vendredi 30 décembre 2011

VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO É ENTREVISTADA POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Natural de Campo Sales, Ceará, Varenka de Fátima Araújo reside em Salvador-BA. Morou na cidade Antenor Navarro, Souza, no estado da Paraíba e Picos no estado do Piauí; Muxiopo, Fortaleza e Juazeiro do Norte no Ceará, onde concluiu o primário. Mudou-se no ano de 1969 para a cidade de Salvador, onde concluiu o segundo grau. Iniciou a carreira acadêmica de Diretor Teatral, formou-se dirigindo a peça “Ato Cultural” em 1982. Trabalhou em inúmeras peças de teatro como maquiadora, figurinista, atriz. No período de novembro a janeiro de 1982 e 1983, trabalhou como professora de teatro na cidade do Panamá, América Central. Regressou para Salvador, trabalhou na Escola de Belas Artes, cursou licenciatura em Desenho, participou de exposições coletivas e individuais. Com a gravura do Padre Cícero, participou da Bienal de Aracaju. Pediu transferência para a Escola de Dança, aperfeiçoou na dança do ventre, fez apresentação em teatro e eventos. Em 2005 começou a publicar em antologias. Atualmente trabalha como Figurinista na Universidade Federal da Bahia.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
VARENKA: Nasci em Campo Sales, Ceará. Tantos anos em Salvador, já me considero baiana de coração.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
VARENKA: Uma parte do sul, centro oeste e nordeste do Brasil e Panamá, capital do Panamá, na America Central.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
VARENKA: Escrevo desde a adolescência, eram poemas e acrósticos para amigas, depois em telas que presenteava, escrevi meu diário; em 2001 publiquei poemas na revistinha Antepitta  - extinta - e jornal da Aliança Francesa; em 2005 comecei a publicar em antologias; em 2011 o meu primeiro livro de poesias, “Ela em versos”.
VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
VARENKA: Escrevo mais poesias, prosas são realistas. Gosto de escrever sobre pessoas, cidades e amor.


VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
VARENKA: Penso que meus livros fiquem com as páginas amarelas de tanta serem lidos, que os leitores gostem e comentem, passem para outros lerem, quanto mais lido meu livro será uma recompensa.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
VARENKA: Sobre a realidade, ficção.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
VARENKA: Gosto de escrever sobre a minha pessoa. Da minha vivencia e observação sobre o mundo. Adoro escrever mais na aurora e pela manhã em casa.
VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
VARENKA: Este verso:

No inverno, o amor é canção.
Cai a chuva... O amor aquece o dia
Cai a neve, intensifica o amor
Vem a noite me envolvo em teus braços
Amo a maneira como te entregas

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
VARENKA: Às vezes sim, outras vezes demora de vir a inspiração.
VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
VARENKA: “VERMELHO E BRANCO NO PRETO”. Porque fiz a relação da cor com meninas que pariam no papel preto.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
VARENKA: Sim, me formei em Diretor teatral, pretendo seguir carreira na literatura.


VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
VARENKA: Autores que admiro: José de Alencar, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, Aninha Franco, Monteiro Lobato.
Autores contemporâneos: Carlos Alberto Barreto, Malu Freitas, Valdeck de Almeida de Jesus, Arlinda Moscoso, Benjamin Batista Filho, Simião Sousa, Denise Barros, Marcos Toledo, Jacqueline Aisenman, Leandro de Assis, Miriam de Sales, Carlos Souza.
Máximo Gorki, da Rússia, Arlete Piedade, de Portugal.
VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
VARENKA: Saber o português, depois ler bastante literatura, política, notícias do mundo, jornais, revistas, cartazes e até frases escritas no para-choques dos ônibus.


VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, não gostaria de usar um pseudônimo?
VARENKA: Sim, uso o meu nome verdadeiro, não uso pseudônimo meu nome soa forte, gosto muito.

VALDECK: Como foi a tua infância?
VARENKA: Fui pobre, magrela, brinquedos confeccionados por mim e minhas irmãs, muitas mudanças devido a transferências do trabalho do meu pai, que ganhava o suficiente para vivermos. Quando estávamos bem numa cidade, deixava tudo para trás, vivíamos como ciganos.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
VARENKA: Minha diversão é a arte e a literatura.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
VARENKA: A poesia “Salvador”, publicada no “Prêmio Valdeck Almeida de Jesus 2009”, em Salvador-BA.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritora?
VARENKA: sim, trabalho como figurinista.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
VARENKA: Sim. Paz, harmonia, educação, amor e sobre os males que afligem o planeta Terra.

