mercredi 14 décembre 2011

A luta pela moradia em Florianópolis

Por elaine tavares  - jornalista

É dia de domingo na ilha de Santa Catarina. O sol está a pino e as praias estão cheias. Pela orla do mar circula uma gente bronzeada que chega de carro, joga frescobol e toma água de coco. Os hoteleiros celebram o início da temporada que promete trazer um milhão de pessoas para Florianópolis. Tudo está bem! De fato, essa é uma realidade que se aplica a alguns, mas gente há que, mesmo morando no “paraíso”, não consegue desfrutar da cidade. São as centenas de famílias que vivem hoje nas 64 comunidades de periferia do município. Nelas, 41% carecem de água, 80% não têm esgoto, 21% não têm luz, 5% sequer possuem banheiro dentro de casa e 21% não recebem coleta de lixo. Em pelo menos três delas, quase 300 famílias vivem a ameaça de remoção imediata (Vila do Arvoredo, Morro do Mosquito e Ponta do Leal) e em cada uma há gente que precisa sair, seja por estar em encosta de morro ou próxima a zona de alagamento. Esse é um tema que ninguém vê no jornal da noite da TV ou nos diários monopolizados pela RBS, porque essa gente que vive o drama do despejo e da moradia precária parece ser invisível ao poder.

Segundo dados da própria prefeitura a cidade tem um déficit habitacional de dez mil unidades. Um número pequeno, fácil de ser equacionado, se houvesse decisão política. Mas, no geral, as soluções dadas aos pobres sempre é de afastamento do centro urbano. Ficar na periferia sem “incomodar” a beleza do núcleo central é até possível, mas querer viver em lugares como na Praia dos  Ingleses (como é o caso da Vila do Arvoredo) aí já é demais né? Ou então ficar na Beira Mar como os moradores da Vila Santa Rosa. Como é que a especulação imobiliária vai viver? O certo é que na cidade de Florianópolis, onde os setores de serviços e do funcionalismo público são as estrelas, é o setor imobiliário que comanda o trem do “desenvolvimento”. Não é sem razão que nos últimos anos abundam os condomínios na beira das praias, destruindo dunas, vegetação e fauna. Um caso bem recente é o do Campeche, onde o rebaixamento do lençol freático por parte de uma empreiteira levou a comunidade a uma série de protestos. As construções arrasam tudo por onde passam, oferecendo uma natureza que deixa de existir depois de terminada a obra. São os paradoxos. Mas, os endinheirados que compram o sonho do apartamento em frente ao mar não se importam muito com isso.

Um passado de luta

A cidade de Florianópolis era um espaço pequeno e provinciano com uma sociedade bem demarcada. Os mais ricos viviam na área central, os pescadores ocupavam as praias e os empobrecidos se penduravam nas encostas que compõe o maciço do Morro da Cruz. Isso foi assim até o final dos anos 70 quando começou uma grande onda de migração. Era tanta gente que chegava que foi criado um Centro de Apoio e Promoção do Migrante, dirigido pelo padre Vilson Groh, visando dar suporte às famílias que faziam a seu êxodo do campo para o sonho de uma vida melhor na cidade. Mas, viver no litoral não era coisa fácil. A terra sempre foi uma espécie de luxo, possível só para alguns, e essa gente que chegava aos milhares não tinha alternativa a não ser ocupar os espaços ociosos e vazios. No início dos anos 80 o processo acelerou e foi com ocupações que nasceram as comunidades Chico Mendes, Vila Aparecida, Novo Horizonte, Monte Cristo e tantas outras que foram se erguendo pela força do braço das gentes, a despeito do horror dos empresários e das elites locais.

