mercredi 14 mars 2012

SEM TRUQUES

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

                    Para meus irmãos

“Deus Meu! Em que século – ou em que mundo – me fizestes nascer!”
(São Policarpo – Bispo de Esmirna, mártir e discípulo de São João Evangelista)

Ouvindo “Quem Sabe” (Carlos Gomes), com Francisco Petrônio e Dilermando Reis
O século nasceu velho.
Sem truques – só magia –
aprendi a me despedir de tudo
– colecionador de funerais –
Eternizarei (palavra esculpida na pedra) quero eternizar o canto de um pássaro que agora (para sempre?) escuto?
É para isso que aqui estou.
 

Dor crônica no pescoço?
É porque você foi enforcado em outra encarnação – garantem alguns.
 

Exaltação, melancolia, espera – o Nada –, o Tempo queimando,
a Palavra tentando driblar a Dessacralização desta vida.
(Mercantis tempos.)
 

“Está te faltando humor” – berra um diabinho interior.
 

Mas a vela continua acesa.
 

Perdeu importância a literatura?
Ela já não sintoniza as consciências.
E há livros demais:
hierarquizar é preciso.
 

Na TV, a hiper-realidade  é tão perfeita
que toda experiência real parece sem graça.
Tudo é simulacro?
Não as Parcas.
Somos tão frágeis?
Somos tão fortes?
Ou não somos?
Poucos de nós não nasceram para o rebanho.
Envelhecemos, passamos, vai-se a carne – e O Espírito sopra onde quer.
A vida foi mais que nada.



(Brasília, março de 2012)

CRÔNICA DA URDA

MEU PRIMO CHARLES


                                   (Para Mário Charles Lindner, meu primo)
 

                                   No nosso pequeno mundo de crianças, Charles foi uma vidinha que aconteceu sem que percebêssemos, pois ainda era o tempo em que acreditávamos na Cegonha, e quando ele chegou, como era lindo, com seus grandes olhos azuis de longos cílios, copiados da mãe dele, a minha prima Synova!

                                   Eu já estava no segundo ano da escola, naquela altura, e quantas vezes, na volta para casa, fugi do meu itinerário para ir lá espiar o nenen da Synova, aquele menino de faces rosadas, bonito como um principezinho, envolto nas mantas brancas como o lembro, e que a Synova tratava com o desvelo de leoa. Diversas vezes levei bronca em casa por chegar atrasada, pois vivia indo lá espiar o Charles, que crescia como um querubim! Conforme ele passou a comer algo mais que leite, dentre as demais coisas que fazem um bebê crescer bem, Synova passou a lhe dar, todos os dias, uma maçã raspadinha a colher, e naquele tempo maçã era coisa cara, importada da Argentina, o que fazia com que certa ala mais velha da família achasse que aquilo era um desperdício – minha mãe era da turma do contra, da turma que achava que a mãe de Charles fazia muito bem em lhe dar todo o dia a maçã.

                                   - O que entra por aqui, ó – e minha mãe apontava a boca – aparece aqui e aqui – concluía ela dando tapinhas alternados nas faces. E Charles crescia saudável e lindo, bem como um menino que come maçã importada todos os dias.

                                   Quando eu tinha 17 anos e Charles, portanto, tinha 8, fiquei morando um longo tempo na casa dos seus pais. Foi bem na época em que a televisão chegou a Blumenau, quando vivíamos os Festivais Internacionais da Canção e o Movimento Hippie, e aquele menino pequeno ainda era muito pequeno para nossas aventuras “adultas”, como falar de política escondidas, eu e sua irmã Rosiani, por exemplo, já que atravessávamos o tempo brabo de uma ditadura. Mas havia aquele menino ali junto com a gente, e ele era encantado pelos desenhos animados que passavam na televisão, e ficava andando pela casa em câmara lenta, imitando seus heróis preferidos, o que fazia com que todos prestássemos atenção às suas graças de ator!

                                   O tempo foi passando, e um dia, na antiga Rua Hermann Huscher, ainda virgem de prédios e de asfalto, Charles parou sua Brasília ao meu lado para me apresentar Cléia, a linda namorada. Ele continuava muito bonito, com seus longos cílios em torno dos olhos azuis, e Cléia era uma simpatia, bem como a fada que chega na vida do príncipe! Eles se casaram um pouco depois, e fizeram a sua casa, e muito Charles trabalhou na profissão da sua escolha, que era de consertar motores de barcos de luxo, sempre indo e vindo para as praias onde as pessoas granfinas ancoravam os mesmos, sem contar da quantidade de barcos que eram rebocados até sua oficina.

