mardi 20 décembre 2011

JACQUELINE AISENMAN É ENTREVISTADA POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Jacqueline Aisenman nasceu Soares Bulos, filha de Richard e Terezinha Marta, em Laguna (SC) em 1961. Foi redatora e revisora de diversos jornais em Santa Catarina, diretora do Departamento de Cultura e dos Museus de Laguna (Museu Anita Garibaldi e Casa de Anita). Estabelecida em Genebra, Suíça, desde 1990, trabalhou durante quase quinze anos na Missão do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e mais tarde foi funcionária de banco privado. Adotou de vez a escrita como profissão desde 2009. Já editou vários livros, voando solo e em bando. Entre seus livros: Coracional, Poesia nos Bolsos, Entre os Morros da Minha Infância, Lata de Conserva e Palavras para o seu coração. Prepara para 2012 os livros Briga de Foice e Adagas de Cristal. Criou em 2009 e até o presente momento edita, a revista literária eletrônica e o site Varal do Brasil, fazendo uma ponte de palavras entre o continente europeu e o Brasil. É diretora-proprietária da Livraria Varal do Brasil, sediada em Genebra, Suíça, é especializada em autores de língua Portuguesa.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
JACQUELINE: Nasci na cidade Laguna, Santa Catarina. Terra de Anita Garibaldi e Jerônimo Coelho entre tantos outros.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países? Você mora na Suíça, o que a fez mudar para o exterior, como foi isso?
JACQUELINE: Conheço do Brasil bem menos do que gostaria de conhecer. Durante minha infância, como meu pai era representante de empresa farmacêutica, viajávamos muito com ele. Morei parte da minha infância no Paraná: Curitiba, Ponta Grossa e São José dos Pinhais. Vim para Suíça em 1988 e retornei para morar em 1990. Devo dizer que, como parte de minha família é originária de Genebra e aqui morava na época, minha vinda para cá foi como um retorno às origens.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
JACQUELINE: Escrevo desde menina. E bem pequena. Ali pelos cinco anos de idade já escrevia histórias que mostrava ao meu avô Abelardo, o qual, muito crítico, me dava dicas de como melhorar os textos!

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
JACQUELINE: Penso que escrevo a vida. E a vida nem sempre é realidade, nem sempre é sonho. É um misto dos dois. Escrevo poesia e prosa, pois vejo poesia em tudo e em tudo há sempre uma história. Gosto de observar as pessoas, os fatos, de relembrar sonhos e imaginar situações.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
JACQUELINE: Minha ideia é de que o leitor é livre por completo, ele pode vir comigo, viajar em meus textos ou conservar sua distância. Compromissos levam a obrigações e acho que o leitor não gostaria de ler algo em que as obrigações ficariam implícitas.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
JACQUELINE: Gosto do cotidiano. Gosto da poesia do cotidiano.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
JACQUELINE: Valdeck, escrevo em qualquer hora do dia, em qualquer lugar onde esteja. Pode ser na agenda, num envelope de carta, numa ponta de papel. No carro, no avião, na rua, em casa, qualquer lugar e qualquer hora mesmo. Só não me sinto viva se não escrever.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
JACQUELINE: Gosto de muita coisa, sou eclética. Mário Quintana, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Luís Fernando Veríssimo, Adélia Prado, Chico Buarque. Ultimamente tenho lido muitos autores novos e tenho adorado! Trechos, não lembro nem do que escrevi hoje mesmo. Sou péssima para isto!

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
JACQUELINE: Sou rápida, não faço rascunhos. Já disseram que sou prolífera! Não reescrevo o que escrevi. O que foi feito, está feito!

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
JACQUELINE: Coracional. Porque passei anos da minha vida escrevendo e guardando, não queria mostrar para ninguém. Perdi meu único irmão em 1994 e só em 2007 nasceu meu livro Coracional. Justamente no ano em que partiram minha mãe e meu pai. Foi um longo e doloroso parto.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
JACQUELINE: Por opção, não concluí a faculdade que cursava, Pedagogia. Cheguei a trocar por Direito, mas decidi na época que trabalhar era muito mais importante para mim, já que tinha minha filha pequena e em seguida veio meu filho. Não me arrependo. Na minha vida, procuro viver o presente e arrependimentos você só tem se fica voltado para o passado. Quanto à literatura, é o que tenho feito desde 2009 com a revista Varal do Brasil e com meus livros. De 2009 para cá foram cinco livros.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
JACQUELINE: Admiro os novos autores, os que estão tentando viver suas paixões pela literatura e lutando num meio que não é fácil para ninguém. Tenho conhecido muitos atualmente, na revista e na livraria Varal do Brasil e também em feiras e encontros. Alguns continuarão e um dia gritarão vitória, outros verão a paixão desaparecer. É emocionante.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
JACQUELINE: Ler, ler muito, ler de tudo e o que puder. Não é possível querer escrever bem e não ler.

VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, não gostaria de usar um pseudônimo?
JACQUELINE: Meu nome completo é Jacqueline Bulos Aisenman. Para escrever apenas retirei o sobrenome do meio para ficar mais simples. Não sinto necessidade de pseudônimos, mesmo que já tenha brincado com isto várias vezes.

VALDECK: Como foi a tua infância?
JACQUELINE: Foi imensa, complexa, rica, importante. Tenho até um livro recente que conta um pouco dela. Pretendo reeditá-lo, intitula-se Entre os Morros da Minha Infância.

VALDECK: Você tem um espírito jovem e inquieto, como gasta o tempo? Como fica a diversão e a família?
JACQUELINE: Trabalho muito, mas como faço o que gosto, é sempre um imenso prazer. Escrevo sempre que posso. Mas a família sempre terá o primeiro lugar na minha vida.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado?
Quando foi e onde?
JACQUELINE: Confesso uma coisa: qualquer texto meu que seja publicado me dá grande alegria. Seja um poema, uma crônica, um conto. Em jornal, blog, revista. Quando vejo meu nome ali escrito me dá uma sensação boa, de gratidão por existirem pessoas que estejam lendo o que escrevi!

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritora?
JACQUELINE: Sou proprietária de uma revista digital, a Varal do Brasil, na qual sou também redatora e editora. E sou diretora-proprietária da Livraria Varal do Brasil, aqui em Genebra. E agora temos também o Selo Editorial Varal do Brasil.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
JACQUELINE: Não. Apenas escrevo. As interpretações são livres e pertencem ao leitor.

VALDECK: Qual sua Religião?
JACQUELINE: Sou uma pessoa de fé, muita fé.

VALDECK: Quais seus planos como escritora?
JACQUELINE: Neste momento estou preparando dois livros, Briga de Foice, que já está na editora para fevereiro de 2012 e Adagas de Cristal, mais para o final do ano. Também estou preparando um livro sobre o meu pai que se intitulará Sentimentos Confiscados.

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com

Fonte:
http://www.galinhapulando.com/visualizar.php?idt=3394904

Acadêmicos

MOR

Uma história a começar
Da cultura o ser pensante.
Para o mundo vai narrar
Da poesia um amante.

Memorizas de escol
Belo hino se formar.
Do canto o arrebol
A história vai marcar.

Mulheres e os homens
Idealista da cultura.
Heróis de seu pronome
Da poesia futura.

Mário Osny Rosa (MOR) Acadêmico cadeira n. 21 da ALB – Florianópolis – Santa Catarina

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...