mercredi 11 avril 2012

Como Deus emerge no processo evolucionário?

Leonardo Boff
Teólogo/Filósofo

            A nova cosmologia, derivada das ciências do universo, da Terra e da vida, vem formulada no arco da evoluçãoampliada. Esta evolução não é linear. Conhece paradas, recuos, avanços, destruições em massa e novas retomadas. Mas, olhando-se para trás,  o processo            mostra uma direção: para frente e para cima.

         Somos conscientes de querenomados  cientistas se recusam a aceitar uma direcionalidade do universo. Ele seria simplesmente sem sentido. Outros, cito apenas um, como o conhecido físico da Grã-Bretanha Freeman Dyson que afirma:”Quanto mais examino o universo e estudo os detalhes de sua arquitetura, tanto mais evidências encontro de que ele, de alguma maneira, devia ter sabido que estávamos a caminho”.  
       
De fato, olhando retrospectivamente o processso evolucionário que já possui 13,7 bilhõs de anos, não podemos negar que houve uma escalada ascendente: a energia virou matéria, a matéria se carregou de informações, o caos destrutivo se fez generativo, o simples se complexificou, e de um ser complexo surgiu a vida e da vida a consciência. Há um propósito que não pode ser negado. Efetivamente, se as coisas em seus mínimos detalhes, não tivessem ocorrido, como ocorreram, nós humanos não estaríamos aqui para falar destas coisas.
            Escreveu com razão o conhecido matemático e físico Stephen Hawking em seu livro Uma nova história do tempo (2005):”tudo no universo precisou de um ajuste muito fino para possibilitar  o desenvolvimento da vida; por exemplo, se acarga elétrica do elétron tivesse sido apenas ligeiramente diferente, teriadestruído o equilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas e, ou elas teriam sido incapazes de queimar o hidrogênio e o hélio, ou então não teriam explodido. De uma maneira ou de outra, a vida não poderia existir".
Como emerge Deus no processo cosmogênico? A ideia de Deus surge quando colocamos a questão: o que havia antes  do big-bang? Quem deu o impulso inicial? O nada? Mas do nada nunca vem  nada. Se apesar disso apareceram seres é sinal de que Alguém ou Algo os chamou à existência e os sustenta no ser.
O que podemos sensatamente dizer, é: antes do big bang existia o Incognscível e vigorava o Mistério. Sobre o Mistério e o  Incognoscível, por definição, não se pode dizer literalmente nada. Por sua natureza, eles são antes das palavras, das energia,da matéria, do espaço e do tempo.
 Ora, o  Mistério e o Incognoscível são  precisamente os nomes que as religiões e também o Cristianismo usam para significar aquilo que chamamos Deus. Diantedele mais vale o silêncio que a palavra. Não obstante, Ele pode ser  percebido pela razão reverente e sentido pelo coração como uma Presença que enche o universo e faz surgir em nós o sentimento de grandeza, de majestade, de respeito e de veneração.
Colocados entre o céu e a terra, vendo as miríades de estrelas, retemos a respiração e nos enchemos de reverência. Naturalmente nos surgem as perguntas: Quem fez tudo isso? Quem se esconde atrás da Via-Lactea? Como disse o grande rabino Abraham Heschel de Nova York: “Em nossos escritórios refrigerados ou entre quatro paredes brancas de uma sala de aula podemos dizer qualquer coisa e duvidar de tudo. Mas inseridos na complexidade da natureza e imbuidos de sua beleza, não podemos calar. É  impossível desprezar o irromper da aurora, ficar indiferentes diante do desabrochar de uma flor ou não quedar-se pasmados ao contemplar uma criançarecém-nascida”. Quase que espontaneamente dizemos: foi Deus  quem colocou tudo em marcha. É Ele aFonte originária e o Abismo alimentador de tudo.
Outra questão importante é esta: que Deus quer expressar com a criação? Responder a isso não é preocupação apenas da consciência religiosa, mas da própria ciência. Sirva de ilustração o já citada Stephen Hawking, em seu conhecido livro Breve história do tempo (1992): “Se encontrarmos a resposta  de por que nós e o universo existimos, teremos o triunfo definitivo da razão humana; porque, então, teremos atingido o conhecimento da mente de Deus”(p. 238). Até hoje os cientistas estão ainda  buscando o desígnio escondido de Deus.
A partir de uma perspectiva religiosa, suscintamente, podemos dizer: O sentido do universo e de nossa própria existência consciente parece residir no fato de podermos  ser o espelho no qual Deus mesmo se vê a si mesmo. Cria o universo como desbordamento de sua plenitude de ser, de bondade e de inteligência. Cria para fazer outros participarem de sua suberabundância. Cria o ser humano com consciência para que ele possa ouvir as mensagens que o universo nos quer comunicar, para que possa captar as histórias dos seres da criação, dos céus, dos mares, das florestas, dos animais e da próprio processo humano e religar tudo à Fonte originária de onde procedem.
O universo está ainda nascendo. A tendência  é acabar de nascer e mostrar as suas potencialidades escondidas. Por isso, a expansão significa também revelação. Quando tudo tiver se realizado, então se dará  a completa revelação do desígnio do Criador. 

