lundi 20 février 2012

NO BUTECO DO CÉU


NO BUTECO DO CÉU

MOR

Dos anti-planos celestes
Tudo de lá observando.
Da janela que reveste
O trio fica olhando.

Terça feira de carnaval
Do buteco a observar.
Aquele belo carnaval
Nem dava para pensar.

Lá estava o Aldírio Simão
Logo com Ziguelli ao lado. 
Com um copo na mão
Zininho naquele solado.

Olhando a velha floripa
Vendo aquela emoção.
De todo aquele aplique
A saída do Berbigão.

A pedido do Aldírio
Para completar a emoção.
O Rancho de amor a ilha
Canta sua mais bela canção.

São José/SC, 10 de fevereiro de 2.012.

A grande contradição brasileira

Leonardo  Boff
Teólogo/Filósofo
                                        

Mais e mais cresce a convicção, inclusive entre os economistas seja do stablisment seja da linha neokeynesiana, de que nos acercamos perigosamente dos limites físicos da Terra. Mesmo utilizando novas tecnologias, dificilmente poderemos levar avante o projeto do crescimento sem  limites. A Terra  não aguenta mais e somos forçados a trocar de rumo.

Economistas como Ladislau Dowbor entre nós, Ignace Sachs, Joan Alier, Herman Daly, Tim Jack e Peter Victor e bem antes Georgescu-Roegen incorporam organicamente o momento ecológico no processo produtivo. Especialmente o inglês T. Jack se celebrizou pelo livro “Prosperidade sem crescimento”(2009) e o canadense P. Victor pelo “Managing sem crescimento”(2008). Ambos mostraram que o aumento da dívida para financiar o consumo privado e público (é o caso atual nos paises ricos), exigindo mais energia e uso maior de bens e serviços naturais não é de modo algum sustentável.

Os Prêmios Nobel como P. Krugman e J. Stiglitz, porque não incluem explicitamente em suas análises os limites da Terra, caem na armadilha de propor como saída para a crise atual um maior gasto público no pressuposto de que este produzirá crescimento econômico e maior consumo com os quais se pagarão mais à frente as astronômicas dívidas privadas e públicas. Já dissemos à saciedade, que um planeta finito não suporta um projeto desta natureza que pressupõe a infinitude dos bens e serviços. Esse dado já é assegurado.

O que Jack e Victor propõem é uma “prosperidade sem crescimento”. Nos paises desenvolvidos o crescimento atingido já é suficiente para permitir o desabrochar das potencialidades humanas, nos limites possíveis do planeta. Então chega de crescimento. O que se pode pretender é a “prosperidade” que significa mais qualidade de vida, de educação, de saúde, de cultura ecológica, de espiritualidade etc. Essa solução é racional mas pode provocar grande desemprego, problema que eles resolvem mal, apelando para uma renda universal básica e  uma diminuição de horas de trabalho. Não haverá nenhuma solução sem um prévio acerto de como vamos nos relacionar com a Terra, amigavelmente, e definir os padrões de consumo para que todos tenham o suficiente e o  decente.

Para os países pobres e emergentes se inverte a equação. Precisa-se de “crescimento com prosperidade”. O crescimento é necessário para atender as demandas mínimas dos que estão na pobreza, na miséria e na exclusão social. É uma questão de justiça: assegurar a quantidade de bens e serviços indispensáveis. Mas simultaneamente deve-se visar a prosperidade que tem a ver com a qualidade do crescimento. Há o risco real de que sejam vítimas da lógica do sistema que incita a consumir mais e mais, especialmente bens supérfluos. Então acabam agravando os limites da Terra,  coisa que se quer exatamente evitar.  Estamos face a um angustiante círculo vicioso que não sabemos como faze-lo virtuoso sem prejudicar a sustentabilidade da Terra viva.

A contradição vivida pelo Brasil é esta: urge crescer para realizar o que o governo petista fez: garantir os mínimos para que milhões pudessem comer e, por políticas sociais, serem inseridos na sociedade.  Para as classes já atendidas, precisa-se cobrar menos crescimento e mais prosperidade: melhorar a qualidade do bem viver, da educação, das relações sociais menos desiguais e mais solidariedade a partir dos últimos. Mas quem vai convecê-los se são violentamente cooptados pela propaganda que os incita ao consumo?  Ocorre que até agora os governos apenas fizeram políticas distributivas: repartiram desigualmente os recursos públicos. Primeiro garantem-se 140 bilhões de reais para o sistema financeiro a fim de pagar a dívida pública, depois para os grandes projetos e somente cerca de 60 bilhões para as imensas maiorias que só agora estão ascendendo. Todos ganham mas de forma desigual. Tratar de forma desigual a iguais é grande injustiça. Nunca houve políticas redistributivas: tirar dos ricos (por meios legais) e repassar aos que mais precisam. Haveria equidade.