Quem não se lembra das dezenas de casebres que se erguiam a cada dia ao longo das margens da Via Expressa? Pois todos eles foram derrubados no governo de Espiridião Amin/Bulcão Viana (1989 a 1993). Não sai das retinas a expressão da dor daqueles que perdiam tudo o que tinham, e que era tão pouco. A proposta de Amin tinha sido de removê-los para Palhoça, mas aquela era uma gente que vivia do trabalho que fazia na zona central: catadores, faxineiras, jardineiros. Assim, não aceitaram e foram esmagados. Naqueles dias, essa luta travada pelo direito de morar fez nascer um número muito expressivo de lideranças populares que deram outra cara a vida política da cidade. Não foram poucas as marchas, as ocupações da Prefeitura, da Câmara de Vereadores. Foi quando nasceu o Centro de Educação e Evangelização Popular (Cedep), também dirigido pelo Padre Vilson, com o propósito de auxiliar na organização da luta popular. E, assim, na batalha direta, as famílias foram garantindo o direito de permanecer nos terrenos, de receber água e luz. Mas não foi coisa fácil.

O governo da Frente Popular, comandado por Sérgio Grando e Afrânio Bopré (1993 a 1997), que sucedeu a Espiridião Amin, foi muito importante no processo de regularização das comunidades bem como na organização popular. Implantando o orçamento participativo na cidade, o governo da Frente Popular mergulhou nos bairros, na periferia, nas comunidades de ocupação e potencializou a ação das lideranças que se formavam durante o processo. Esse foi um período muito rico de organização e luta popular em Florianópolis.  

Mas, se nos primeiros anos da década de 90 a cidade se organizou na periferia, a migração começou a diminuir. O governo que sucedeu a Frente Popular, com Angela Amin, (1997 a 2004), encontrou outra forma bem peculiar de estancar a vinda de famílias de outras regiões do estado. Fiscais barravam os migrantes diretamente na rodoviária, impedindo que chegassem à ilha e devolvendo para o local de origem. Esse mesmo governo também começou um processo de “limpeza” da cidade, que dava seus primeiros passos para o modelo de cidade-empresa. Houve um ataque sistemático aos moradores de rua, que começou com o fechamento de um albergue que funcionava bem no centro, na Rua dos Ilhéus. Sem aquele ponto de apoio os moradores de rua foram “convidados” a sair da cidade. Alguns deles apareceram mortos e os crimes nunca foram esclarecidos. Outros sumiram misteriosamente e nunca mais foram vistos. Os artesão e hippies que tradicionalmente ocuparam a Praça XV foram expulsos numa violenta ação policial. Acabava a era dos pobres ocupando a cidade. A partir de então, teria início outra proposta de governabilidade: a gestão, bem ao gosto da inciativa privada.  

Mobilidade

Foi também durante o governo de Angela Amin que teve início o processo de transporte integrado que hoje inferniza a vida daqueles que usam o transporte coletivo. A ideia de constituir um sistema de integração do transporte nasceu no governo da Frente Popular, liderado por Sérgio Grando, mas a implantação foi no mandato de Angela. A criação de uma série de terminais, supostamente de integração, aumentou o tempo das pessoas dentro dos ônibus, fazendo com que o deslocamento de um bairro até o centro passasse a ser uma odisseia. O que deveria ser para melhorar a mobilidade só piorou e provocou a segregação. A coisa chegou a tal ponto que, no final do mandato, a prefeita teve de enfrentar a primeira Revolta da Catraca, quando anunciou um aumento nas tarifas de um transporte que era muito ruim. A população, enfurecida, parou os terminais num movimento espontâneo que, mais tarde, liderado pelos estudantes secundaristas, chegou a levar mais de 15 mil pessoas para as ruas, garantindo o rebaixamento do preço. 

E foi justamente ancorado num discurso contra o sistema integrado e prometendo mudanças radicais que um candidato completamente fora do circuito de poder das tradicionais famílias políticas de Florianópolis, Dario Berguer, conseguiu vencer as eleições em 2004. Mas, ao contrário do que prometera, seguiu aprofundando a segregação das gentes no acesso a cidade. O transporte coletivo serve apenas para levar os trabalhadores ao local de trabalho, tornando inviável a mobilidade em outros momentos da vida. Para se ter uma ideia, tomar um ônibus num dia de domingo é tarefa para um santo. Uma pessoa pode levar um dia inteiro para se deslocar do norte da ilha até o sul. Além do mais, o preço da tarifa acaba segregando ainda mais. Uma família de quatro pessoas precisaria disponibilizar pelos menos 16 reais para uma ida à praia, por exemplo, e considerando que levasse sua comida e bebida de casa. Assim, o transporte segue sendo só um recurso para chegar ao trabalho. Sem condições de mobilidade a pessoa fica prisioneira do seu bairro o que acaba sendo bom para os negócios, assim, os pobres não “enfeiam” as praias.

