mercredi 15 février 2012

7ª MOSTRA WILLIAM JUVENCIO

Enviado por Clevane Pessoa Lopes


Olá, Convidamos a todos para assistir a

7ª MOSTRA WILLIAM JUVENCIO

Com novos filmes e muita música para todos os gostos



Essa Mostra dá oportunidade de exibir filmes independentes e contribuindo para uma função social e cultural,

integrando a sociedade com o cinema e que acontece agora em versão ON LINE.

http://www.culturaemusica.com/mostrax.htm




Enviem seus filmes e participe conosco gratuitamente !!!



Obs: Por favor ajude a divulgar nosso projeto !!!



Dúvidas:



William - (21) 92353705


E-books

Não perca tempo! Prepare seu trabalho cientifico para apresentar no 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital
O 3º Congresso terá, assim como na edição do ano passado, uma sessão para apresentação de trabalhos científicos e acadêmicos, com o objetivo de estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos inéditos, sobre temas relacionados ao livro digital. Prepare desde já o seu projeto.

Regulamento para a participação de trabalhos científicos e acadêmicos no 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital 2011


1 DISPOSIÇÕES GERAIS

1.1 O CONGRESSO INTERNACIONAL CBL DO LIVRO DIGITAL – “CONGRESSO”, realizado pela CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO – “CBL” instituiu, desde 2010, a realização de CONCURSO para seleção e premiação de trabalhos científicos e acadêmicos relativos ao livro digital.

1.2 Tal CONCURSO tem como objetivo estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos empíricos ou conceituais inéditos pertinentes à temática do CONGRESSO.

1.3 Os trabalhos selecionados serão apresentados em sessão durante a 3ª edição do evento, a realizar-se durante os dias 10 e 11 de maio de 2012.

2 DA PREMIAÇÃO

2.1 Serão selecionados para a apresentação durante sessão no CONGRESSO até 6 trabalhos primeiros colocados na classificação geral, não havendo distinção de categorias para serem apresentados em sala específica durante o CONGRESSO.

2.2 Todos os trabalhos selecionados serão publicados no site do CONGRESSO.

2.3 Cada um dos trabalhos selecionados receberá uma inscrição para participação no CONGRESSO, válida para uma pessoa durante os dois dias do evento.

2.4 Os dois primeiros colocados receberão avaliação em fast track para possível publicação na REGE – Revista de Gestão da USP, bem como PRÊMIO em dinheiro, conforme valores brutos abaixo especificados:

2.4.1 1º Colocado: R$ 1.000,00 (mil reais);
2.4.2 2º Colocado: R$ 500,00 (quinhentos reais)
2.4.3 Os dois primeiros colocados terão espaço para apresentação no Congresso.

2.5 A Comissão Julgadora poderá não conceder o PRÊMIO, caso entenda não haver, dentre os inscritos, trabalho adequado aos temas propostos.


3 DAS INSCRIÇÕES E ENVIO DOS TRABALHOS

3.1 O recebimento das inscrições será durante o período de 23/01/2012 até o dia 10/04/2012.

3.2 As inscrições serão realizadas exclusivamente no site www.congressodolivrodigital.com.br, devendo os interessados acessá-lo para obter mais informações quanto ao CONCURSO e envio dos trabalhos.

Para se informar sobre o regulamento completo, acesse o site da CBL: www.cbl.org.br.

CEBRAC informa: Revalidação de diplomas no Brasil

Informo que está sendo incluída, no portal Brasileiros no Mundo (www.brasileirosnomundo.itamaraty.gov.br), informação acerca dos procedimentos legais para revalidação, no Brasil, de diplomas de medicina expedidos por instituição estrangeira.

Esclareço, a esse respeito, que o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por instituição de educação superior estrangeira (Revalida) foi instituído por meio da Portaria Interministerial nº 278, de 17/03/2011, nos termos do art. 48, § 2º, da Lei nº 9394, de 1996, sendo
gerenciado pelo INEP.

Agradeceria considerar a possibilidade de dar divulgação às informações acima.

Embaixadora Vitória Alice Cleaver







CEBRAC

Quellenstrasse 25

8005 Zürich



0041 44 271 4305

O artista hoje: entre o 'proponente' e o pedinte

     Por / Almandrade




O artista que passa o tempo recluso na solidão do ateliê, trabalhando, desenvolvendo sua experiência estética, como um operário da linguagem e do pensamento, está em extinção. É coisa de museu.
 

