mercredi 21 décembre 2011

LIVRO: HORAS OU MOMENTOS



HORAS OU MOMENTOS – Para Você, é um livro de - crônicas, contos e fábulas -  que celebra a vida..
Autora: Alice Luconi Nassif
Suas histórias estão contaminadas pela formação filosófica da autora. Também, estão impregnados de mensagens que despertam e conduzem seus leitores a viagens alegres ou tristes dependendo do grau de imaginação de cada um. Narram pequenos contos, crônicas e fábulas sobre o amor, o riso, a alegria, a superação, a comédia, mas também falam sobre a dor, o sofrimento, a traição, a morte... Os leitores vão gostar, talvez, até se identificar com algum dos temas apresentados. Seus textos retratam vivências que acontecem todos os dias no cotidiano humano na nossa moderna sociedade.

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UM FINAL FELIZ

MOR

Depois de um preparativo para que acontecessem fundação e instalação da Academia de Letras do Brasil em Florianópolis, na Ilha da Magia, com aquela bela festa do dia 13 de dezembro de 2011, um marco para as letras do estado de Santa Catarina.
A sua fundação foi e, é um momento de grande valia, uma integração das escolas com os escritores e poetas a formar uma sociedade critica, uma sociedade politizada na defesa dos seus direitos diante dos poderes que administram nosso país, do nosso estado, do nosso município, para o bem estar de todos seus cidadões.
Esta sementinha plantada nesta ilha que tem em seu bojo uma rica história desde a chegada dos primeiros navegadores a aportarem seus barcos nas belas enseadas desta majestosa ilha, que sempre foi denominada Ilha da Magia por seu rico folclore, suas histórias de todos os gêneros seu linguajar, seu falar cantado.
Tudo como uma herança do povo Açoriano que aqui aportaram, trazendo suas histórias, seu modo de vida, daquelas Ilhas Vulcânicas, em pleno Oceano Atlântico começando primeiro em São Miguel e depois em Santo Antonio de Lisboa, no Ribeirão da Ilha, São José da Terra Firme, até nossos dias.
Hoje a cultura está em todas as classes sociais, sempre amparadas pela qualidade da educação, que lhe é imposta, quer pelo poder aquisitivo, quer pelo poder público, que detém a obrigação de disponibilizar a todo o povo de seu país, como prevê nos CF/88, “a educação é um direito de todos e uma obrigação do poder público em todas as esferas”, logo este poder é responsável pela boa qualidade e pela má qualidade de nossa educação.
Somos um país continente, com varias facetas culturais em suas extensões, se somos homogêneos pela língua usada, mas ela ele tem vários falares que distingue as regiões brasileiras cabe as academias culturais sem distinção aproximar a todos a conhecerem melhor este movimento da cultura brasileira.
Dois mil e onze foi o ano da luz, como a luz daquela estrela na noite de Natal a brilhar sobre aquele estábulo onde nasceu Jesus, que esta estrela brilhe sobre nossa ilha, como brilha o Cruzeiro do Sul a nos dar alento de sempre ir em frente e nunca recuar em nossas tarefas culturais.
Como já falei muito pelo meu tamanho desejos a todos os nossos Confrades e Confreiras e os amigos que aqui compartilham desse belo momento cultural Um Feliz Natal e também Um Próspero Ano Novo de 2012. Deste modesto escriba.  

São José/SC, 20 de dezembro de 2.011.

O SUBLIME MISTERIO DAS ROSAS

Por Gildo Oliveira


Falar é fácil.
Falam mesmo as provas
com que o destino
nos coloca presentes no mundo
para vivenciarmos
o sublime mistério das  rosas !




Rosas viçosas, belas, formosas,  
 sábias;
rosas dos mais sublimes e belos
matizes de cor e  luz;
rosas eminentemente rosas!



Rosas perfumadas, serenas,
rosas-mãe, rosas pródigas,
rosas que prometem, renunciam,
que se dedicam ao homem
por toda uma vida
com desprendimento e espiritualidade;
rosas que encantam com doçura e
amabalidade.



Rosas abnegadas que abdicam
dos dotes da formosura em  prol
de uma causa nobre , uma missão
no mundo; rosas noturnas...



rosas-aurora, anunciando a chegada
do Sol, senhor da vida, solenemente!
Rosas angelicais expressando as mais sublimes
palavras de amor, candura!





Rosas companheiras que caminham
com o homem em sua evolução
contínua no cosmo; vitalizando
a marcha ascencional triunfante
da alma pelas veredas do espírito
universal; verdadeiros laços
fraternos são edificados no coração.



