jeudi 28 juin 2012

O FANTASMA DA PENUNBRA

Por Gilberto Nogueira Oliveira


Nazaré, 26-11-1969
Todos que passavam, fugiam apavorados. A tensão e o suspense dominavam toda aquela zona inculta. As trevas do horror e da superstição, ali rondavam, dia e noite, incansavelmente. A noticia espalhava-se com a suavidade intranquila ou como a velocidade da luz.
                As mulheres gritavam:
                -Se eu fosse homem, isso já teria acabado, porque eu já teria enfrentado.
                Ninguém se atreve a transpor os limites do Diabo, exceto os que levam o Diabo no próprio corpo, que é o Diabo propriamente dito.
                Ninguém confiava em ninguém, por ordem do fantasma da penumbra. Para todos, cada um era o fantasma. Uns fugiam dos outros e todos fugiam de todos. Havia até os que fugiam de si mesmos.
                Pais fugiam de filhos, irmãos de irmãos, maridos de mulheres, com receio de serem destruídos pelo que não existe. Era mais fácil eles serem destruídos por coisas existentes naquele lugar como: a fome, a incultura, o auto racismo enfim, a miséria total.
                Nunca existiu o fantasma da penumbra. Ele é apenas um ilusão de óptica que tem todos os miseráveis na hora negra da vida, que é a vida inteira.
                A hora negra da vida é apenas uma vida, que para o miserável livrar-se dela, expulsa-la de seu corpo é preciso o gesto covarde da auto destruição ou suicídio. Este é o modo mais simples dos miseráveis expulsarem o espírito ou a alma de seu corpo, pois até o espírito é miserável.
                Para que o corpo continue em harmonia, primeiro é preciso alimentar a alma.

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