vinha de mais longe. Fiquei a pensar em como ele atravessara toda a América Central, a Colômbia, grande parte do Peru ... mas mesmo assim também pensei: teria ele votado em Bush? Como não falo inglês ficou tudo mais fácil, não tinha mesmo como fazer perguntas ao Vermelhão.
                                               Quem não conhecia ninguém novo ali era eu e o Lobo Solitário. O Lobo estava meio sem saber o que fazer, e então eu decidi:
                                               - Vem comigo, Lobo! Vamos conhecer Cusco                                                                    Sei que é muita pretensão achar que se possa conhecer Cusco num dia, mas fomos fazer o que dava. E com o Lobo saí passeando por todo aquele dia, fazendo bem um programa de turista, indo desde a Praça de Armas até o Templo do Sol, e desde as igrejas barrocas até a uma comida esmerada num restaurante pertinho da praça, ao meio dia. Vou me omitir de descrever os inúmeros detalhes maravilhosos de Cusco tanto porque é impossível contar tudo, quanto porque já fiz muitas descrições a respeito deles em outro livro meu, chamado “Entre condores e lhamas”[1][1]. Tenham certeza os leitores que nunca lá estiveram, no entanto, que aquele é um lugar único e imperdível – se alguém chegasse para mim agora e me dissesse: “Olha, está aqui uma passagem de graça para tu ires a Paris, com todas as mordomias, por um mês inteiro”, eu pensaria bem umas dez vezes se quereria mesmo ir de novo a Paris. Mas se alguém me oferecesse uma ida a Cusco já para o dia seguinte, fosse do jeito que fosse, com certeza eu iria correndo fazer as malas! Se você ainda não foi lá, espero que um dia possa ir, e tirar a limpo o que foi esta nossa América no passado!
                                                                                              Então, naquele dia, eu e o Lobo Solitário andamos tanto, mas tanto por Cusco, e aconteceram coisas tão insólitas, como uma família inteira dentro de um templo, vestida como os antigos Incas, com grande pompa e fausto, a tirar fotos com o Lobo (eles cobravam alguma coisa para tirar tais fotos, claro! Aquela é uma cidade turística, afinal!), que de tardinha estávamos mortos de cansados, com a altitude a nos mostrar direitinho quais eram nossos limites. Cheguei ao hotel estourada; sequer fui à abertura do Encontro de Motociclismo, que aconteceu naquela noite com uma recepção em Sachsayuhaman toda iluminada, com a presença, inclusive, do alcaide de Cusco. Deve ter sido coisa rápida, só fotos e discursos de boas vindas, pois logo as Harleys estavam de volta.

Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR


[1][1] Editora Hemisfério Sul, Blumenau/SC.

Programa Debates Culturais de sábado, dia 14 de abril de 2012

Aviso aos meus amigos que sábado, dia 14 de abril, o programa Debates Culturais terá, além de mim, Alessandro Lyra Braga, as presenças da coordenadora da Equipe Resgato – sociedade civil pelos direitos dos animais, Marli Moraesda atriz e audiodescritora, Graciela Pozzobon da Costa; da administradora de empresas e ativista em proteção aos animais, Dayse Perovano; do astrônomo, filósofo e palestrante, Benito Pepee, do idealizador e fundador da Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de MenesesEvando Santos.

Conversaremos sobre a técnica da audiodescrição de espetáculos teatrais, filmes e outras formas de comunicação. Debateremos ainda sobre os diversos tipos de linguagem utilizados atualmente na mídia. Estaremos lançando o programa Livro é vida e as cartilhas da vovó, veiculado exclusivamente no Youtube. Falaremos ainda sobre a crise política e administrativa que o município de Duque de Caxias atravessa, como salários atrasados, falta de coleta de lixo, e outros problemas mais.

O programa Debates Culturais é transmitido pela Rádio Boas Novas AM 1320 do Rio de Janeiro, todos os sábados, a partir das 14:00hs. Quem desejar participar por telefone com perguntas e/ou comentários, pode fazê-lo pelo telefone 2576-8484. Quem não puder ouvir nosso programa ao vivo, poderá ouvi-lo na íntegra, quando desejar, em nossa revista eletrônica http://www.debatesculturais.com.br, acessando, na barra azul de botões, a seção “Áudio dos Programas”

 
Acompanhem nosso Twitterhttp://twitter.com/debatescult!

A todos os meus amigos, um bom final de semana e espero que gostem do programa e dos artigos da revista!

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