A cidade real

Mas, apesar todos os esforços para segregar os pobres nas margens da cidade, nas periferias, nos cantões, as gentes insistem em fazer parte do grande banquete social. E não se deixam acossar sem luta. Um exemplo disso foi a grande batalha travada pelas famílias da Ponta do Leal, uma comunidade fincada na beira do mar do Estreito, sobre palafitas, num dos espaços mais cobiçados da capital. Com o pretexto da construção de uma nova Beira-mar a prefeitura iniciou um processo de despejo das famílias que vivem ali há mais de 40 anos, com o mesmo velho discursos de jogar todo mundo para bem longe do centro da cidade. Mas eles lutaram e conseguiram o direito de permanecer na mesma região.

No sábado (dia 10), durante um encontro que discutiu a situação da moradia em Florianópolis, vários líderes comunitários como Angela Liute, da UFECO, Vanusa Araujo Silva e Nivaldo Silva, da vila do Arvoredo, Gão, da Ponta do Leal, os professores Lino Perez e Werner Kraus, o ambientalista Gert Shinke, Joviano Mayer, das Brigadas Populares de Belo Horizonte, além de integrantes das Brigadas Populares de Florianópolis, ficou bastante claro que o acesso à terra ainda é uma questão bastante explosiva na ilha.

Desde há cinco anos que as comunidades vêm discutindo o novo Plano Diretor Participativo que, em tese, desenharia a cidade para os próximos anos a partir de uma ótica comunitária e popular. Mas, ao final, todo o processo foi desmontado pelo prefeito Dario Berguer, que preferiu chamar uma empresa de fora para desenhar o projeto, colocando por terra a organização de anos. No plano construído pelas comunidades há a preocupação com a demarcação clara das Zonas Especiais de Interesse Social, que são esses espaços originariamente de ocupação ou degradados, assim como uma proposta real de mobilidade humana, como bem conceitua o ambientalista Gert Shinke. Segundo ele, é muito importante que essas comunidades que hoje vivem os processos de desalojo se integrem na luta pelo Plano Diretor, para que suas demandas sejam incorporadas e atendidas.

O fato é que a cidade administrada por Dario Berguer não é a mesma que as comunidades querem. No mundo do poder, Florianópolis deve ser um lugar de grandes condomínios, de marinas, de prédios de alto luxo, hotéis de cinco estrelas, gente criada a Toddy. A terra, nesse universo, não pode ser usada para abrigar gente pobre. Ela é mercadoria de alto padrão e precisa ser usada apenas por quem pode pagar. Não é sem razão que as praias do sul, antes espaços bucólicos, estejam sendo transformadas em canteiros de obras, com prédios brotando nas dunas, nas restingas e nos mangues. E, para variar, burlando todas as leis ambientais sem que a municipalidade interfira. Também não é nova a luta que a sociedade trava para impedir que a Ponta do Coral, uma belíssima ponta de terra na Beira-Mar norte se transforme num espaço privado de turistas e gente endinheirada. Toda a cidade está transformada em uma vistosa mercadoria, exposta até mesmo nas novelas da Globo.

Ainda assim, essa cidade paralela, ou a cidade real que muitos tentam jogar para baixo do tapete, existe e insiste em fazer parte da vida cotidiana. Essa cidade quer ser, como lembra Joviano Mayer, das Brigadas Populares de BH, o espaço da festa, da obra humana coletiva, na qual a casa é a continuidade da rua, e não isso que aí está hoje: uma cidade de exceção, uma cidade-empresa, na qual a casa é o refúgio da violência que está lá fora. Joviano insiste que essa cidade como empresa é também a morte da política, porque tudo passa a ser decidido nos gabinetes. A luta popular tem, portanto, que virar esse jogo.

