samedi 31 décembre 2011

O dia do juízo sobre nossa cultura?

Leonardo Boff
Teólogo e Filósofo

O final do ano oferece a ocasião para um balanço sobre a nossa situação humana neste planeta. O que podemos esperar e que rumo tomará a história? São perguntas preocupantes pois os cenários globais apresentam-se sombrios. Estourou uma crise de magnitude estrutural no coração do sistema econômico-social dominante (Europa e USA), com reflexos sobre o resto do mundo. A Bíblia tem uma categoria recorrente na tradição profética: o dia do juízo se avizinha. É o dia da revelação: a verdade vem à tona e nossos erros e pecados são denunciados como  inimigos da vida. Grandes historiadores como Toynbee e von Ranke falam também do juízo sobre inteiras culturas. Estimo que, de fato, estamos face a um juízo global sobre nossa forma de viver na Terra e sobre o tipo de relação para com ela.
Considerando a situação num nível mais profundo que vai além das análises econômicas que predominam nos governos, nas empresas, nos foros mundiais e nos meios de comunicação, notamos, com crescente clareza, a contradição existente entre a lógica de nossa cultura moderna, com sua economia política, seu individualismo e consumismo e entre a lógica dos processos naturais de nosso planeta vivo, a Terra. Elas são incompatíveis. A primeira é competitiva, a segunda, cooperativa. A primeira é excludente, a segunda, includente. A primeira coloca o valor principal no indivíduo, a segunda no bem de todos. A primeira dá centralidade à mercadoria, a segunda, à vida em todas as suas formas. Se nada fizermos, esta incompatibilidade pode nos levar a um gravíssimo impasse.
O que agrava esta incompatibilidade são as premissas subjacentes ao nosso processo social: que podemos crescer ilimitadamente, que os recursos são inesgotáveis e que a prosperidade material e individual nos traz a tão ansiada felicidade. Tais premissas são ilusórias:  os recursos são limitados e uma Terra finita não agüenta um projeto infinito. A prosperidade e o individualismo não estão trazendo felicidade mas altos níveis  de solidão, depressão, violência e suicídio.
Há dois problemas que se entrelaçam e que podem turvar nosso futuro: o aquecimento global e a superpopulação humana. O aquecimento global é um código que engloba os impactos que nossa civilização produz na natureza, ameaçando a sustentabilidade da vida e da Terra. A conseqüência é a emissão de bilhões de toneladas/ano de dióxido de carbono e de metano, 23 vezes mais agressivo que o primeiro. Na medida em que se acelera o degelo do solo congelado da tundra siberiana (permafrost), há o risco, nos próximos decênios, de um aquecimento abrupto de 4-5 graus Celsius, devastando grande parte da vida sobre a Terra. O problema do crescimento da população humana faz com que se explorem mais bens e serviços naturais, se gaste mais energia e se lancem na atmosfera mais gases produtores do aquecimento global.
As estratégias para controlar esta situação ameaçadora praticamente são ignoradas pelos governos e pelos tomadores de decisões. Nosso individualismo arraigado tem impedido que nos encontros da ONU sobre o aquecimento global se tenha chegado a algum consenso. Cada pais vê apenas seu interesse e é cego ao interesse coletivo e ao planeta como um todo. E assim vamos, gaiamente, nos acercando de um abismo.
Mas a mãe de todas as distorções referidas é nosso antropocentrismo, a conviccção de que nós, seres humanos, somos o centro de tudo e que as coisas foram feitas só para nós, esquecidos de nossa completa dependência do que está à nossa volta. Aqui radica nossa destrutividade que nos leva a devastar a natureza para satisfazer nossos desejos.
Faz-se urgente um pouco de humildade e vermo-nos em perspectiva. O universo possui 13,7 bilhões de anos; a Terra, 4,45 bilhões; a vida, 3,8 bilhões; a vida humana, 5-7 milhões; e o homo sapiens cerca de 130-140 mil anos. Portanto, nascemos apenas há alguns minutos, fruto de toda a história anterior. E de sapiens estamos nos tornando demens, ameaçadores de nossos companheiros na comunidade de vida. Chegamos no ápice do processo da evolução não para destruir mas para guardar e cuidar este legado sagrado. Só então o dia do juízo será a revelação de nossa verdade e missão aqui na Terra.
 

PARA ONDE CAMINHAMOS?


                                            Votos para outro ano...