                                   Há 16 anos atrás nasceu Ricardo, o único filho de Charles, o menino Lindner que é tão parecido com a Cléia.

                                   Faz poucas semanas que estive na propriedade do Charles, e vi muitos abacates verdes caídos no chão.

                                   - Posso apanhá-los? – perguntei.

                                   Claro que acima de mim havia uma enorme abacateiro carregadinho.

                                   - Colhe do pé – me disse Charles. – Pode levar quanto quiser! – e eu colhi diversos deles. Não poderia jamais fazer idéia que nunca mais falaria com ele.

                                   Charles morreu ontem à tarde. Daqui a pouco volto ao seu velório. Ontem à noite, no seu terno azul marinho, dormindo seu sono tranquilo, ele continuava tão bonito como sempre o conheci – só seus olhos azuis se tinham fechado para sempre, embora os grandes cílios fossem tão evidentes, por mais algumas horas.  A fada Cléia permanecia a seu lado, fazendo aquele tipo de carinho que só sabem fazer as pessoas que amam muito.

                                   Como pode acontecer tal coisa, Charles? Tu eras o mais novinho de toda a nossa turminha de primos – por que tinhas que ir tão cedo?

                                   Choro muito, claro.



                                               Blumenau, 11 de março de 2012.


Urda Alice Klueger

Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR


MADHU MARETIORE: POEMINHA EM ARTE DIGITAL

SARAU

SARAU

A Plenos Pulmões

ABERTO A TODAS TENDÊNCIAS ARTÍSTICAS E HUMANISTAS



Vamos semear arte? Venha dar voz a um poema, ou cante o poema que lhe salta à alma... espalhe-se pelo palco em prosa ou verso, performatize-se,  abra a janela do coração.

Lançamento do audiolivro e DVD de Rubens Ramon Romero:



"Minha Memória... Minhas Histórias

Anotações de um moleque das Ruas do Brás”



Sábado, dia 17 de março, das 19h às 21h.

Na Casa das Rosas - Av. Paulista, 37 – S. Paulo.

Próximo ao Metrô Brigadeiro

Apresentação: Marcos Pezão e Regina Tieko.

Entrada gratuita

Aberto a todos que queiram participar.

Inscrições meia hora antes do início do evento.


Atenciosamente

 Ivan Ferretti Machado

 Cel. 9106-0948


AUTORA: FABIANE RIBEIRO

Nascida em Mogi Mirim, SP, Fabiane Ribeiro é Escritora e Médica Veterinária, apaixonada pelas palavras e pelos animais. É autora dos romances “Xadrez” e “Corações em Fase Terminal”.

Site: www.fabianeribeiro.com.br

Blog: reinoxadrez.blogspot.com


Conheça as obras:

Livro 1: Título: Xadrez
Subtítulo: Seu coração está onde estão aqueles que você ama
Autora: Fabiane Ribeiro
Editora: Multifoco
Gênero: Romance (drama)
Ano de Lançamento: 2011
Páginas: 384

Livro 2: Título: Corações em Fase Terminal
Subtítulo: Eles têm uma última chance para salvar suas vidas
Autora: Fabiane Ribeiro
Gênero: Romance, Ficção
Ano de Lançamento: 2011
Páginas: 117
Obs: Versão com capa dura e ilustrações no conteúdo.


O valor promocional de qualquer um dos livros (versão impressa) é de 29,90 e o frete é grátis para qualquer lugar do Brasil (e o preço diminui mais ainda para quem adquirir os dois livros)! Mas corram, são pouquíssimos exemplares disponíveis para a promoção!


Como comprar?

Você deve enviar um e-mail para assessoriaxadrez@gmail.com
Então, receberá a conta e deverá fazer o depósito e enviar o comprovante para o mesmo e-mail.
Todos os livros serão enviados autografados e, você receberá o código de rastreamento para acompanhar seu pedido. Diga no e-mail qual será seu item de compra. Os valores são:

·        Livro “Xadrez”: 29,90
·        Livro “Corações em Fase Terminal”: 29,90
·        Pacotão de dois livros: “Xadrez” + “Corações em Fase Terminal”: 55,00



ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...