mardi 27 novembre 2012

BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA


EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

O Brasil está mais violento a cada dia.
Sim. Não disse nada de novo.
Mais violento não só nas grandes centros.
A violência tem migrado intensamente para o Nordeste.
Levi Vasconcelos – de um jornal da capital baiana – relatou o diálogo entre dois jornalistas:
 Um repórter e “O Globo” ligou para um colega seu, de Salvador.
Queria saber o número de assassinatos no feriadão da Proclamação da República na capital da Bahia.
Ouviu a resposta: 25
(Até o dia 22 de novembro, já eram 32.)
– Zorra. Está pior do São Paulo, espantou-se quem indagou.
Em São Paulo, com 13 milhões de habitantes foram 24. E no Rio, com 6,3 milhões, 12.
Só fatos recentes na capital baiana: um coronel da PM, uma juíza e uma promotora sequestrados. A promotora foi estuprada.
No interior, os assaltos a bancos são praticamente diários.
“Neste cenário, a Bahia, capital e interior unidos na dor, é uma terra em que a bandidagem cada vez mais impera sobre a cidadania”, observa Levi Vasconcelos.
A cidade da Bahia – como Jorge Amado chamava Salvador – é belíssima.
Mas diante deste quadro, a sua glamurização  e reiteração de mitos só prejudicará sua melhoria.
A Bahia não é só Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, nem gente se rebolando.
Essa é uma visão absolutamente falseada. 
Nas caminhadas diárias – bem cedo –, vejo ônibus apinhados e muita gente indo para o trabalho – e muita pobreza.
Não pretendo fazer uma tese. Mas algo está acontecendo.
Entre os motivos da banalização da violência, estão o escasso valor que se dá à vida, à mercantilização (compre, compre, compre!), ao império da droga, à desagregação da família e à carência da Educação.
(Além  – no caso da Bahia –de um governo que só existe virtualmente – com toneladas de propaganda na TV.)
E perdoem o tom que poderá parecer de autoajuda: a absoluta carência de amor e respeito ao próximo.
A vida? Se não resgatarmos o seu valor, não revalorizarmos o Ser no coração da família, e não percebermos que “comprar” não é tudo, continuaremos indo ladeira abaixo.
Entre os dez países de maior PIB do mundo, o Brasil é o que apresenta o maior número de homicídios: uma pessoa morre a cada 9,8 minutos.
Segundo dados do Instituto de Prevenção ao Crime e à Violência (IAB), 1.194.116 homicídios foram cometidos entre 1980 até hoje no país.

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