O mais grave é que com a obsessão do crescimento estamos minando a vitalidade da Terra. Precisamos de um crescimento mas com uma nova consciência ecológica que nos liberte da escravidão do prudutivismo e do consumismo. Esse é o grande desafio para  enfrentar a  incômoda contradição brasileira.

Leonardo Boff escreveu Sustentabilidade: o que é e o que não é, Vozes, Petrópolis 2012.

O QUE SÃO OS AVANÇOS DO ARSENAL ATÔMICO CONTEMPORANEO DIANTE DAS IMENSURAVEIS RIQUEZAS DO ESPIRITO HUMANO LIVRE ?

Primeira parte

Não há arsenal atômico tão poderoso quanto as potencialidades imensuráveis do espírito humano livre!


       Potencial muito maior que o arsenal atômico contemporâneo, e que pode muito bem ser destinado , conscientemente, para o progresso e o bem geral de toda a Humanidade, guarda o homem, intacto, em sua natureza primordial, entidade  pródiga, fecunda e bela, porém esquecida, destituída de valor.Grande parte da Humanidade consome toda sua vida, épocas e oportunidades  em momentos vãos, destituídos de alicerces sábios; segue a trama  superficial da vida, no consumismo, na cultura exterior despida de espiritualidade; sem se aperceber o quanto poderia destinar para a evolução humana, individual e coletivamente; se alcançasse uma visão bem mais ampla acerca dos m istérios profundos, sagrados, que  regem a  nossa existência; mas que, infelizmente, dormitam nos recônditos do ser humano, indelevelmente.Encontram-se essas forças sob forma de disposições, promessas, verdadeiros prelúdios prometendo vida; setas seguras indicando novos percursos, direção; precisam ser  trabalhadas, aparadas as arestas, pelo ser humano com coragem indomável e cautela; do contrário, permanecem ocultas, inacessíveis ao conhecimento; devem, portanto, ser dinamizadas, vitalizadas pela magia do pensar livre , claro, consciente e sábio, elevando-se  aos patamares vertiginosos de potências poderosíssimas que a acanhada condição pensante    humana sequer é capaz de imaginar; infinitamente acima do alcance dos recursos do arsenal atômico contemporâneo elas se encontram.

         O homem torna-se não só um co-criador de sua estrutura divina, superior, como também   colabora com as hierarquias celestiais, participando  do grande  culto celeste dos deuses e dos homens; a ponte maravilhosa  entre o céu e a Terra, onde seres espirituais, verdadeiros irmãos, trabalham  pelo bem geral da Humanidade conjuntamente com os seres humanos abnegados. Torna-se o homem prestativo, nobre e bom, o sábio benfeitor de si mesmo e de todos os seus semelhantes, sem discriminações. E num sentido mais alto ainda transforma-se , simultaneamente ao convívio com seres mais avançados, nessa escala evolutiva vertiginosa, ao longo de milhares e milhares de anos, num gerador de possibilidades de  vida ; acompanha a criação de mundos, civilizações e povos; estabelece as sublimes leis dos astros, tece a vida  das estrelas, dos planetas, auxiliando as hierarquias divinas. O plano celestial vai- se cumprindo , a ascensão das hostes espirituais a planos sempre mais altos vai engendrando a vida no universo, inexoravelmente,a evolução continua . A esse cortejo celestial o homem dá o melhor de si, tão logo começa a compreender-se a si mesmo com sabedoria e apreço pelos outros seres, sem nenhuma distinção.

