jeudi 17 mai 2012

Crônica da Urda


É MUITO DIFERENTE, HOJE, IR-SE A MACHUPICHU!
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(Excerto do livro "Viagem ao Umbigo do Mundo, publicado em 2006)


No outro dia era o dia de ir a Machupichu, isto é, para quem quisesse. Como também já descrevi Machupichu no livro “Entre condores e lhamas”, já citado mais de uma vez mais para trás, vou aqui me limitar a contar que o acesso a Machupichu mudou muito desde que lá fora a primeira vez. Em 1993 fora até lá em animado trem cheio de peruanos e turistas, onde ambulantes vendiam gostosas comidas e um galo cantava alegremente dentro de um balaio. Onze anos depois as coisas tinham mudado muito.  Para se pegar esse alegre e animado trem, atualmente, é necessário ser-se peruano. Como uma das famílias limeñas que estava no encontro de Motociclismo resolvera também ir a Machupichu naquele dia, Kako, o rapaz de Porto Alegre, com seu jeitão de salteador espanhol juntou-se a eles, disfarçou-se de peruano ... e foi a Machupichu por 25 soles, o que dá mais ou menos 20 reais (8 ou 9 dólares).
                                   Pessoas de outras nacionalidades interessadas a ir a Machupichu, atualmente, podem fazer duas opções: um trem de 90 dólares ou outro de 120 dólares. O de 120 dólares tem, inclusive, teto solar, e champanha francesa a rodo. Nós que fomos, fomos no de 90 dólares, triste trem sem choclo com queijo para comprar, sem galo cantando dentro de um balaio, só cheio de gente solene, ilhada em pequenos grupos de línguas diversificadas, que não tinham como se comunicar.
                                   O saltar do trem, no sopé da montanha onde, no alto, fica Machupichu, foi outra surpresa: onde no passado houvera o pequenino povoado de Águas Calientes e um ou outro artesanato para comprar, agora virara uma feira de artesanato, com centenas de lojinhas e vendedores vendendo todo o tipo de artesanato possível e imaginável que o Peru produzisse. Aquele era um lugar estreito e apertado entre duas montanhas, onde mal e mal passava o trem e havia um minúsculo povoado, não comportava toda aquela gente, todo aquele artesanato e toda aquela balbúrdia. Se os Filhos do Sol sonhassem que um dia o seu mundo seria assim invadido!   

Observação:
Descobri, depois, que se for de ônibus atéa estação seguinte de trem, pode-se continuar pegando o alegre e colorido trem para Machupichu, aque todo animado, e que custa 25 soles. 

Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela FPR

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