lundi 13 février 2012

Rememórias neste Sábado Morno

(Enviado por Clevane Pessoa Lopes)


Já havia visto estas Mensagens Poéticas do Ademar, com um de meus poemas, em meu endereço do Yahoo, para onde o caro amigo potiguar as envia..
Adorei reler trova Vasques Filho-quando eu era jovenzinha, ele me mandou uma carta, de Fortaleza para Juiz de Fora, "de homem para homem", a respeito de um artigo meu sobre minissaia.Não sabia que eu era uma jovem .Meu pai e eu achamos graça e respondi-lhe numa folha de papael cor-de-rosa, explicando.Ele e eu passamos a trocar cartas literárias longuíssimas, trocando poemas e desenhos, ele enviava sonetos maravilhososo dentro de cartões com suas aquarelas, eu o publicava em minha página literária da Gazeta Comercial , em Juiz de Fora-MG-nos Anos Sessenta.
Conto isso em alguns lugares -e depois de sua morte, o filho mandou-me seu livro póstumo, porque encontrou, na Internet, minhas referências à essa amizade, entre um Desembargador e uma jovem de menos de vinte anos.Ele foi um grande incentivador de minha carreira literária: versou para o espanhol e mandou poemas meus para a revista Tamaulipas, no México, indicou-me parra Delegada Ad Honoren do Instituto de Cultura America (ICA), cujo Presidente, o Barã o Elias Domit, que passou a também manter correspondência artístico-literária comigo, foi-me renomeando para cargos outros e eles também colocaram-me na ARIEL (Associação de Livres Pensadores).Um país repsentava o outro, de forma que eu representava o Uruguai, Portugal.
Os agentes da nossa Ditadura , com sua censura mão de ferro, abria meus envelopes, pois eu , pelos Correios-não havia Internet, lembrem -se- intercambiava por toda a América Latina, em especial onde havia representantes e delegados .Chegavam a rasgar pedaços de minha correspondência cultural.Eu nem desconfiava disso.
O Barão de Domit , irritado, porque queria nomear-me Secretaria geral-algo assim- ameaçava-me brandamente, mas algo irritado, porque a "Srta de Araújo", eu , mandava envelopes sem data e abertos, rasgados ou razurados.Claro, eu era uma jovem caprichosa, que estudara em colégio de freiras e jamais faria algo assim coim missivas e manuscritos.Um dia, ele escreveu algo como -"a menos que haja censura em seu País". Tenho a correspondência, em grande parte, preservada e lia-a para o Poeta Claudio Márcio Barbosa , que me visitava para cuidarmos de detalhes do Paz e Poesia, nosso grupo .Ainda espero publicar em livro,esse testemunho de como era ser censurado , na Imprensa, o que contei na PUC de Betim -MG (Poesia em Cores Vivas) junto aos poetas Wagnner Torres e Rogério Salgado, dialogando com professores e estudantes, a convite da aluna de Letras e Poeta Luciana Tannus, que organizara o evento (adoramos, Wagner Torres saiu murmurando "meorável, Memorável") , também nna PUC Coração Eucarístico em Belo Horizonte (Nona Semana de Comunicação, Vertígios-com Wagner Torres, meu primeiro editor , representante dos Direitos Humanos , muitos alunos e alguns de militares) e também já escrevi rememórias a respeito de meu tempo de repórter (há um e-book chamado-"Nas Velas do Tempo"-Memórias de uma repórter na Ditadura (*) , na verdade, um capítulo de livro ainda inédito.
Na redação da Gazeta Comercial, o editor chefe, Paulo Lenz, repassava-me magníficos exemplares da revista Américas, da OEA, já em papel couché e colorida.
Eu as intercambiava, quando ganhava duplicatas , recebia material em espanhol.Na verdade, talvez fosse esse o crime maior, que lhes dava direito, aos cerceadores da liberdade de ser, de abrir meus envelopes e censurar minhas informações meramente culturais.

 Quando iniciei a correspondência epistolar com Vasques Filho,enviei-lhe uma trova que dizia:

Sobe o morro o caixãozinho
levando o recém nascido:
morreu sem nehum carinho
-volta ao céu sem ter vivido ...

Ele emocionou-se e contou-me que vivera em Juiz de Fora, e que ao ler a trovinha, lembrava-se do Morro da Glória- uma outeiro que levava à bela Igreja da Glória - onde minha mana e eu nos casamos e batizamos as crianças (eu, o primogênito Cleanton Alessandro , nos Anos 70 pois o segundo, Gabriel, foi à pia batismal em S.Luiz, Maranhão, onde morei nos anos 80), pois o Cemitério da Glória era ao lado da igreja.Cito que foi com uma pintura desse cemitério, que o grande Carlos Bracher , na juventude, ganhou um prêmio de Viagem ao estrangeiro, indo estudar em Paris.
Também após a linha férrea perto da Fábrica de tecidos Industrial Mineira, ficava, do lado oposto, o Colégio Santa Catarina, onde estudei e escrevi poemas em plena aula de aritmética, aos dez anos e irritando a professora da matéria...