Ou melhor, é raridade nos museus de arte, que estão deixando de ser instituições de referência da memória para servir de cenários para legitimação do espetáculo. Às vezes, com míseros recursos que ficamos até sem saber direito: quando nos deparamos com baldes e bacias nessas instituições, se são para amparar a goteira do telhado ou se se trata de uma instalação, contemplada por um edital para aquisição de obras contemporâneas...


O que interessa na politica cultural nem sempre é a arte e a cultura, e, sim, o *glamour*. Em nome da arte contemporânea, faz-se qualquer coisa que dê "visibilidade".
 

As políticas públicas foram relegadas às leis de incentivo à cultura e aos editais públicos. Nunca se fez tantos editais neste País, como atualmente, para, no fim das contas, fazer da arte um "suplemento cultural", o bolo da noiva na festa de casamento.
 

Na fala do filósofo alemão Theodor

Adorno: "As obras de arte que se apresentam sem resíduo à reflexão e ao pensamentonão são obras de arte". Do ponto de vista da reflexão, do pensamento e do conhecimento, a cultura não é prioridade. Na política dos museus, o objeto já não é mais o museu que se multiplicou, juntamente com os chamados "centros culturais", nos últimos anos.


Com vaidade de supermercado, na maioria das vezes, eles disponibilizam produtos perecíveis, novidades com prazo de validade, para estimular o consumo, vetor de aquecimento da economia. A qualificação ficou no papel, na publicidade do concurso.


Esses editais que bancam a cultura são iniciativas que vêm ganhando força.

Mostram ser um processo de seleção com regras claras para administrar o repasse de recursos, muito bem vendidos na mídia, como métodos de democratizar o "acesso" e a "distribuição de verbas" para as práticas culturais.


Mas nem são tão democráticos assim. Podem ser um instrumento possível e eficiente em certos casos, mas não são a solução, é possível funcionarem, também, como escudo, para dissimular responsabilidades pela produção, preservação e segurança do patrimônio cultural.


Considerando-se, ainda, a contratação de "consultorias", funcionários, despesas de divulgação, inscrição... o trabalho árduo e apressado de seleção... é tudo, enfim, um custo considerável, que, em último caso, gera "serviços" e renda.
 

O artista contemporâneo deixa de ser artista para ser proponente, empresário cultural, "captador" de recursos, um especialista na área de elaboração de projetos, com conhecimentos indispensáveis de "processo público" e interpretação de leis. Dedica grande parte de seu tempo a esse negócio burocrático, que é a elaboração e execução de projetos, prestações de contas etc., todos contaminado pela lógica do *marketing*... coisas incompatíveis com o artista em si, que apostou na arte como uma "opção de vida" e com forma de conhecimento, algo que exige dedicação exclusiva...



Ou, pior ainda: o artista fica à mercê de uma "produtora cultural", para quem essa política de editais e fomento à cultura é, aliás, um excelente negócio...



Mais uma coisa é preocupante: e se essa política de editais se estender até a sucateada área da saúde, por exemplo? Imaginem uma "seleção pública" para pacientes do Sistema Único de Saúde, que necessitem de procedimentos médicos... Os que não forem "democraticamente contemplados", teriam de apelar para a providência divina, já engarrafada com a demanda de tantos pedidos...



Nem é bom imaginar. Que esta praga fique restrita aos limites da esfera cultural... Na pior das hipóteses, é uma "torneira" que sempre se abre para atender parte de uma superpopulação de artistas, proponentes, pedintes...



O artista, cada vez mais, é um técnico passivo com direito a diploma de "bem comportado" em "preenchimento de formulário". E seu produto ficou relegado ao controle dos burocratas do Estado, e à "boa vontade" dos executivos de *marketing* das grandes empresas...



Se o projeto é bem apresentado, com boa "justificativa" de gastos e retornos, o produto a ser patrocinado ou financiado... se é mediano, se é excepcional, não importa! O que importa é a "formatação", a "objetividade"

do orçamento, a clareza das "etapas" e a "visibilidade", o "produto final"...



Como sempre, existem as chamadas exceções, mas...



*Almandrade*



(artista plástico, poeta e arquiteto)



NA PASSARELA NEGO QUERIDO

MOR



Na corda bamba

Tudo logo balança.

Na roda de samba

O gincado alcança.



Da marchinha sorrateira

No carnaval a cantar.

Quem logo será primeira

Na avenida dançar.



Deslumbrar naquela arena

Os passistas em rente.

Na passarela a bela cena

Da comissão de frente.



São José/SC, 3 de fevereiro de 2.012.




