mardi 18 décembre 2012

SOBRE MENINOS E MASSACRES


EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


“Nós, adultos, de algo sempre somos culpados. Mas as crianças, que culpa podem ter as
crianças?”
                              (Ernesto Sábato)
Crianças de 6 a 7 anos são massacradas numa escola americana, num certo  14 de dezembro de 2012.
Tenho necessidade de escrever os seus nomes – pelo menos, a maioria delas: Josephine (7 anos), Ana (6), Dylan (6), Madeleine (6), Catharine (6), Chase (7), Jesse (6), James (6), Grace (7), Emile (6), Jack (6), Noah (6), Caroline (6), Jessica (6), Avielle (6), Benjamin (6), Allison (6).
Que culpa podem ter as crianças, indagava Sábato, na epígrafe com que iniciei o texto.
Não vou fazer poesia, sociologia. Nada.
Será que esse horror será sempre recorrente?
Passa-se o tempo – esse massacre será esquecido, virará estatística – e esperamos o próximo?
Poderia falar sobre a cultura armamentista, o fortíssimo lobbie a favor do não controle das armas nos EUA.
Sim, poderia.
Mas agora só penso na tremenda dor (que não consigo designar) dos pais e parentes.
Por quê?
“As crianças me diziam: ‘eu não quero morrer, eu só quero comemorar o natal, informou a professora Kaitlin Ross’”.
Como disse pungentemente o presidente Obama: “A maioria dos que morreram eram crianças, garotinhos bonitos com idades entre 5 e 10 anos. Tinham sua vias pela frente, aniversários formaturas, casamentos, e seus próprios filhos”.
São vidas ceifadas e interrompidas.
Não, não faço literatura.
Pergunto apenas: por quê?        
Que mundo é esse que em que alguém mata crianças?
Alguém dirá: “morrem tantas crianças no Brasil e ele não fala”.
Passei uma vida, pensando nisso e lutando para uma vida digna para todos. Vida em abundância.
Que todas as crianças possam viver.
Que toda crianças possam ser amadas e bem criadas.
Que chegue um dia em que não nos confraternizemos e nos respeitemos apenas no natal, mas em todos os momentos da vida.
Por quê?


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