Nivaldo Araujo da Silva, da Vila do Arvoredo, entende que é chegada a hora de o movimento social recuperar sua força na luta pela moradia. “Não dá para aceitar o fato de que 15% das casas que estão nas praias estejam fechadas o ano todo enquanto o déficit de moradia é de sete ou dez mil unidades. Vejam que daria para pôr todo mundo dentro dessas casas e ainda sobraria casa”.

Esse processo deve tomar um impulso tão logo aconteça um seminário especial sobre a moradia, envolvendo as comunidades e as entidades que atuam nessa luta em Florianópolis. O Fórum da Cidade já está articulando o encontro. Enquanto isso, em vários pontos da cidade dezenas de famílias estão ameaçadas de ficar sem as suas casas. Uma realidade bem distante da alegria da beira da praia. O bom é que, enquanto alguns se deliciam sob o sol, há um exército de outros atuando no sentido de fazer avançar a garantia do direito a cidade. Porque essa gente que hoje vive sob a faca do despejo também tem direito a uma alegre tarde de sol, num desses domingos da ilha.  “Nós temos de discutir política, capacitar o povo, avançar, tomar a cidade. Essa é a nossa missão”, diz Vanusa, a aguerrida presidente da Associação de Moradores da Vila do Arvoredo. “Temos de abrir mão do ego, juntar as forças, porque só assim a gente vence. Nós estamos aí, na luta e não vamos desistir”, diz Gão, da Ponta do Leal. Com eles, vão também as Brigadas Populares e tantos outros militantes, apontando na direção de um novo momento da luta pela moradia na cidade. Um movimento que reivindique não apenas casa, mas também o direito de viver e circular por todos os espaços.

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre - www.iela.ufsc.br
Desacato - www.desacato.info
Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br

Resultado Oficial

Resultado Oficial da III SELETIVA NACIONAL DE POESIA PARA PREMIAÇÃO E EDIÇÃO DO LIVRO: III COLETÂNEA SECULO XXI EDIÇÃO 2012 PELO SISTEMA DE COOPERATIVISMO
NOSSO LEMA:AJUDE UM PESSOA A SORRIR MELHOR NESTE NATAL, PARTICIPANDO DA III COLETANEA SECULO XXI

 (será o décimo quarto livro da PoeArt Editora de Volta Redonda que desde 2006 já editou mais de uma centena de autores de diversas cidades do país.

OS ESTADOS PRESENTES: 16 + DF AL, BA, CE, ES, MA, MG, MS, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RS, RO, SP E DF

Os cinco Primeiros Colocados (os trabalhos e os seus autores em ordem alfabética)*:

Anna Amélia Apolinário de Almeida – João Pessoa – PB (Poesia: Epifania)
Poesia selecionada: Febre das musas

Clevane Pessoa – Belo Horizonte – MG (Poesia: Da Necessidade absoluta)
Poesias selecionadas: Das coisas animadas, não inanimadas, que soam aos ouvidos dos poetas
e Rememória

Elizabeth F. de Oliveira – São Luis – MA (Poesia: Extradição)
Poesias selecionadas: Clausura e Clarividência

Fernanda Espinha da Cunha – Rio de Janeiro – RJ (Poesia: Alma Plástica)
Poesias selecionadas: Somos e Onde estão os grilhões

Rosa Regis – Natal –RN (Poesia: Me enrosco em teus lençóis)
Poesias selecionadas: É como me sinto e Maria fumaça...


   OBS: (ENTENDA BEM): SOMENTE OS AUTORES QUE ESTAO NA COR VERMELHO E O SEU RESPECTIVO TRABALHO É QUE SERÁ PUBLICADO SEM ONUS ALGUM NA COLETÂNEA, DANDO-LHE O DIREITO A TRÊS LIVROS COMO PREMIAÇÃO, FOTO COLORIDA E DIPLOMA (CONFORME REGULAMENTO), ENTENDIDO???. OS TRABALHOS MENCIONADOS NA COR PRETA COMO OS DOS POETAS SELECIONADOS SÓ ENTRARÃO NO LIVRO PELO SISTEMA DE COOPERATIVISMO.
  
