vendredi 30 mars 2012

Crônica da Urda

Falando com a minha mãe



                                                           (Para Minervina Klueger, minha mãe)                               



Sabe, mãe? Há coisas, agora, que já não tenho para quem contar. Há coisas que eu fazia ou vivia pensando em como contaria para a mãe, e que agora faço ou vivo sem ter mais nenhuma pessoa que se interessaria em saber a respeito. Talvez, a Margaret, mas ela foi-se embora da minha vida quando a Valentina era um bebê, e a Valentina já vai fazer 9 anos.

                                   Eu visitei meu primo Ralf Passold em novembro do ano passado e gostaria de poder contar para a mãe como foi, pois a mãe sempre queria saber tais coisas, mas agora já não tenho para quem contar. Então, escrevo.

                                   O Ralf está morando numa cidade chamada Aurora, numa localidade chamada Fundos Aurora. É muito longe de tudo – desde o centro de Aurora (que é minúscula) até lá são uns 15 km.  O Ralf comprou uma casa de negócios, uma construção enorme, que tem um bar e uma cancha de bocha. É aquele o único local de encontro da população local, além de duas igrejinhas, talvez três, pois deve ter a luterana também. O que vi foram a católica e a Assembléia de Deus. Então, nos sábados à noite, que é quando estive lá, algumas pessoas aparecem para tomar um refrigerante ou uma cerveja porque “já não agüentam mais ficar em casa sem ver ninguém”. Enquanto eu estava lá o Ralf falou para alguns clientes se já haviam conhecido a escritora Urda, etc. E, incrivelmente, lá naquele fim de mundo, as pessoas tinham meus livros e os liam!

                                   Eu disse fim de mundo, mas é um fim de mundo muito bonito. Passeei com a Iraide ao por do sol e tudo é tão bonito, por todos os lados! E para se chegar a Fundos Aurora, a maior parte da estrada está plantada, de ambos os lados, de rosas de Santa Rita. É uma iniciativa incipiente de turismo rural.  Com Iraide, vi duas ou três propriedades que já não eram rurais, mas casas de campo de gente que não era dali. E o Ralf tem um cachorrinho, e o Atahualpa estava comigo. Se a mão soubesse como o Atahualpa ficou grande, bonito e inteligente!

                                   Sobre o Atahualpa eu posso falar para outras pessoas, pois muitas o conhecem, e estou até escrevendo um livro sobre ele. Mas a quem mais interessara saber que fui visitar o Ralf e a Iraide? É em momentos assim que sinto a falta da mãe.   



                                   Blumenau, 25 de agosto de 2010.





Urda Alice Klueger

Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR




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