VALDECK: Qual sua Religião?
VARENKA: Católica.

VALDECK: Quais seus planos como escritora?
VARENKA: Em 2012, publicar um livro de contos e crônicas e pretendo continuar publicando.
(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com

Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 26/12/2011
Alterado em 26/12/2011

CHEGANDO A IQUIQUE

 (Excerto do livro "Viagem ao Umbigo do Mundo", publicado em 2006)


 Então, 10 quilômetros antes de chegarmos à cidade seguinte, estava lá a garrafa de Coca-Cola.


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                                   Num país como aquele, de leveza, beleza, colorido e mistérios, acho que fica bastante complicado para o Capital mostrar quem é que manda (ou pensa que manda). Assim, 10 quilômetros antes de cada cidade chilena, pelo menos na parte que conheci, o Capital tem que botar a sua marca, tão forte como um cachorro que demarca seu território em todos os postes do entorno. Então, 10 quilômetros antes há uma grande, enorme garrafa de Coca-Cola, creio que de uns 10 metros de altura, com uma placa indicando: “Cidade tal – 10 km”. Dessa vez a cidade era Iquique, e a marca estava ali entre o mar e o deserto bem como tinham estado os mistérios. Bem como o cachorro e o poste.
                                   Passou a haver alguns vestígios de que haveria uma cidade: alguém andava fazendo tentativas de fazer viver no deserto uns pobre fiapos verdes que talvez um dia se tornassem árvores. Alguém construíra ... UM CAMPO DE GOLFE na areia colorida e revolta do deserto – quem seriam os fanáticos por golfe que jogariam naquele lugar? Aquilo era muito estranho para mim – na minha cabeça, campos de golfe eram sempre feitos de grama verdinha e bem aparada. 
                                   Para quem anda a 110 km/h, os 10 km que faltavam para Iquique passaram num instante, e daí a pouquinho estacionávamos em luxuoso posto de gasolina onde harleyros chilenos já nos esperavam, naquela cidade balneária tão bonita, cercada por detrás por uma duna tão imensa que se pode pular de asa delta do alto dela. Se um dia aquela duna começar a se mexer, penso que Iquique sumirá do mapa rapidamente, apesar de ser uma cidade bastante grande. Quem nos esperava era o harleyro Francisco Martinic com sua esposa e mais outro companheiro, e eles nos prestaram diversos serviços, como fazer uma revisão geral no Land-Rover, por exemplo, além de já ter providenciado reservas de hotel para nós, etc. .
                                     Diria que os donos de Harley-Davidson funcionam como uma confraria, e se um harleyro ou um grupo deles passa por uma cidade ou país onde há outro ou outros harleyros, aqueles fazem tudo para facilitar a vida do viajante. Assim, quando fomos recebidos naquele posto de gasolina por Francisco Martinic e sua gente, diversas necessidades já haviam sido aplainadas para nós. Tudo estava tão bem programado que não tínhamos nada com que nos preocupar. Como ainda era um pouco cedo, e só dali a umas duas horas poderíamos nos apossar dos nossos aposentos no hotel próximo, simplesmente fomos passear. Deixamos as motos num estacionamento e combinamos nos encontrarmos todos, de novo, na hora tal, no lugar tal. E cada um tomou seu rumo, quer dizer, não foi bem assim. Eu tomei meu rumo, mas pelo que soube depois, todos os outros companheiros foram juntos para um shopping-center, e depois fiquei um tanto quanto escandalizada ao saber que os meus amigos tinham ido a Iquique nas garras do consumismo, e no shopping-center haviam comprado coisas que poderiam ter comprado sem problemas no Brasil, como botas e jaquetas. Estaria errada eu ou estariam errados eles? Está aí uma coisa para você decidir, pois quem sou eu, também, para dizer o que os amigos devem fazer? O fato é que dei uma espiada no shopping-center e vi que ele era igualzinho a qualquer outro no mundo, e então retrocedi rápido, fui à vida, fui espiar uma manifestação que estava acontecendo na rua principal, por causa de uma greve de funcionários públicos. Fiquei um bocado de tempo ali, vendo as pessoas e ouvindo os discursos e as palavras de ordem, e entendi que as gentes chilenas eram bastante parecidas com as gentes brasileiras, quando se tratava de tais coisas.
                                   Procurei saber mais, então: havia um museu de Arqueologia naquela cidade? Poxa, se havia, e era até bem perto! Em pleno centro da cidade havia toda uma região que era como uma viagem ao passado, conservada como deve ter sido, talvez, no século XIX ou começo do século XX, com lindas casas perfeitamente conservadas, separadas umas das outras por largos espaços que sugerem que um dia foram jardins, e calçadas e calçamento que também devem ser originais dos tempos das casas – é um visual muito lindo e romântico, e naquela região há uma comprida feira de artesanato ao longo da rua. O museu que eu procurava era um pouco mais adiante.
                                   Uau, que museu! Era dirigido por um padre arqueólogo, com quem conversei um pouquinho, mas que estava muito ocupado. O padre organizara a história daquele oásis habitado há milhares de anos em forma de cenários que se auto-explicavam, e eu não queria mais sair de lá! Só que não podia ficar sempre – havia o encontro com os companheiros, e o meu tempo já estava curto.
                                   Registro que quando nos reencontramos os companheiros estavam preocupados comigo, achando que eu talvez houvesse me perdido. Nossos elos aumentavam, o espírito de família que acabaríamos formando se acentuava. Os seres humanos são solidários.
                                   Hospedamo-nos num lindo hotel que ficava de frente para uma linda praia, com direito a todas à muitas mordomias, inclusive Internet livre, etc. Em pouco tempo eu verificava a minha caixa-postal e escrevia o diário que mandava para o Brasil, e vi-me sem ter o que fazer. Estava num enorme e agradabilíssimo apartamento muito bem bem decorado em cores claras, numa imensa cama onde caberiam umas cinco pessoas, sozinha e isolada como a gente costuma ficar em hotéis. Quando viajo do meu jeito costumo ficar em Albergues da Juventude, onde as amizades acontecem rápida e facilmente, mas aos meus companheiros  agradava mais os hotéis. Li um pouquinho de um livro de Teoria Política que levara junto, mas não estava me concentrando. Então fui até os amplos janelões e fiquei a observar o mar, aquela praia rara na costa do norte do Chile, e por fim voltei à Internet. Passei uma mensagem para meu sobrinho que vive em Joanesburgo, África do Sul: “Mteka, entra na página do Hotel Holiday Inn e procura o hotel de Iquique, Chile. No quarto andar, numa das janelas, a tua tia está te abanando.”  Coisas que a gente inventa quando não tem o que fazer.

