lundi 22 octobre 2012

JÁ VI TUDO

Por Gilberto Nogueira de Oliveira


Nazaré-Ba

Tudo o que eu vi está guardado em mim.
Não esqueço nunca de tudo o que vivi:
Já vi um homem virar bicho,
Já vi mãe chorar pelo filho,
Já vi a fome chorar pela morte.

Já vi tudo na vida, até a própria vida
Querer tornar-se morte.
Quase que vi a morte.
Já quis morrer de amor.
Foi aí que aprendi o significado da vida.
Queria até viver.
Já vi bicho virar homem, amando-se mutuamente
Como fazem os bichos que pensam que são homens,
E os homens que pensam que são bichos.

Já vi sangue inocente correndo sem razão,
Quase vi o homem comer a outra metade do pão.
Já vi Cristo ensinando o amor entre irmãos,
Mas o homem interveio e disse, não!

Já vi a paz nascer numa mulher da madrugada,
Já vi o sol morrer nos braços de minha amada,
Já vi um homem morrendo aflito e envenenado,
Pelo desespero da fome, pelo alimento minguado.

Já vi tudo ou quase tudo,
E penso que não vi nada,
Que não vivi quase nada.

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