Os Poetas Selecionados e os seus trabalhos:
(autores em ordem alfabética)

Andre Pullig – Brasília – DF
Poesias selecionadas: Simplesmente poesia, escandalinda e ser poeta

Anna Maria de Avelino Ayres – Poços de Caldas – MG
Poesias selecionadas: Canção para um amigo, a ingazeira e apenas eu

Carmen Vervloet – Vitória – ES
Poesia selecionada: Língua portuguesa

Cibele Carvalho Teixeira – Rio de Janeiro – RJ
Poesias selecionadas: As palavras, meus poemas e poetas amam

Edílson Nascimento Leão – Urandi – BA
Poesias selecionadas: domingo triste, é tempo de amar e sentimento profundo

Emérita Andrade – Salvador – BA
Poesias selecionadas: Efêmera, fala-menos e benfazeja

Giuliano Ruchinsque Gomes – Canoas – RS
Poesias selecionadas: Quereres, ensaio e nem sempre

Harry Jung – Porto Alegre – RS
Poesias selecionadas: Aurora, duas asas e o pinheiro

Hideraldo Montenegro – Jaboatão dos Guararapes – PE
Poesias selecionadas: Identidade, o pombo e devir

Isabel Cristina Silva Vargas – Pelotas – RS
Poesia selecionada: Serenidade

Ivanúcia Lopes – Marcelino Vieira – RN
Poesias selecionadas: Cheganças, passatempo e a partida de um anjo

Jaak Bosmans – Belo Horizonte – MG
Poesias selecionadas: Ao tempo, eis o mistério da dúvida e pra depois

James Rios de Oliveira Santos – Jacarezinho –PR
Poesias selecionadas: Poesia, poeta e poema, fria noite e meu sertão

João José Gomes Martins – Marabá – PA
Poesias selecionadas: Fatal, asa da quimera e amor

Josane Peer – São Paulo – SP
Poesias selecionadas: Desfecho da incógnita, universo e a dois

José Alexandre Nunes da Costa – Teixeira – PB
Poesias selecionadas: Sombras da consciência, soneto da espera e alma de poeta

Julio Maciel Treiguer – Campinas – SP
Poesia selecionada: Crimes no paraíso

Laercio Ferreira de Oliveira Filho – Aparecida – PB
Poesias selecionadas: Canto negro e vazio augustiniano

Léo Vincey – Porto Velho – RO Poesias selecionadas: E disse adeus..., eu te amo tanto... e prece de uma criança

Edson de França – João Pessoa – PB
Poesias selecionadas: Um nome de mar, abraço aos nômades e prosa dos insones

Lidia Mello e Codo – São Paulo – SP
Poesias selecionadas: Angustiada, besouro e burguês

Lucia Helena Almeida – Machado – MG
Poesias selecionadas: Anônima, nos braços de um anjo e olhos peregrinos 

Lúcia Helena Pereira – Natal – RN
Poesias selecionadas: Do amor q fica, enquanto vc adormece  e do perfume de sua luz

Lúcio Rodrigues Junior – Tietê – SP
Poesia selecionada: Reflexão

Marcelo de Moura Miranda – Volta Redonda – RJ
Poesia selecionada: Que seja doce o dia quando eu abrir...

Marcos Cesar Alves de Toledo – Rio de Janeiro – RJ
Poesias selecionadas: Lamento, loucura e distancia

Maria Tomasia Middendorf – Rio de Janeiro – RJ
Poesias selecionadas: Nossa Luz, outono chegando e se pensares em mim

Mario Rebelo de Rezende – Rio de Janeiro – RJ
Poesias selecionadas: Mágico, bolhas de sabão e imagine

Marisa Helena Carneiro Ribas – Curitiba – PR
Poesia selecionada: Soneto ao primeiro amor

Mauricio Viana de Araujo – Uberlândia – MG 
Poesias selecionadas: Luzir, presente de um amante pai e passagem

Menulfo Nery Bezerra – Barra Mansa – RJ
Poesias selecionadas:  Nau sem rumo, tarde de setembro e manhãs juninas

Micael Araújo Andrade – Hortolândia – SP
Poesias selecionadas: Chuva, perfeitas emoções e alma suspensa

Nanda Gois – Maracanaú – Ceará
Poesias selecionadas: O amor se fez, o amor q tive e por você...

