mercredi 17 octobre 2012

A LUA NA BODEGUITA DA ESQUINA DO CAPELA VARADERO


            ( A Federico Garcia Lorca)

Olha só, que maravilha!
 A lua, ali em cima do edifício
Soberba, sensual, lasciva
Sempre no lupanar, noite e dia
Mostrando os seios, o sexo, no cio
Amarela, prateada, púrpura, vermelha
De sangue derramado por navalha  
Faca amolada, ou por punhal cigano

Toda noite a vejo no viço, no vício
Às vezes sinto, no ócio, seu silêncio
Fica triste, distante , sombria
Como as putas que ficam sozinhas
Velhas, pálidas , infelizes, doentes
De solidão, fome, gonorreia, sífilis

Outras vezes, escuto dos céus os violinos
A farra, as flautas, os bemóis ,os sustenidos
Os bêbados, os boêmios, as putas se divertindo
Um baile de estrelas e cometas na imensidão
A lua fica embriagada  e  nua no salão
A lua tem cintura, ancas, púbis e pelos
Eu a belisco na bunda , a puxo pelos cabelos
Ela sai dançando com seu ventre de odalisca
Embevecido, toda noite eu a possuo...
Durmo e acordo babado em seus seios
Esteja nova, minguante, crescente ou cheia
Lânguida, lúdica, ela me lambuza com a língua
Depois, a vadia foge a cavalo com os ciganos
Me deixa na sarjeta, na esquina do Capela

No fim da noite, ela volta sozinha para o céu
Diz que me ama. Juro, diz que me ama!
A mim, aos poetas, aos bêbados, aos loucos
Tomo um trago, escuto um tango argentino
Rum , pisco chileno, cuba livre, pinga, tequila
Na solidão da bodeguita da esquina do Capela

Me emboracho, cuspo no chão, mijo e vomito no beco
O garçon , meu amigo, reclama “o adiantado da hora”
Penduro a conta na bodeguita da esquina do Capela
Amanhece.  A lua dorme o sono cansado das putas...
Dorme lua, lua,lua! Dorme lua, lua, lua!
Dorme lua, lua, lua! Dorme lua, lua, lua!


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