mercredi 7 novembre 2012

PARALISADOS PELO EXCESSO?


 EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


Para os “rapazes” de 1964
Para todos os amigos que ainda “carregam” algum sonho (não pecuniário)

“Cada leitor é, quando lê, um leitor de si mesmo”
(Marcel Proust – 1871–1922)

“O preço da graça que recebemos é nos mantermos fiéis a ela, e nos tornarmos os porta-vozes dela, a linguagem dela. A graça quer aceder ao mundo através da nossa boca que fala”
(Hélio Pellegrino– 1924–1988)

A sobrecarga de informação recebida por usuários de internet está mais ligada ao consumo do que à produção, na visão de Luli Radfahrer, professor de comunicação digital da USP.
A pessoa pode agora esta produzindo o mesmo que três antigamente, mas não está recebendo o triplo, e pode sentir-se menos produtiva do que nunca, acredita David Allen.
“Pode parecer paradoxal, mas as novas ferramentas de produtividade estão abalando a nossa  capacidade de fazer as coisas, e nos deixando paralisados pelo estonteante número de opções que oferecem”, ele reforça.
O excesso de imagens está impedindo que “enxerguemos”?
Quero dizer: que hierarquizemos, que separemos o joio do trigo, que consigamos chegar ao NÚCLEO DO QUE VERDADEIRAMENTE IMPORTA.

Sim, ACELERAMOS A COMUNICAÇÃO.
Mas a temos aprofundado?
Não tenho respostas prontas.
Alguém tem?
Há uma sensação generalizada, de dúvida, de perplexidade em muitos corações e mentes.
Percebe-se uma espécie de ”desencantamento do mundo”, usando a expressão de Max Weber, ainda mais em um universo pós-utópico e, muitas vezes, árido.
Não é nostalgia. Conseguimos muito.
Mas o reino do “comprar” basta ao ser humano?
Subir para uma classe é poder comprar mais uma geladeira nas Casas Bahia?
Na escola, deveríamos aprender a pensar. Não apenas a usar tecnologias.
Mas ensinar a pensar é muito mais difícil. Não?
Ficamos reduzidos à pequena política, sempre vil e mesquinha.
Não estou me referindo a ela: maniqueísta e interesseira – e que não eleva o ser humano.
Nosso cotidiano está saturado de muita coisa que não importa.
É preciso – como disse alguém –, não sucumbir à dispersão promovida pelas infinitas distrações nem à banalidade de opinião.
Pensemos. Reflitamos.
Nossa jornada é finita: a gente pode esperar. O tempo? Não.

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