AREQUIPA

(Excetos do livro "Viagem aoUmbigo do Mundndo, publicado em 2006.)

   
  Já de tarde, era evidente que o deserto diminuíra, tal o grau de fertilidade que já havia por toda a parte. Conforme fomos chegando à grande e linda cidade de Arequipa, as casas já tinham hortas cheias de legumes e por todos os lados existiam as atividades que existem ao redor das cidades que não são oásis.

                                   Arequipa é um caso todo especial dentro da realidade peruana. Conta a lenda que o Inca Mayna Capac, depois de diversas conquistas, ao retornar a Cusco, passando por aquele lugar tão bonito, dissera à sua gente: “Se lhes agrada, fiquem aqui!” – tal pequena frase, em quíchua, é traduzida como “Arequipa” -  se bem que haja outras explicações.

                                   A cidade de Arequipa está a 2.329 metros de altitude, próxima ao ENORME vulcão Misti, mas há mais dois ENORMES vulcões encostadinhos nela, o Chahani e o Pichupichu, os três cobertos de neve. É atravessada pelo Rio Chili, e sua atmosfera é tão diáfana, que em plena luz do dia vê-se Vênus, Júpiter e algumas estrelas. Mayna Capac, lá na primeira leva da colonização, mandou para lá 3.000 famílias.

Os tremores de terra, lá, são diários, sendo que os de 1582, 1687 e 1865 destruíram a cidade. Em 1537 esteve por lá Diego de Almagro, de volta do Chile. Francisco Pizarro já passara lá antes, em 1534, mas voltou em 1540, para começar uma nova cidade, e na sua sanha destruidora, não fica muito difícil entender como deve ter tratado os antigos moradores.

                                   Hoje ela é uma cidade cheia de verdor, com uma alegre vista, construída de pedras brancas extraídas da lava fria do vulcão Chili.[1][1]   

                                   Na verdade, o povo daquela cidade construída no meio dos três enormes vulcões não se sente peruano – sente-se arequipeño. Arequipa tem seu próprio dinheiro, seu próprio passaporte, sua própria cerveja, seu próprio governo ... e uma gente simpaticíssima, que lotava a praça de armas e as ruas naquela tarde de domingo, como é tão comum acontecer nas ruas e praças das cidades hispânicas nas tardes e noites de domingo, e que acorreu toda a ver aquele bando de malucos que ali chegava como se fossem seres extraterrestres. Paramos todos na Praça de Armas lotada, e todo o mundo vinha nos ver e queria conversar. Enquanto os companheiros tomavam as providências que deveriam tomar, eu me deleitava no bate-papo  com aquela gente simpática, que queria saber tudo da nossa viagem, e que me contava coisas que eu nem imaginava, como a história dos terremotos diários. Às vezes eram terremotos muito pequenos, que só eram detectados pelos sismógrafos, mas grande parte deles era sentido por toda a população, que vivia alegremente no meio daqueles três imensos vulcões que poderiam explodir a qualquer hora. O dinheiro deles não era o Sol, como no resto do Peru. Eles tinham dinheiro próprio, passaporte próprio, elegiam seu próprio presidente e não obedeciam ao presidente peruano – quando algo havia a ser feito, o presidente de Arequipa ia a Lima e os dois presidentes entravam num acordo, e então os arequipeños aceitavam a decisão. Se tinham medo dos vulcões? Claro que não, por que temeriam vulcões que estavam ali tremendo a terra desde que tinham nascido? Crianças, homens, mulheres, pessoas idosas, todos queriam conversar, mas em algum momento tive que ir embora – nossa chegada atraíra tanta atenção que até a polícia da linda e alegre cidade viera nos dar cobertura, e foi com um carro de polícia de sirene ligada à frente que nossa caravana se locomoveu até o hotel onde passaria à noite.

                                                                              Lembro que naquela noite jantamos juntos, eu e Kako, o bonito rapaz do Rio Grande do Sul que nos esperara na Argentina, e que era o único jovem do nosso grupo. Sentamos num restaurante bem bonito, dos muitos restaurantes bonitos que existiam na região do hotel, e conversamos sobre coisas filosóficas.





[2][1] Idem, ibidem, V. 6, p. 46





Urda Alice Klueger

Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR





Quanto Vale Um Sonho

Autor: Galdy Galdino



              Uma amiga minha disse que eu devia escrever para a revista... contando a minha história, eu, no entanto, disse-lhe que não tinha nada para contar, ela, porém, insistiu tanto que eu resolvi fazer um pequeno relato.
             Tudo começou quando lancei um livro...