Nathalia Lucinda Chaves – Volta Redonda – RJ
Poesias selecionadas: Abraço sem preconceito e mãe

Neri França Fornari Bocchese – Pato Branco – PR
Poesias selecionadas: Ser quatro, a coruja e caminhar...

Noilson Abreu Benicio dos Santos – Maragojipe – BA
Poesias selecionadas: poiésis e paixão,...

Paulo Fernando de Almeida – Barra Mansa – RJ                   
Poesias selecionadas:  O planeta Terra...

Paulo Roberto da Silva Franco –  Rio de Janeiro – RJ
Poesias selecionadas: Como se um tango bastasse, na medida e querer

Reginaldo Costa de Albuquerque – Campo Grande – MS
Poesias selecionadas: Contraste, gude e um velho

Ricardo Evangelista – Belo Horizonte – MG
Poesias selecionadas: Consumismo, exemplo e poemas são filhos

Ronnaldo Andrade – São Paulo – SP
Poesias selecionadas: amor eterno, nosso melhor amigo e o poder de Deus não se mede

Rozelene Furtado de Lima – Teresópolis – RJ 
Poesias selecionadas: Saudade do primeiro amor, cântico 421 e parceria

Rozelia Scheifler Rasia – Cruz Alta – RS
Poesia selecionada: Impossibilidades

Ruy Riograndino Franceschini – Porto Alegre – RS
Poesias selecionadas: Como e difícil, sangue e pensamento e tentativa

Saul Marques Sastre – Cachoeirinha – RS
Poesia selecionada: Deus está nas coisas bem feitas

Sérgio Guilherme Alves da Silva Filho – Maceió – AL
Poesias selecionadas: procura, reflexão e sertão

Terezinha Alves Crispim – Barra Mansa – RJ
Poesias selecionadas: Colocando remendos, posso ser o que eu quiser e na arte das letras

Thereza Salgado Lootens y Gil – Volta Redonda – RJ
Poesias selecionadas: Torre de Babel, palavras e Lembrando Augusto dos anjos
  
LEIA COM BASTANTE ATENÇÃO

OBS 1: Os autores dos primeiros lugares que tiveram Poesias Selecionadas, assim como os demais Poetas Selecionados, participarão do livro pelo sistema de cooperativismo – cada qual pagará pelos seus trabalhos e receberá um número de livros.

Então se programe (DEZEMBRO/JANEIRO/2012), pois você não pode ficar de fora dessa COLETÂNEA de Grandes Poetas da Nova Poesia Brasileira, que será o SEU PRESENTE DE ANO NOVO.

OBS 2: A vocês que vão participar pela primeira vez e tiverem alguma dúvida entre em contato conosco  e comprovem a veracidade e a importância dos nossos projetos em favor da poesia e das causas sociais.

    Valores para a publicação da sua (s) devida (s) Poesia (s) já incluindo: o texto, o seu contato: e-mail, nome da cidade e estado, foto (somente as 30 fotos que estiverem boas – dos 30 primeiros autores que confirmarem participação e forma de pagamento...), serviços postais (envio registrado).


É IMPORTANTE A SUA HONROSA PARTICIPAÇÃO, POIS UM PERCENTUAL
(A SER DEFINIDO) DA VENDA DOS LIVROS SERÁ DESTINADO
PARA UMA INSTITUIÇÃO FILANTRÓPICA.

Tabela: É O MENOR VALOR DE TODOS OS OUTROS LIVROS
(não é valor por poesia e sim cota de livros)

(INCLUINDO A TAXA DOS CORREIOS QUE DEVIDO A ÚLTIMA GREVE TEVE AUMENTOS, A SUA FOTO COLORIDA E NOME NA CAPA,
DIFERECIAL DOS NOSSOS LIVROS EM RELAÇÃO A OUTROS)

1 POESIA = 3 livros =  80 REAIS, pagamento a vista.
(dezembro ou janeiro 2012) data de sua escolha.

2 POESIAS = 6 livros = 150 REAIS, pagamento a vista ou
em 2x para (DEZEMBRO E JANEIRO 2012) datas de sua escolha.

3 POESIAS = 3 livros = 210 REAIS, pagamento a vista ou
em 2x para (DEZEMBRO E JANEIRO2012) datas de sua escolha.


Depósito em dinheiro ou em cheque
em favor de Jean Carlos da Silva Gomes
Caixa Econômica Federal (Lotéricas)
Agência: 0197 – Operação: 013
Conta poupança: 00023654 – 8