Rosas que fascinam e fazem cair
o homem; rosas que o levantam;
rosas altruístas, ativas, voluntárias,
irmãs; rosas que morrem com grandeza
de espírito , deixando para o mundo
 uma eterna lição de vida!



Rosas mal cuidadas, sem trato;
esquecidas, enfraquecidas,
envelhecidas, isoladas,
desiludidas, ultrajadas,
discriminadas, violentadas,
surdas, mudas, cegas...



as que não conseguem mais caminhar;
as portadoras de doenças incuráveis
que sofrem na vigília e na solidão da noite.


Rosas martirizadas,
que suportam com coragem
indomável provas severas.

Almas elevadas, sublimadas,
iluminadas, santificadas,
rosas verdadeiramente
espiritualizadas, perenes,
para sempre lembradas!

Rosas pioneiras, rosas modernas;
rosas obreiras, guerreiras,
incansáveis, que trabalham
sem medir esforços, sem descanso;
o verdadeiro esteio da família;
rosas mensageiras do amor!


Rosas de luz, que pelo dom especial,
sabem conduzir, com maestria,
as primeiras palavras aos pequeninos,
frágeis, indefesos numa sala de aula...



Rosas que compartilham a vida
com a comunidade inteira,
acendendo em cada mente a centelha
para o aprendizado eterno;rosas educadoras;
rosas mestras;a nossa querida
professorinha,saudade!



Rosas que lavam feridas
e cicatrizam chagas; que
atenuam dores e trazem consolo
à alma; sabem ouvir, silenciar;
e no momento oportuno dar uma
palavra amiga!



Rosas que assistem os enfermos
nos leitos, consultórios, em toda parte
com uma prece nos lábios e um sorriso
largo, dourado; sempre prestativas;
rosas cuidadoras, anjos de cura!


Rosas que pela iniciação
renascem com autoconsciência
trazendo para o homem o dom
da percepção dos mundos espirituais
graças às maravilhosas flores de
Lótus do corpo astral e dos fluxos
e movimentos poderosos do corpo
etérico;do vibrante órgão do verbo interior
no solo sagrado, o coração.



Rosas devotadas, confiantes,
que não se intimidam diante
da solidão; e reconhecem
na clausura a grande oportunidade
para alcançar profundas vivências
espirituais...




rosas vivas dos monastérios;
o dom inabalável da fé edificante
na busca ao Cristo Jesus.


Rosas que despertam
 espiritualmente em almas gnósticas;
estrelas desafiando órgãos sensoriais
e intelecto; arte humana sublime
se revelando ao coração.



A Rosa das rosas,
a divina virgem Maria,
a Imaculada Conceição,
nossa querida mãe,
com seu manto protetor,
amorosamente nos guia.




Rosas que enfeitam a vida
e também a morte;
rosas que transcendem
a compreensão humana.



Brilham na cruz as rosas,
esplêndidas, eternas,
espirituais, maravilhosas,
anunciando a vitória do espírito
sobre a morte, trazendo para
a alma humana decaída a cura
e a redenção pela graça, misericórdia
e doação infinita do divino mestre,
Cristo Jesus, o maior exemplo de amor
em toda a evolução da Humanidade.



O destino nos coloca diante das rosas
para o fiel cumprimento das provas
pelas quais precisamos passar, antes
da missão espiritual que temos de realizar...



por isso, a rosa da nossa missão de vida
na Terra deve ser cultivada por nós,
verdadeiramente, com muito amor;
para que um dia, já com maturidade espiritual,
possamos reconhecê-la enfim, em nós mesmos
com uma extensão natural nossa...



e com ela, juntos, plenos, altivos,
espirituais e justos, possamos proseguir
durante séculos e milênios,
por toda a Eternidade,
pelas amplidões espirituais infinitas
retornando ao celeiro do Pai.




Núpcias celestiais,
tesouros do Céu e da Terra,
novamente unidos
à luz da perfeição,
agora com  autoconsciencia,
alma e espírito; assim
viverá o  ser humano!