Não sei se caminhamos! Vejo-nos enterrando a cabeça até a altura do peito. O que fica de fora parece ser a parte responsável pela história que fazemos. Uma história sem sentido que perde a estrutura mínima para ser recontada.
Em que parte dessa trajetória dita humana enterramo-nos tão profundamente?
Criamos redes virtuais para interagir e dizer de nós mesmos, dos outros e até do que não sabemos.
Usamos nossa criatividade para explorar o inexplorável considerando ainda a parte de nós que ficou para fora.
Discutimos se violência é maltratar um cachorro ou um humano, e qual é o critério para condoer-se por um e por outro, ou mais por um do que pelo outro como se A VIDA não fosse a condição básica a anteceder a discussão.
Que 2012 seja melhor!
Melhor em quê? Para quê? Qual o parâmetro para esse desejo tão necessário?
 Vestimo-nos de festas e defesas, bandeiras e argumentos cutucando-nos com o fundo do próprio umbigo que ficou estrangulado entre as bordas da terra que nos engole. E não falo da Terra, planeta vivo e maltratado, falo da terra escura de nossa inconsciência compactada por algum material interno que "tomou" a massa humana em forma de arquétipo do mal. Sim, do mal. E se ele existe está aí a personificar-se descabidamente em fatos com os quais nos acostumamos vertiginosamente mais rápido, mais rápido, mais rápido! O padrão de tempo de comoção diante de situações aviltantes e violentas que descrevem nosso cotidiano se esfacela em fagulhas de olhares "superficiais", típicos do "já estou acostumado com isso", "nem quero ver para não sofrer", "existem outras coisas mais sérias do que essas...". Coisificamos a nossa vida em termos de tempo e espaço para a dor, para a indignação, para a compaixão, para a justiça.
Os que estão com o pescoço para fora da terra escura e cimentada, ou pensam que estão, ou querem ficar com ele na linha do horizonte precisam ainda conviver com a cortina de poeira densa que os pés dos coisificados e acostumados levanta do alto de suas certezas:" cada qual cuida de si mesmo que isso já está para além de muito bom". Além da sintaxe quebradiça, da semântica capenga e inadequada, essa frase carrega séquitos de adeptos: ventríloquos sem voz, malabaristas da vida sem palco, insensíveis palhaços que estrangularam o motivo do riso.
 Tinge-se o oceano de sangue em nome da tradição, matam-se curdos em nome da fé, abandonam-se bebês por excesso de amor, executam-se animais por razões quaisquer, esvazia-se o estômago e a alma de milhares de irmãos pilhados e empilhados na história que não muda. 
Estamos todos no mesmo lugar.
Que 2012 seja melhor!
Em quê? Para quem?
Há momentos em que rio tristemente das profecias que vêm e vão datando com exatidão matemática o final do planeta e da raça humana, assustando e promovendo o mercado dos absurdos na contramão da lógica, factual e provável: fazemos esse "fim de mundo" acontecer todos os dias com grande impacto e pouca indignação.
Para mim, as profecias são metáforas das leituras diretas da caminhada que executamos enquanto seres meio enterrados, enterrados e meio, muito enterrados ou tentando o desenterro. Ainda para mim _ não desejo convencer quem quer que seja com as elucubrações de minha parte exposta e esperneante_, as profecias funcionam como as fábulas, as parábolas, as histórias com fundo moral e que nem sempre chegam ao leitor no tempo certo.
Certo? Não sei, só estou a dividir-me para não vivenciar a loucura sozinha.
Mas eu sinto esperança e é esse o meu problema.
A parte fora do arquétipo cimentado em terra funda quer ver além das linhas já escritas, dos textos prontos, das palavras ditas, do sangue que mancha as pegadas que ainda não deixei.
Quero olhar nos olhos da vida. Quero sentir corações, quero olhar sentimentos, quero tocar a sensibilidade que nos diferencia das samambaias. Não, das samambaias não! A ciência provou a sensibilidade dessa planta remanescente da era triássica. A samambaia é forte. Eu não sou. Não quero ver os dinossauros desaparecerem enquanto eu me refaço. Não quero passar mais uma noite pensando nas dores que não alcanço do sofá macio de minha sala.
Eu preciso de enfermeiras, de gente, de crianças, de cachorros, e amo lagartos e lagartixas.
Queria poder olhar dentro dos olhos da adolescente torturada pelas colegas e queria sentir o coração das meninas que se enterraram juntas em história tão violenta e triste.
Queria parar os passos da arma que chegou à escola de Realengo antes, antes, muito antes de ela ter acordado naquele dia.
Queria que as crianças que voltaram para a CASA ETERNA tivessem escolha quanto ao momento de sua passagem e ao como gostariam de ir.
Queria, infantilmente queria... como nas historias que podem ter um final feliz para repetidamente continuarem a ser historias contadas e aumentadas.
Queria ter os pés plantados sobre as pálpebras... talvez assim me conscientizasse do peso de meu olhar, das pegadas que deixo nos olhos que encontro e do rumo que dou à minha caminhada.
Mas Deus, em sua perfeição sabe que preciso evoluir para ter esse direito.
O que fazer ate lá?
Continuar com os lugares comuns ocupados pelas palavras que não saem do coração?
Não consigo. Sou parente da samambaia e meus olhos ardem com a dor que não tem nome, mas que eu vi passar do outro lado da rua. Não posso dizer de meu desejo insano e descabido de salvar o mundo, pois estaria confessando problemas passíveis de tratamento psiquiátrico, de ego megalomaníaco e narcisista _ e eu tenho muitos outros problemas piores do que esses. Mas confesso que apesar de todas as terapias feitas eu SONHO COM O MUNDO SALVO, seja por quem quer que seja, até por mim mesma, pois eu OPTO por acreditar que a ESPERANÇA é um ser que anda por aí, batendo de porta em porta, travestida de todas as coisas e conceitos dos quais não se gosta e nem se quer aceitar.
Para mim, a ESPERANÇA tem olhos brilhantes e sinceros, tem pelos e patas e rabo e focinho e orelhas, nadadeiras, asas, raízes, folhas, ama alguém do mesmo sexo, tem todas as cores e tamanhos, já sofreu "bulling", já foi encontrada dentro de um saco ainda com o cordão umbilical, já foi violentada e deixada para morrer, foi espancada por dizer-se feminina, foi alvejada por identificar-se masculina e pior..., muito pior, ela acredita no que escolhe acreditar e tem FÉ NA VIDA.
Sim, para mim a ESPERANÇA É UM SER RECHEADO DE FÉ PURA, SEM DOGMA, SEMARTIFÍCIOS, SEM RITUAIS. NÃO COBRA DÍZIMOS, NÃO TEM SINÔNIMOS, NÃO PRATICA NEPOTISMO, NÃO ARREBANHA VOTOS.
A ESPERANCA tem ficha-limpa, tão limpa que custa-nos vê-la do lugar em que estamos.
Não consigo escrever cartões de FELIZ ANO NOVO. Sinto uma vontade irritante de discutir o sentido das três palavras e a junção que se faz com elas e... o que faz com elas aquele que as lê.
Um novo ano! Preciso aprender a caminhar, a desenterrar minha cabeça e a escrever cartões.
Que a ESPERANÇA me ensine por onde começar todos os dias.
                                     