Na verdade começa bem antes, mas a ideia de expor em revista a minha peleja para fazer cultura no rol literário partiu de Janice (minha colega de trabalho) depois do meu livro.

Pois é, realizei um sonho meu de publicar um livro; livro esse que só veio à tona seis anos depois de eu escrever a minha primeira poesia que, na época, publiquei no periódico local: Jornal Folhão da Bahia. De lá pra cá foram mais de quatrocentas poesias e outros tantos contos esguichando pela minha veia literária e ficando engavetados até, enfim, eu conseguir, antes de morrer, tornar algo imortal que é o livro.

A ideia de revelar a minha ideia (desculpem o trocadilho) para todo mundo em forma de versos, expondo meus pensamentos, emoções e fatos, começou no início de 2003 aos vinte anos quando findava o ano letivo e eu concluía o ensino médio (Antes que estranhem: “o fim do ano letivo no começo do ano?” deixem-me explicar: é que devido à greve dos professores – o que é comum na rede pública de ensino – o ano letivo adentrou o verão e foi até um pouco antes do carnaval).

Então, em outubro de 2004, sem emprego e com um pouco de dinheiro na poupança (cerca de 200 reais – economia de um bico de vigilante e alguns plantões como bombeiro voluntário. Sim, era voluntário, mas ganhava uma merrequinha) e um grande sonho a realizar, pus na sacola tira-colo meus quatro caderninhos de poesias e outro de contos junto a alguns livros de literatura, fiz minha mala e rumei para a capital com a esperança de publicar meu livro (não sei se foi loucura ou ingenuidade em achar que na capital tudo se resolveria). Deixei pra trás não só uma cidade que não sabia o filho que tinha, mas principalmente a minha família que sabia que eu tinha que lutar (mas só tomaram conhecimento da minha partida uma hora antes de eu ir para a rodoviária, pois eu não queria que ninguém tentasse demover o meu propósito). Minha mãe – como é de se esperar das mães – se debulhou em lágrimas durante a despedida e me fez copiosas recomendações acerca dos perigos da cidade grande.

Pela janela do ônibus eu via Alagoinhas ficando para trás, ficando pequena até sumir, e meus olhos contemplavam a paisagem lá fora (é interessante como a visão através da janela de um veículo em movimento é tão fascinante). No embalo da viagem eu viajava (desculpem novamente o trocadilho) imaginando uma nova vida numa metrópole, quem sabe até um grande amor, assim eu esqueceria a garota que partiu o meu coração...

Duas horas depois cheguei a Salvador no meio da tarde de uma quinta-feira e perambulei com uma mala e uma sacola pesando em meus ombros, com o sol lambendo o meu rosto, e um pouco desnorteado (não tinha feito exatamente uma programação) depois de obter informações na rodoviária (mapas não me guiam muito bem).

 Para não perder muito tempo, depois de tomar um ônibus e percorrer pelas ruas desconhecidas correndo o risco de ser assaltado (se bem que pelos meus trajes – bermuda surrada, camisa não tão nova assim e tênis gastos – não me julgariam ter dinheiro para roubar), paguei uma corrida de táxi direto para a Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia. Lá chegando fui bem recebido quando me apresentei como poeta e fiquei sabendo que primeiro eu teria que me instalar em algum lugar para depois mandar um ofício junto com uma amostra do meu trabalho ao secretário de cultura pedindo apoio e patrocínio (mas não era certeza de que eu fosse obter).

Do Caminho das Árvores eu fui para o Pelourinho (pois eu achava que a Casa do Poeta Brasileiro em Salvador ficava lá) e aluguei um albergue para passar a noite.

A noite no Pelourinho é bastante movimentada, porém, sem dinheiro para gastar, a única coisa que fiz (depois de ligar para casa de um orelhão para dizer que estava tudo bem comigo) foi um pequeno lanche depois de circular pelas ladeiras do Pelô e me deparar com uma prostituta na praça se oferecendo para um programa.

Como disse Carlos Drummond de Andrade: “a noite dissolve os homens”. 

Travei uma conversa com o meu vizinho de albergue (ele tinha vindo de Alagoas e ia tentar a vida aqui na Bahia e tinha chegado a Salvador um dia antes de mim), pois não tinha mais com quem conversar – o dono do albergue era um argentino e a conversa não fluiria muito bem, já o seu ajudante era um negrinho maconheiro (digo isto, pois eu o vi apagando um cigarro de maconha e colocando no armário do banheiro) e não teria conversa nenhuma.