Em caso de doc. 081.601.567-82
Envie o comprovante por e-mail ou pelos correios (xerox)
A/C de Jean Carlos Gomes
Caixa postal 83967 - CEP 27255-970 – Volta Redonda RJ

Não deixe de participar, pois você é muito especial!
Abraços do poeta, colunista, editor e acadêmico
Jean Carlos Gomes / Organizador e Editor /
Contatos: 24 - 9993-0615 | 3338-9883 (depois das 18h)


*Enviado por Clevane Pessoa

INSONIA

          Por Teresinka Pereira

Passo revista
em minha sina
e nos astros
que fazem ferver
meu sangue.
Meu cerebro
e' a serpente do paraiso
que se esconde na escuridao.
A noite e' meu
pecado original.

FESTA DE ENCERRAMENTO DE ANO


 
GRUPO CATAVERSOS DA MOOCA
&
SOCIEDADE DE POETAS DE VILA PRUDENTE

Convida seus simpatizantes  e amigos para a festa de encerramento  de  ano  que  realizaremos  no Núcleo  de  Terapias  Flor  de  Lótus, na  Rua  Guaimbé, 48 – Mooca, no dia 17 de Dezembro (Sábado), às 15 horas.
Venha declamar a sua poesia, venha cantar a sua música.
E como saco vazio  não  para  em  pé, logo  após  o declamatório e a cantoria vamos encher a pança com as guloseimas à mesa.
Traga  um  prato  de  salgado  ou  de  doce, que o refrigerante é por nossa conta.
Haverá  sorteio  de  brindes  durante  o evento. Venha  e  traga seus amigos  e  parentes.

NÚCLEO DE TERAPIAS FLOR DE LÓTUS
Rua Guaimbé, 48 - Mooca
Ônibus Mooca no Metrô Bresser
Descer no final (Percurso de 10 minutos)