                                                            Texto de Urda Alice Klueger
                                                   Escritora, historiadora e doutoranga em Geografia pela UFPR               

Que venha mais uma volta

Por Elaine Tavares

O mês de dezembro não foi bolinho. Perdi amigos, uma parte do Campeche se foi, muitas foram as derrotas. E, se voltar no tempo, verei que essas coisas igualmente aconteceram nos demais meses. Não é fácil ser Mariazinha do passo errado. Mas, essa foi minha escolha, então, não há o que lamentar.
Nosso planetinha fez mais uma órbita em torno do sol. E nós com ele. Agora, outra órbita vem, nesse eterno retorno. Poderia desejar tantas coisas incríveis aos amigos e camaradas, mas não sei se devo. A grande aventura humana é esse surpreendente devir, com todas as suas coisas boas e más.
Hoje, enquanto cozinhava senti aquilo do qual fala nosso poeta popular, Odair José: um momento feliz. Mexia as panelas cantando em altos brados a canção sertaneja, de Lourenço e Lourival, “franguinho na panela”, e me emocionava. Porque essa é a doce/triste/bela/cruel realidade de tantos milhões de seres no mundo. O cachorro Steve Biko acompanhava meu cantar, esparramado no chão. Os gatinhos bebês faziam uma algaravia no meu pé, querendo um naco de qualquer coisa. Bartolina, a gata, dormitava na rede. Zumbi, o gato, lagarteava ao sol. Os homens que amo cuidavam, cada um, de alguma coisa da casa, numa azáfama ruidosa. O sol brilhava, uma leve brisa passava, a comida cheirava um leve e picante cheiro de curry. Os passarinhos cantavam, voejando alegres, invadindo a cozinha. A vida seguia seu indefectível curso.
Aquele foi um momento único, contemplação da mais pura beleza. Um instante, desses que perdura para a eternidade. Nada fora do lugar, tudo pleno. Quando a música silenciou eu soube. É isso que faz com que tudo valha a pena. Um segundo, um instante, um momento de completa felicidade.
Então, é o que desejo a cada um dos amigos. Que possam viver essa plenitude em algum átimo da vida. Porque isso faz valer a caminhada nesse mundo tão cheio de dor e desencanto. Caminhar na beleza, como ensinam os navajos, caminhar na beleza... ainda que seja por um só segundo!
Que venha 2012... Aqui esperamos... Com música, sonhos e força para seguir rasgando as manhãs!
Compartilho o Lourenço e Lourival...



Existe vida no Jornalismo
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