O meu vizinho era um tanto afeminado e eu me acautelei – não que eu tenha preconceito, mas é que eu não queria que ele fantasiasse nada –, mas, diferente da imagem que temos dos gays, aquele alagoano foi um bom camarada e disse que eu era um louco em vir para uma cidade grande com pouco dinheiro e sem conhecer ninguém, mas que admirava a minha força de vontade e, qualquer coisa, pelo menos eu podia voltar para a minha cidade que é perto, enquanto ele não podia voltar para o seu estado assim tão fácil (pelo papo dele acho que o pai o expulsou de casa quando descobriu que “espécie” era o filho – algumas pessoas são radicais).

“O travesseiro é um bom conselheiro”. Não sei se alguém já disse isso, mas o fato é que é verdade. Enquanto eu estava, a 107 km de minha cidade natal, numa cama insensível às minhas emoções, eu refleti antes de pegar no sono, vencido pelo cansaço.

Pela manhã, depois do café da manhã (cortesia da casa), eu estava decidido a voltar para a minha cidade e procurar a Casa do Poeta de Alagoinhas (que até então era desconhecida para mim), pois continuar em Salvador com o pouco dinheiro que eu tinha (em menos de 24 horas gastei quase 60 reais) ia ser difícil até arrumar um emprego. Então desci pelo Elevador Lacerda e tomei um ônibus para a rodoviária.

Como Santiago de O Alquimista, de Paulo Coelho, eu precisei ir longe para perceber que o que eu procurava estava sempre perto de mim.

Só em julho de 2005 eu consegui me associar à Casa do Poeta de Alagoinhas (pois esta estava fechada em razão do falecimento do presidente da casa) e em novembro fui eleito bibliotecário. Também foi em julho que, no meu quarto, eu me autobatizei (sem nenhum ritual) com o nome artístico Galdy Galdino, pois Romildo não cairia muito bem.

No entanto eu vi que não bastava ser membro de uma casa de cultura e participar de alguns saraus, era preciso também ter dinheiro, pois a Secretaria de Cultura não patrocina casos isolados (e em se tratando de uma cidade pequena onde a cultura quase não tem espaço, e eu sendo praticamente anônimo, o negócio mesmo era pôr a mão no bolso, se eu quisesse publicar o meu livro). A Secretaria de Cultura fez apenas uma coletânea dos poetas da cidade (onde tive uma poesia publicada), apesar de o secretário de cultura ter prometido uma coletânea por ano (se bem que já sabemos que em certas promessas não devemos acreditar).

Quando consegui um emprego de carteira assinada em março 2006 em um hipermercado comecei a investir quase um terço do meu salário na poupança (pelo menos nos primeiros meses, pois não podia deixar de fazer alguns cursos), mas o salário de um comerciário não é lá essas coisas e o rendimento era muito pouco (não consegui juntar nem dois mil reais em quase dois anos).

Em novembro de 2006 fui contemplado com o 3° lugar no XXII Concurso de Poesias Biblioteca Municipal João XXIII de Mogi Guaçu-SP (não teve premiação em dinheiro, mas o importante foi eu me sentir valorizado como poeta e ter um recheio a mais no meu currículo literário).

Como demoraria um pouco para obter o montante, resolvi participar de antologias – era mais barato, mas em contrapartida era muito caro para a quantidade de páginas que eu estava pagando: quatro páginas = 300 reais, mas valeria para divulgação e eu tinha direito a 20 exemplares – e publiquei alguns trabalhos em duas antologias (uma em 2007 e a outra em 2008) pela Scortecci Editora, uma editora de São Paulo que um poeta da minha cidade me indicou por ser uma editora que “possibilita a realização do sonho de publicar um livro”.

Em 2009 tomei uma decisão: se eu queria mesmo publicar um livro eu teria que o fazer de qualquer jeito, então tomei um empréstimo consignado no banco, no valor de 2.700 reais, e dividi em 27 parcelas (só de juros pagarei no fim das contas aproximadamente 1.223 reais), mas valeu à pena, pois só assim, em julho de 2009, lancei o meu primeiro livro de poesia Refúgio d’Alma, pela Scortecci Editora (só não sei por que não pensei nisso antes).

O livro em si (250 exemplares) custou-me um valor de 2.902 reais (tirando outras despesas como frete dos livros prontos e coquetel de lançamento), mas a satisfação de ter um sonho realizado não tem preço.

Algumas pessoas dizem que eu sou um vencedor (e eu não discordo disso), mas tenho ainda várias batalhas pela frente.


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