jeudi 19 juillet 2012

O MUNDO DOS LOUCOS


Nazaré, 13-05-1968
Os homens andavam de um lado para o outro como uns loucos e sem um rumo certo. Estavam perdidos na imensidão do mundo verde. Para eles, o principio da vida seria a morte. Não tinham outra alternativa. A morte era a única alternativa de se livrarem daquele mundo. Estavam sem comida, água, bússola ou armas. Estavam apenas com o desespero no corpo.
                Andavam incansavelmente pela floresta úmida e quente. Seus nervos já estavam à flor da pele. Seus corpos já estavam à flor da alma. Seus silêncios já estavam à flor do barulho do silencio. Seus calçados já estavam à flor dos pés e com um odor insuportável.
                Um dos homens caiu por terra. Um companheiro, na hora que se agachou para ajudá-lo, não aguentou levantar-se e também foi ao chão.
                Eram mais dois cadáveres.             
                Seus amigos prosseguiram a viagem para o infinito, para o abstrato. Quanto mais andavam, mais encontravam entradas. Caiu outro por terra, vomitando sangue e fome ao mesmo tempo. Ninguém podia ajudar a ninguém. Ninguém podia se ajudar. Era cada um por ninguém. Eles não mais raciocinavam.
                Depois de muito andarem, encontraram uma cachoeira. Um após outro, os homens lançaram-se nas águas turvas indo parar diretamente num redemoinho. Depois de muito girarem, foram ao fundo do lago, para não mais voltarem. Tinham descido pelo funil. Viveriam agora como peixes, se é que os peixes querem viver como os homens. Tinham fugido de uma guerra e encontraram a paz na morte.
                Todos aqueles que penetram na intimidade do desespero, a única saída é a morte.


Gilberto Nogueira de Oliveira

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