mardi 4 septembre 2012

Nunca mais Voltaremos para Casa


por Ronaldo Cagiano



A força narrativa desses contos reside não apenas na linguagem, mas na matéria-prima que Emanuel Medeiros Vieira elegeu e que é peculiar a toda sua obra, sela ela poética ou ficcional: o olhar crucial e crítico, sobre o homem e a vida, no que eles carregam de sutileza ou miséria.
         Emanuel dá voz aos dilemas contemporâneos, tão marcantes na vida das pessoas e das próprias instituições. Sem abrir mão da contundência, seja no enfrentamento de temas tão candentes como a crise da ética e as distorções morais, tanto nas relações afetivas, como nas políticas e literárias; seja na linguagem, sem enfeites ou clichês, o autor examina e reflete sobre as tragédias que atormentam o homem moderno e os sintomas da fossilização dos sentimentos numa sociedade afetada pelos fetiches do mercado e da cultura de massas, tão absolutos, avassaladores e excludentes.
         São contos enraizados no ser, de uma beleza e de uma verdade cruéis, dos quais emergem questões fundamentais, que num mundo regido pelos interesses e movido pela superficialidade, em que tudo parece espelhar a carência de profundidade, deixando como terrível saldo a solidão e como resultado um inventário de perdas e danos.

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