Por esse tempo, Luiz Otávio, o Príncipe dos Trovadores Brasileiros, com quem eu também mantinha correspondência , passava, com Aparício Fernandes, pelas cidades brasileiras, localizando trovadores, para a UBT .Aparício depois, datilografava as trovas, mandava-nos a cópia para aprovarmos e as lia em programa de rádio, no Rio de Janeiro-ele morava em Santa Tereza, onde nos anos 70, fui visitá-lo com meu primeiro marido, o trovador Messias da Rocha. Aparício Fernandes,era um entusiasta das "Pequenas Notáveis", conforme sempre as chamei -o que agora repetem muito- e as reunia para antologias gigantescas, "Trovadores do Brasil",por exemplo.Ou "O Rei dos Reis".Estou nelas, com muito orgulho .Luiz Otávio , em nossa casa do bairro Marianao Procópio ,pediu-me , depois de falar com meu pai, que assumisse a presidência da UBT em Juiz de Fora.Perplexo, papai lhe disse minha pouca idade e eu indaguei "por que eu ?" .Ele disse que as UBTs e os Grêmios trovadorescos estavam em contendas e ciúmes, e que verificara que eu me dava bem com todos os trovadores, publicava-os indistintamente, independentemente ds facções.Ele buscava a Paz pela Trova.Um pioneiro.Fosse hoje , pela Internet, tudo seria diferente, mas menos humano e próximo, creio...E foi assim , que moça ainda, convivi em meio ao renomado grupo de trovadores de Juiz de Fora.Éramos todos do NUME_Núcleo Mineiro de Escritores, aonde eu ia todos os dias, depois de trabalhar na redação da Gazeta Comercial , ministrar aulas, etc. Fui jurada de um concurso internacional com tema "cego" e foram vencedores ,a poeta-trovadora portuguesa Maria Helena (com J.G.de Araújo Lopes, escreveu "Concerto a Quatro Mãos") e Ludgero Nogueira, trovador deficiente visual .E o concurso teve a maior lisura...Interessante é que sempre tive o maior respeito dos poetas adultos, talvez porque muitas vezes, comparecesse assessorada por mamãe , que papai era de criação "à antiga": "moça direita não anda sozinha à noite", decretava .Mas minha mãe era uma companhia adorável e eu não me importava em que estivesse comigo nesses encontros.

Também me recordo de José carlos de Lery Guimarães, o grande trovador de Juiz de Fora, que tinha um programa de rádio chamado Contraponto, na Rádio Industrial, que num concurso de ilustrações , ditava algumas trovas por dia e repetia as anteriores-até completar cem , o que nos fez decorá-las.Fiz dois cadernos com as trovas e seus autores, manuscritos e meus desenhos a bico de pena (sim , não havia Internet!) .A entrega das premiações foi no Vice-Consulado de Portugal, onde mais tarde fui aluna de Cleonice Rainho, em seu curso de Literatura Portuguesa-maravilhando-me com as centenas de livros doados por Portugal, que nos chegaram da fundação Calouste Goubenkiam-montanhas de livros , a maioria antigos, com páginas de papel-jornal ainda :lembro-me sentada ao chão e manuseando tudo, Cleonice rindo e logo emprestou-me um livro de Camilo Castelo Branco ).
No dia da entrega de prêmios , eu, que era muito tímida , pedi a meu mano Luiz Máximo Pessoa de Araújo, que fosse representar-me.Chamaram meu nome e lá se foi ele, recebendo palmas- o que ele contou aos poetas presentes, inclusive talentosos irmãos Macedo (Ademar e Francisco) , em Natal, no ano de 2010, quando fui conhecer os confrades e confreiras da SPVA-RN (Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN) , por ocasição do I Encontro de Ercritores de Língua Portuguesa. A capital do RN faz parte da UCCLA (União de Cidades capitais de Língua Portuguesa) .E houve um belo evento, onde extremamente comovida , recebi placa "pela contribuição à Língua Portuguesa" -uma ação da capitania das Artes da prefeitura com a cita UCCLA.
Depois de terminado o evento, os irmãos Macedo com Deth Haak (que armara esse dia maravilhosos com a Vereadora Socorro, de lá) , Vilmaci Viana e Zelma Furtado Medeiros acompanharam-me à minha terra natal, São José de Mipibu, onde a Câmara Municipal recebeu-me a portas abertas.Onde ouvi emocionada, poetas e seus sotaques, estilos, fraternidade, dando-me as boas vindas .E confraternizei com minha família, que mora em Natal-e que eu não via há tempos.
Ao retornar a Belo Horizonte,onde moro, abri um blog chamado Árvore entre Raízes, onde narrei tudo, minha rememórias e inúmeras fotos .O blog simplesmente, desapareceu e por mais que eu reclamasse, jamais o devolveram.
Foi então que rememorei a terrível censura à época da Ditadura.Sob que censura, em tempos de Internet, eu estou? Desde quando falar de Cultura , de lembranças, é crime? Já perdi outros blogs, descobri a ação de hackeres, em um caso, mas na maioria das vezes, é apenas a ação individual de pessoas que não suportam o trabalho alheio, brincam de prejudicar, sem lembrar que a verdadeira riqueza está dentro de nós, que criamos sem copiar ou plagiar nada, apenas garimpando nossas próprias reservas de vivências...E essa , não se pode desmanchar...
Por que escevi tanto? lembranças são semeaduras. Eis a messe imediata, com meu agradecimento pela publicação de meu poema pelo Ademar e indiretamente, por Singrando Horizontes...

Clevane Pessoa de araujo Lopes
Sábado,11 de fevereiro de 2012

O poema publicado por Singrando Horizontes, onde faltou um "nos"-talvez por uma das minhas "clevanices de digitação":
 

Simplesmente Poesia


Rasgos
–CLEVANE PESSOA/RN–

Às vezes somos motivados por um nada
aparente
noutras, agimos por todos os motivos
- novos e antigos...
Em certas ocasiões, estamos compromissados
aos amigos
mas noutras, o que fazemos, de fato,
é para atingir os inimigos...
Mágoas, dissabores, sendo omisso ou valente,
o ser humano vai esboçando seu próprio retrato
quando age de uma forma ou de outra forma
quando se revolta ou quando se conforma
quando obtém fracassos ou se enche de glória...
E é em cada rasgo de personalidade
que nós nos diferenciamos dos demais
para escrever a nossa própria história
atracando ou nos afastando
de nosso próprio cais...

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