Atenciosamente
 Ivan Ferretti Machado

PROJETO GONÇALVES DIAS

Meu cachorro de Natal



Ele veio para minha vida num dia de São Nicolau[1], dia muito mágico para a minha cultura, tempo em que o coração da gente começa a se preparar para o Natal. Era pequenino e doentinho, e já escrevi diversos textos sobre essa chegada de Atahualpa na minha vida. Faz quatro anos, e naquele primeiro Natal passamos nós três, Aldo[2], Atahualpa e eu em duas festas de Natal, onde Aldo e eu nos socorríamos da profunda dor da partida inesperada do nosso amigo Teles[3], um mês antes, matado por uma louca do trânsito, e Atahualpa se socorria das suas mazelas devorando, nas sobras das festas, carne, lingüiça e banha, tanta quanta suportou, o que foi excelente para ele, que recuperou a saúde naquela esbórnia gastronômica.
                                   Correu o ano enquanto ele crescia, um ano de chuva, muita chuva, que culminou, no mês de novembro, com uma tragédia de águas que veio alterar a vida de toda a nossa região de Santa Catarina/Brasil[4]. Estava chegando o segundo Natal de Atahualpa, e nós o passamos num depósito de livros de uma editora, só nós dois, embora a noite de Natal a tenhamos passado com os amigos de um abrigo cheio de gente que perdera as suas casas na tragédia, onde houve farto jantar sob o comando da doce Luzia[5], minha amiga cientista social que lá estava dando seu coração e suas forças para aquela gente sofrida, que a natureza magoara tanto. Mas, na manhã seguinte, quando entreguei ao meu bichinho seu presente de Natal, que era um cachorrinho de pano, queria morrer de ternura quando vi o quanto ele ficou com medo do mesmo, dando grandes voltas no depósito de livros onde vivíamos, para não passar perto dele. Demorou alguns dias para ele aceitar aquele intruso na sua vida!
                        Então, no outro Natal, que era o terceiro, nós já tínhamos dado a volta por cima da tragédia do ano anterior, e já morávamos nesta casinha onde vivemos até hoje, e que até tem cheiro de flor! Foi um Natal requintado: fiz todos os enfeites, todas as comidas, tudo o que se faz num grande Natal, mas decidi que o passaria somente com o meu bichinho, como que para exorcizar o que acontecera no ano anterior, e foi lindo estarmos juntos,  vendo as estrelas de luz piscando na varanda e tendo um vislumbre do trenó do Weinachtsmann percorrendo o céu!
                        No Natal número quatro também cumprimos todos os rituais, mas fomos para a casa da minha afilhada Ana Paula, onde passamos divertida noite. Na volta, havia tantos presentes para abrir, tantas cartinhas de alunos para ler, que acabei dormindo de exaustão.
                                   E então veio este ano de 2011 e uma coisa nova na minha vida: não estaria com a saúde de sempre em dezembro. Bem no começo do mês tive que fazer uma cirurgia, que deixou um grande corte na minha barriga. Não tinha como cuidar do meu cachorrinho, e ele teve que ir passar uns tempos na sua casa 2, que é a casa da minha prima Rosiane Lindner Gieland.
                                   Quando a gente corta a barriga, dói um bocado, mas, mais que sentir a dor da cirurgia, doía-me o coração por estar sem meu cachorrinho tão amado!
                                   Os dias se passaram: 2, 3, 4, 5... 11, 12, 13 – no dia 13, que foi ontem, o médico me disse que eu já estava tão bem que poderia reaver o meu bichinho e, ao telefone, Rosiani disse que o traria para mim!
                                   Céus, como a gente é servo do coração! Pus-me a cuidar de tudo, cozinhar carne, cozinhar osso, cozinhar fígado, trocar as roupas de cama do meu cachorro, fazer papinha de bolo com leite, acender as luzes da árvore de Natal, escolher as mais bonitas músicas de Natal para recebê-lo – e então não sabia mais o que fazer e sentei-me na varanda, como tantas vezes fazíamos nos dias de chuva, e a tardia noite de dezembro caía e ele não chegava.  Mas ali sentada na varanda eu me pus a chorar tanto que tive que entrar e me esconder, para não alarmar os vizinhos: de supetão, de uma vez só, veio a grande dor acumulada por 13 dias, aquela dor que a gente vai engolindo quando ama e se vê diante da impossibilidade: por todos aqueles dias eu tivera que ficar sem o meu cachorro e suportando a dor da cirurgia, e a dor 2 era tão desconfortável que eu escondia de mim própria que tinha a dor 1, para poder agüentar a outra, e naquele choro eu descobria que era terrível ter agüentado a dor da falta de Atahualpa, muito mais terrível a dor do coração que a do corpo.
                                   Então, ele chegou com Rosiani e Germano, e estava bastante desconfiado, farejando as coisas por aqui, assim como quem diz: “O que aconteceu, que eu tive que ficar longe quando sinto que o teu cheiro estava aqui na casa? E porque minha irmã gatinha pode ficar contigo e eu não?”. Claro que pulava em mim e me lambia, mas estava desconcertado e não sabia muito bem como agir. Acabou comendo e aceitando carinho, mas algo dentro dele não estava bem.
                                   Fomos dormir, afinal, ele rejeitando muito contato, escondido debaixo da cama, sem sequer ir para sua caminha, e eu esperando o amanhecer, para ver se as coisas melhoravam. No meio da madrugada, no entanto, algo se resolveu lá dentro do coração dele, e senti-o subir na minha cama e dormir um pouquinho aconchegado a mim, como faz às vezes. Então entendi que o Natal chegara. Ainda faltam 10 dias para a noite oficial, mas dentro de mim o Natal já chegou! Perto de Atahualpa, é Natal todos os dias do ano!


                                   Blumenau, 14 de Dezembro de 2011.

Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR


[1] Dia 06 de dezembro.
[2] Aldo Renê Vera Sarubbi
[3] Adenilson Teles dos Santos, morto tragicamente um mês antes.
[4] Os detalhes da minha vida com Atahualpa nesse tempo fazem parte do livro “Meu cachorro Atahualpa”.
[5] Luzia Jacinta Fistarol Soares


ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...