Waccas in Reiki


Esse livro, escrito pela reikiana  Walkiria garcia, coim assessoria de Marcial Salaverry, além de explicar a historia e os passos do n, traz waccas-que são poemetos japoneses com metrificação específica.
Fui um dos autores convidados e estou nele, também meu filho Gabriel Pessoa e minha nora Karina Campos.
Se é reikiano ou gosta de reiki, gostará desse livro interativo sobre a energia curativa que perpassa pelas mãos de quem aplica- um mero instrumento, mas muito eficaz.

Abraço de

Clevane Pessoa 

Lurdinha, o filme

Eliane Tavares




Domingo. Fiz uma panelada de pipoca, enrosquei nos gatos e fui ver “Lurdinha: a vendedora de ilusões”, o filme produzido e dirigido por Cesar Cavalcanti. Queria vê-lo assim, sozinha de gentes, para ruminar saudades. Nunca esqueço quando cheguei à Florianópolis em fevereiro de 1987. Era uma segunda-feira, desembarquei na rodoviária, eu e minha velha mochila verde. Não conhecia qualquer alma nem sabia para onde ir. Busquei o posto telefônico e fiquei folheando as páginas amarelas. Pensei: hotel perto da rodoviária é sempre barato. Saí andando em busca dos tais. O primeiro que achei ficava bem em frente ao terminal e a diária era um pouco menos do que tudo o que eu trazia no bolso para passar até encontrar um emprego. Desisti.
Saí andando pela Conselheiro Mafra, onde, verifiquei, estavam os hotéis mais baratos. Foi quando eu a vi. Vinha pela rua com um vestido rosa pálido, gola alta, um cinto dourado, meias, sapatos pretos e o rosto tão maquiado que parecia uma boneca. Nos cabelos levava uma redinha. Era uma personagem. Não sei por que, mas a visão daquela mulher tão peculiar me deu força. Eu estava num lugar que tinha figuras assim, haveria de ser bom. Nunca esqueci a cena, quase cinematográfica. Ela, tão bem aparada e eu, uma “riponga” desorientada. Acabei ficando num daqueles hotéis mal afamados da Conselheiro. Não sabia que eram de alta frequência e, como sou distraída, demorei a notar. Logo fiz amizade com as moças e era um ritual ver passar a Lurdinha com sua caixinha de fósforos a fazer aquele barulhinho, chamando para o sonho da loteria.
Ver o filme de Cesar me trouxe aqueles dias de volta. O começo da vida por aqui, a descoberta desses seres tão únicos que são os moradores dessa ilha boa, a partilha amorosa das ruas com essas criaturas que são como a alma do centro da cidade. Lurdinha, a anã Catarina, o homem do megafone, a Margarida em frente à igreja, o velhinho em frente a lotérica, o pintor da Esquina Democrática, as mulheres guarani, o Uby, poeta que também já se foi. Cada um deles, um mundo, como o de Lurdinha, tão bem retratado pelo olhar sensível e Cesar e Janete (autores do roteiro).
Na fala daqueles que conviveram com Lurdinha foi brotando toda essa beleza que as figuras típicas de uma cidade vão espalhando com sua original existência. O desvelar daquela mulher que passava fazendo o ruído característico com a caixa de fósforos é o próprio desvelar de uma cidade que já está se perdendo. A Desterro daquele final dos anos 80 já não está mais. Cresceu demasiado, foi perdendo a identidade. Essa que aí está é outra, tem outra cara, outro sotaque. É bela ainda, é certo, mas, sinto que falta algo.
Não foi sem razão que o final do filme me encontrou em lágrimas. A saudade da Lurdinha é também a saudade de uma Desterro cheia de pureza, provinciana e pacata. Essa Desterro que vive em mim quando eu caminho pelas ruas arenosas do Campeche. A Desterro da Lurdinha é a cidade que a gente ainda evoca nas lutas do Plano Diretor, amorosa, terna, cintilante e amiga.
O filme é um cristal precioso, como tende a ser tudo aquilo que nos toca no ponto mais sensível da memória. Na trilha da vida daquela mulher sisuda e batalhadora eu pude me ver, guria ainda, buscando um lugar nessa cidade. Ela nunca soube, mas morava em mim como a primeira lembrança de estrangeira, espiando pelas ruas em busca de um olhar amigo. O som de sua caixinha anunciava que vida ‘invinha” (como se diz em Minas) e eu pude seguir meu caminho até onde estou.
Lurdinha é um poema e precisa ser visto por muitos mais. Nela, vive a cidade... a nossa cidade!!



Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre - www.iela.ufsc.br
Desacato - www.desacato.info
Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br

Lançamento Livro J. Estanislau Filho :: Crônica do Amor Virtual

Convite

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...