          Grande verdade espiritual marca a essência da sentença “ ninguém serve a dois senhores simultaneamente”. Enquanto o homem destina suas energias, que são muito preciosas para  a vida , apenas  para uma satisfação de necessidades  de ordem inferior, ele não  pode se aproximar com veneração,  bastante humildade, respeito , do portal que vela as disposições que as hierarquias sublimes introduziram em nós com o intuito de nos dar a chance para que  um dia  nós mesmos possamos estruturar-nos   verdadeiramente. Natureza velada, verdade escondida, sementes procrastinadas ; feliz o homem que, consciente da extrema situação mundial por que passa o planeta, dá passos  de mestre, seguindo outros grandes benfeitores e instrutores da Humanidade; deposita no altar  do coração para sacrifício os  impulsos e  as necessidades  de nível inferior, abrindo mão delas , envidando todos os esforços a seu dispor para metamorfoseá-las à luz de uma grande oferenda ao Cristo Jesus e aos demais seres espirituais; para, em seguida,  doá-las, uma vez transformadas, em luz e compreensão no campo social, distribuindo-as  aos tantos irmãos que sofrem,  que  clamam no martírio do sofrimento e da dor,seres  que buscam não só o alimento para o corpo físico, mas também a verdade  espiritual que consola  a alma sedenta de luz e compreensão viva; entra, assim, o homem novo, transformado pelo bem,   nos mundos internos, torna-se um profundo  conhecedor; um irmão que compreende acima de tudo  todos; assim age abnegadamente no mundo.

            Acende, portanto, o homem a Tocha flamejante do amor humano-universal, a Pedra Fundamental do Bem, que Rudolf Steiner, amorosamente , no Congresso de Natal de 1923, em Dornach, Suiça, depositou no coração de oitocentos presentes,  e com especial consideração ele estendeu esse ato cerimonial também a toda a Humanidade. Centrada no coração dos discípulos de boa vontade Ela brilha com uma luz fulgurante; sua luz, luz da nova consciência de Cristo no homem, é atiçada no seu  sangue  pela Alma Natânica graças ao seu quinto sacrifício ao Cristo a favor da causa humana;  luz  que brilha nos mais belos e sublimes  matizes; sua forma maravilhosa é tecida pelas imaginações poderosas do grande arcanjo Widar, tornando possível a vivência do amor humano-universal sob forma de uma sublime Taça, a Taça do Santo Graal; e sob a imaginação sublime da vivência do nascimento no Cristo etérico   no homem, a figura imponente de Micael, vitorioso, jogando o dragão do coração humano para os membros e o metabolismo enriquece o majestoso cenário; de Widar partem ainda  impulsos de guarnição que  acompanham a Alma Natânica, protegendo-a  com  amor espiritual.

             Verdade é que os avanços das conquistas espaciais e  os  requintadíssimos e apurados processos de refinamentos e  aperfeiçoamentos de minérios não podem alimentar em nós o sentido verdadeiro de conhecimento necessário  para justificar o sentido digno da evolução do homem na Terra; o olhar dirigido sempre para fora, mais e mais, sem o conhecimento prévio dos fundamentos verdadeiros do ser humano a partir da realização do espírito livre conduz os pesquisadores e grandes estudiosos ao  caos, à ilusão; não se apercebem de que a verdade não se encontra naquilo que eles nos apresentam como realidade p lena e justa.

           Por outro lado, a vida nos ensina  que com admiração, respeito, devoção, veneração, humildade, reverência, amor, podemos nos aproximar do ponto decisivo da questão, onde o colegiado dos boddhisattvas, individualidades plenas e sublimes do amor, os portadores da vontade do Cristo,  grandes mestres da sabedoria e da harmonia das sensações ,  benfeitores da Humanidade, trabalham amorosamente pela condição humana decaída, carente ; a vivência da Pedra Fundamental do Bem no solo sagrado do coração etérico humano , com a presença viva do Cristo e das hierarquias superiores , portais para  as forças do Pai , do Filho e do Espírito, é a única solução  verdadeira pela qual deve o homem lutar na contemporaneidade para encontrar o leme seguro. Não é por uma afinidade com os avanços da ciência centrada no intelecto, mas, sim, pela aproximação verdadeira, consciente dessa Pedra que o homem seguirá pelas veredas justas e plenas.

           

 Segunda Parte
 

SUPERANDO A LIMITAÇAO HUMANA
 

O poderoso vôo espacial interplanetário
aborda os objetos apenas de fora;

o homem que acende o fogo no coração

aquece a alma; e uma compreensão viva

do universo  recebe.



A luneta do observador encontra,

friamente, no cosmos, os astros

que ele ainda não pode compreender.



Os corpos celestes vistos externamente sao setas

apontando  para a intimidade de Seres espirituais

que constituem o mundo interior dos astros;

com as Forças  do  coração renovadas

o homem penetra nos mundos  espirituais, conscientemente.
 

É o trabalho angular do nosso tempo,

uma missão do coração!

sacrificar-se a si mesmo

para renascer no ardor da glória

eis a meta divina;

pela Pedra  Fundamental do Bem

superamos a limitação,

sublime vitoria sobre nós mesmos!


Gildo Oliveira
Rio Verde, Goiás.
oliveira.gildo@bol.com.br.

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