Fotocolagem de Madhu Maretiore: Meu Fauno

O DIA DE FAZER DOCES-DE-NATAL

Urda Alice Klueger

Hoje em dia, qualquer supermercado vende doces-de-Natal, em saquinhos de plástico ou bandejinhas, de modo que as donas-de-casa já não precisam mais gastar um precioso domingo de Dezembro para fazê-los.
Na minha infância, porém, fazer doces-de-Natal era um dos rituais do Advento. Eles eram feitos num Domingo, quando toda a família estava em casa e podia ajudar, e gastava-se um dia inteiro na sua confecção.
Eu nunca gostei de acordar cedo, e, assim, quando saía da cama, minha mãe já estava preparando a primeira massa do doce-de-Natal, misturando os ingredientes de uma receita que ainda possuo, antiga receita que, calculo, tenha séculos de existência. Era uma massa amarela, em que ia trigo, ovos, açúcar e outras coisas, e que levedava com sal amoníaco, estranha coisa que se comprava por grama, na venda mais próxima, à qual chamávamos de “salamonico”.
A casa da gente virava de pernas para o ar, no dia de fazer doces-de-Natal, com a mãe da gente a fazer massas e mais massas, o pai da gente a esticar as massas com o rolo de macarrão, e a gente a fazer confusão, cortando as massas esticadas com forminhas de ferro, transformando-a em pinheirinhos, papai-noéis, anjos e estrelas. Cada figura cortada era colocada em formas de fazer cuca, velhas formas enegrecidas pelo tempo e pelo forno, nas quais se passava gordura e se polvilhava com farinha-de-trigo, antes de deitar nelas os docinhos.
Chegava, então, a vez do forno, grande forno de tijolos onde se fazia pão nos tempos normais, nas que naquele dia de confusão ficava lotado de formas e mais formas de doces-de-Natal. Era necessário vigiar-se o forno para que os docinhos não assassem demais, ao mesmo tempo que se continuava fazendo massa, esticando massa, cortando massa, a mãe da gente brigando porque se estava cortando errado a massa, todo mundo ficando nervoso dentro de casa quando a coisa se acelerava com as primeiras formas saindo do forno.
De tarde, vinha a parte melhor: docinhos assados, era tempo de enfeitá-los. Havia uma receita de glacê própria para eles, e punha-se todo o mundo a bater glacê, e nós, crianças, lambíamos mais glacê do que batíamos, e de novo a mãe da gente ficava braba e a gente saia apanhando. Glacê pronto, gente grande, responsável, como minha mãe e meu pai, passavam o glacê cuidadosamente em cada docinho, enquanto que nós, crianças, ficávamos encarregadas de enfeitar os doces com açúcar colorido. Cada cor de açúcar era colocado num tigelinha de pirex, e nós íamos escolhendo as cores e enfeitando os doces. E claro que botávamos tanto açúcar colorido na boca quanto no glacê fresco, ficando com a língua azul, roxa e verde, e antes de acabar a atividade, todos já tínhamos apanhado de novo.
Formas e mais formas de doces enfeitadas voltavam ao forno, para secar o glacê, e lá pelo final da tarde estávamos com um gloriosa coleção de doces-de-Natal prontos. Com um suspiro, minha mãe os guardava em grandes latas que existiam exclusivamente para isso, onde eles se manteriam como novos por muito tempo, e a cada dia comeríamos alguns, e eles durariam até lá por Janeiro ou Fevereiro.
Cansada de se incomodar conosco o dia inteiro, minha mãe nos mandava para o banho e ia fazer o jantar. Continuávamos com as língua roxas, azuis e verdes, e tínhamos, cada um, apanhado diversas vezes naquele dia, mas que dia feliz que tinha sido! Aquele dia de fazer doces-de-Natal era a certeza de que o Natal estava chegando mesmo, de que Papai Noel logo viria, de que a magia chegara definitivamente e estava no ar, acima de nós, esperando pela noite de Natal.
Depois do banho, já com roupas limpas, bem passadas a ferro, dávamos um jeito de nos comunicarmos com os primos da vizinhança – doce-de-Natal era uma coisa que se fazia em quase todas as casas no mesmo dia – e todos eles estavam com as língua coloridas, todo tinham apanhado, e todos estávamos felizes. Então ouvíamos as cigarras cantando nas árvores próximas, e sabíamos o quanto aquele dia fora bom!
Fico com muita pena quando vejo, hoje, os doces-de-Natal prontos, nos supermercados. Perdemos um dia lindo das nossas tradições – as novas gerações já não lambem mais tigelas de glacê, nem apanham mais das mães num dia de Dezembro cheio de cigarras cantando.


Blumenau, 08 de Dezembro de 1997.

Urda Alice Klueger é escritora, membro da Academia Catarinense de Letras.