                                      30 de dezembro de 2011
                                   Por   Ivane Laurete Perotti Mac Knight

FELIZ 2012

Por Inês Carmelita Lohn

O ano findou
E o trem chegou
De uma longa viagem
Não importa a janela
Que olhamos as paisagens
O que importa é saber
Em qual dos vagões
Está a nossa bagagem.


  

CARTÃO DE ANO NOVO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Como eu já disse em outra oportunidade, a gente recebe um monte de entulho pelo correio eletrônico, mas às vezes chegam coisas espetaculares. Recebo da minha amiga Fátima de Laguna um clipe do Youtube que é um belíssimo cartão de Ano Novo. É uma música cantada por Sandra de Sá, por um cantor de Cabo Verde, Ilo Ferreira, e vários outros cantores e instrumentistas de diversos países, como Buenos Aires, Chile, India, Espanha, Jamaica, etc.

A música é linda, cantada em português e uma outra língua que eu não consegui identificar, talvez seja bengalês, mas não tenho certeza. E digo que é o cartão de Ano Novo ideal, porque a letra é simples, mas diz muito, diz tudo o que queremos para o nosso futuro, para o futuro do ser humano e do lugar onde vivemos.

Vejam alguns trechos: “Peço a Deus / que os homens encontrem / os seus sonhos perdidos / e que os sonhos despertem / esses olhos dormidos / que o amor transborde / e que vamos em paz. // Peço a Deus / que nos mande do céu / muita sabedoria / um amor verdadeiro / que ninguém passe fome / um abraço de mãos / que vivamos em paz / que terminem as guerras / e também a pobreza / Encontrar alegrias / entre tanta tristeza / que a luz ilumine / as almas perdidas / e um futuro melhor.” Alguém já tinha traduzido um cumprimento entre os seres humanos como “um abraço de mãos”? Pois é.

Não é lindo? Não é a mais pura verdade? Não é o que todos queremos, o que todos pedimos? Como disse a minha amiga Fátima: Natal é isto: gente unida pela música. Parafraseando Mercedes Sosa: “a paz é cantarmos todos juntos!”

O nome do clipe é Satchita (acho que é o nome da música) e o endereço é http://www.youtube.com/embed/XMkaBN3x5AM

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