O Natal de antigamente: velho e sempre novo

Leonardo Boff
Teólogo/ Filósofo


Venho de lá de trás, dos anos 40 do século passado, num tempo em que Papai Noel ainda não havia chegado de trenó. Nas nossas colônias italianas, alemães e polonesas, desbravadoras da região de Concórdia-SC, conhecida por ser a sede da Sadia e da Seara com seus excelentes produtos de carne, só se conhecia o Menino Jesus. Eram tempos de fé ingênua e profunda que informava todos os detalhes da vida. Para nós crianças, o Natal era culminância do ano, preparado e ansiado. Finalmente vinha o Menino Jesus com sua mulinha (musseta em italino) para nos trazer presentes.
A região era de pinheirais a perder de vista e era fácil encontrar um belo pinheirinho.  Este era enfeitado com os materiais rudimentares daquela região ainda em construção. Utilizavam-se papel colorido, celofã e pinturas que nós mesmos fazíamos na escola. A mãe fazia pão de mel com distintas figuras, humanas e de bichinhos, que eram dependuradas nos galhos do pinheirinho. No topo havia sempre uma estrela grande  revestida de papéis vermelhos.
Em baixo, ao redor do pinheirinho, montávamos o presépio, feito de recortes de papel que vinham numa revista que meu pai, mestre-escola, assinava. Ai estava o Bom José, Maria, toda devota, os reis magos, os pastores, as ovelhinhas, o boi e o asno, alguns cachorros, os Anjos cantores que dependurávamos nos galhos de baixo. E naturalmente, no centro, o Menino Jesus, que, vendo-o quase nu, imaginávamos, tiritando de frio, e nos enchíamos de compaixão.

Vivíamos o tempo glorioso do mito. O mito traduz melhor a verdade que a pura e simples descrição histórica. Como falar de um Deus que se fez criança, do mistério do ser humano, de sua salvação, do bem e do mal senão contando histórias, projetando mitos que nos revelam o sentido profundo do eventos? Os relatos do nascimento de Jesus contidos nos evangelhos, contem elementos históricos, mas para enfatizar seu significado religioso, vem revestidos de linguagem mitológica e simbólica. Para nós crianças tudo isso eram verdades que assumíamos com entusiasmo.
Mesmo antes de se introduzir o décimo terceiro salário, os professores ganhavam um provento extra de Natal. Meu pai gastava todo este dinheiro para comprar presentes aos 11 filhos. E eram presentes que vinham de longe e todos instrutivos: baralho com os nomes dos principais músicos, dos pintores célebres cujos nomes custávamos de pronunciar e riamos de suas barbas ou de seu nariz ou de qualquer outra singularidade. Um presente fez fortuna: uma caixa com materiais para construir uma casa ou um castelo. Nós, os mais velhos, começamos a participar da modernidade: ganhávamos um jipe ou um carrinho que se moviam dando corda, ou um roda que girando lançava faíscas e outros semelhantes.
Para não haver brigas debaixo de cada presente vinha o nome do filho e da filha. E depois, começavam as negociações e as trocas. A prova infalível de que o Menino Jesus de fato passou lá em casa era o desaparecimento dos feixes de grama fresca. Corríamos para verificá-lo. E de fato, a musetta havia comido tudo.
Hoje vivemos os tempos da razão e da desmitologização. Mas isso vale somente para nós adultos. As crianças, mesmo com o Papai Noel e não mais com o Menino Jesus, vivem o mundo encantando do sonho. O bom velhinho traz presentes e dá bons conselhos. Como tenho barba branca, não há criança que passe por mim que não me chame de Papai Noel. Explico-lhes que sou apenas o irmão do Papai Noel que vem para observar se as crianças fazem tudo direitinho. Depois conto tudo ao Papai Noel para ganharem um bom presente. Mesmo assim muitos duvidam. Se aproximam, apalpam minha barba e dizem: de fato o Sr. é o Papa Noel mesmo. Sou uma pessoa como qualquer outra, mas o mito me faz ser Papai Noel de verdade.
Se nós adultos, filhos da crítica e desmitologização, não conseguimos mais nos encantar, permitamos que nossos filhos e filhas se encantem e gozem o reino mágico da fantasia. Sua existência será repleta se sentido e de alegria. O que queremos mais para o Natal senão esses dons preciosos que Jesus quis também trazer a este mundo?
Leonardo Boff é autor de O Sol da Esperança: Natal, histórias, poesias e símbolos, Editora Mar de Idéias, Rio de Janeiro 2007.

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